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Suíça

Diplomata brasileira dá as costas para Jean Wyllys após bate-boca na ONU

Chefe da delegação brasileira Maria Nazareth Farani Azevêdo deixou sala após pergunta a ex-deputado

  • Folhapress
 | Jose Cruz/Arquivo / Agência Brasil
Jose Cruz/Arquivo / Agência Brasil
 
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Um debate sobre autoritarismo e direitos humanos na sede europeia da ONU terminou nesta sexta-feira (15) em bate-boca entre a chefe da delegação brasileira junto às Nações Unidas, Maria Nazareth Farani Azevêdo, e o ex-deputado federal Jean Wyllys, que participava da mesa.

Um vídeo realizado na sala em que ocorreu o evento mostra a embaixadora, que está na plateia, se levantando para deixar o recinto depois de ter feito uma pergunta a Wyllys, que renunciou ao terceiro mandato e saiu do Brasil após receber ameaças de morte. 

O mediador então pergunta: “A senhora não quer ouvir a resposta dele?”. Farani diz: “Desde que eu possa fazer uma tréplica”. E ouve: “Desculpe, não é assim que as coisas funcionam”. A diplomata se levanta e deixa seu assento. “Por favor, embaixadora, ouça a minha resposta”, pede Wyllys. “Se a senhora gosta de debate, deveria ouvir a minha resposta.”

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E continua: “O fato de a senhora ter saído do seu lugar e vir com um discurso pronto para essa sala é um sintoma mesmo de que a minha presença aqui amedronta a senhora e o seu governo, que não tem compromisso com a democracia, sobretudo em um momento em que a imprensa revela relações entre organizações criminosas, os assassinos de Marielle Franco e a família do presidente da República, que ocupa o Palácio do Planalto”.

Nesse momento, de pé, Farani diz: “A sua presença aqui envergonha o Brasil”. Wyllys prossegue: “Agora é a minha vez de falar, embaixadora. Por favor, respeite a democracia”. E repete: “Por favor, respeite a democracia, embaixadora”.

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Farani reage, mas não é possível ouvir com clareza no vídeo o que ela diz. Por fim, a embaixadora começa a caminhar em direção à saída. 

“É importante que cada pessoa sempre cuspa na cara de quem faz elogio à tortura”, afirma nesse momento Wyllys. “A tortura é um crime de lesa-humanidade. Nós não deveríamos tolerá-la em hipótese alguma, sobretudo envolvendo os que se autoproclamam democráticos. Muito obrigado.” 

A plateia aplaude o fim da intervenção do ex-deputado. A reportagem tentou entrar em contato com a embaixadora e com o ex-deputado, mas não obteve retorno.

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