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Professora foi ferida na perna por um tiro de bala de borracha. | Durval Ramos/Gazeta do Povo
Professora foi ferida na perna por um tiro de bala de borracha.| Foto: Durval Ramos/Gazeta do Povo

A chegada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Polícia Federal, em Curitiba, onde o petista vai começar a cumprir a pena de 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, foi marcada por confusão entre a polícia e manifestantes favoráveis ao petista. As Polícias Federal e Militar chegaram a usar bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar os manifestantes. Oito pessoas ficaram feridas na ação – três delas precisaram ser hospitalizadas.

Desde cedo, um grupo de militantes estava em frente à Superintendência da PF em Curitiba para prestar apoio ao ex-presidente Lula. Eles estavam em frente ao principal acesso à Superintendência e a região não estava isolada. O dia foi marcado pela tensão entre o grupo e manifestantes contrários a Lula. Jornalistas que estavam no local também foram hostilizados e agredidos pelos manifestantes ao longo de todo o dia.

Bombas de efeito moral foram arremessados contra os manifestantes pró-Lula.Durval Ramos/Gazeta do Povo

Por volta das 22h30, enquanto pousava o helicóptero com o ex-presidente, a Polícia Federal teria ouvido estouros em meio aos manifestantes pró-Lula e usou bombas de efeito moral para contê-los. Na sequência, a PM também atacou os manifestantes com tiros de bala de borracha. Entre os oito feridos estão quatro crianças, segundo informações da Globo News.

Segundo o presidente do PT Paraná, Doutor Rosinha, os manifestantes não provocaram a polícia e ele tinha acabado de assinar o interdito proibitório que determinava a proibição de acampamentos no local. “Acabamos de assinar o interdito proibitório. Não deu sequer para nós dois sairmos de lá para comunicar [os militantes] e a Polícia Federal começou a soltar bombas”, reclamou o petista. Ele nega que os militantes tenham tentado forçar o portão da PF.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, publicou um vídeo nas redes sociais que supostamente mostra o exato momento em que a Polícia Federal teria começado o confronto. Ele afirma que esses agentes decidiram dispersar a manifestação sem que houvesse nenhum ato de vandalismo dos apoiadores. “Foi canalha”, disse.

Segundo Rosinha, pouco antes ele havia participado de uma reunião com a PF para discutir a desocupação do local como maneira de cumprir uma decisão judicial. Ele diz que houve um acordo com autoridades e os grupos rivais pouco antes da ação da polícia.

Confronto foi causado por explosão no meio do grupo pró-Lula, diz PM

Segundo o tenente-coronel da PM paranaense Mário Henrique do Carmo, a confusão ocorreu após duas explosões no meio do grupo de simpatizantes ao ex-presidente gerar princípio de tumulto nos portões da Polícia Federal.

“Houve uma explosão, na verdade, duas explosões, no meio dos manifestantes. Com o efeito das explosões, eles avançaram contra o portão da Polícia Federal e esta, por sua vez, repeliu”, afirmou ele, que é comandante do 20º Batalhão da Polícia Militar. De acordo com Carmo, os estouros ocorreram no momento que policiais e manifestantes negociavam área de interdição no entorno da PF.

A corporação ainda não identificou a origem as duas explosões no grupo petista, mas descartou envolvimento de manifestantes que apoiavam a Operação Lava Jato, que protestavam no mesmo local. “Os outros manifestantes estavam a cerca de 60 metros de distância soltando fogos para cima. Isso ficou bem identificado”, disse o tenente-coronel. Segundo Carmo, imagens da PM e da imprensa serão analisadas para tentar identificar a causa das explosões.

Após os estouros, os manifestantes correram em direção aos portões da PF, que dispersou o grupo com bombas de efeito moral. A ação desencadeou um conflito entre o simpatizantes do petista e policiais federais e militares. No meio do confronto, um policial militar foi apedrejado na cabeça.

Segundo o tenente-coronel Carmo, a PM reagiu aos ataques com balas de borracha enquanto a PF usou bombas de efeito moral. Os manifestantes, segundo o militar, lançaram pedras contra os policiais.

Não houve falha de segurança

Apesar do confronto, a PM nega que houve falhas no esquema de segurança no entorno da superintendência da PF. “Nós fizemos desde o início a separação dos dois movimentos [pró e contra Lula]”, explicou Carmo. “No momento em que a aeronave [que trazia Lula] se aproximou para executar o pouso, houve duas explosões e a Polícia Federal reagiu”.

A corporação negou que grupo petista tenha tentado invadir o prédio da PF e disse que nenhum manifestante passou por revista durante os protestos no local. A PM afirmou ainda que irá manter um isolamento no entorno da sede da PF. Um quarteirão à esquerda e outro à direita do prédio serão fechados para garantir o funcionamento do órgão e atendimento à população.

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