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 | Marcelo Camargo/Agência Brasil
| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-ministro petista José Dirceu disse neste fim de semana em Teresina, capital do Piauí, que a Lava Jato foi um dos maiores erros do país e defendeu tirar poder de investigação do Ministério Público. Condenado a 30 anos e 9 meses de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região por crimes investigados pela própria Lava Jato, ele foi solto por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e pode aguardar em liberdade enquanto tem chance de reverter a condenação em tribunais superiores.

Enquanto isso, percorre o país divulgando seu livro “Memórias” e articulando apoios para Fernando Haddad (PT) num eventual segundo turno e num eventual governo – o que inclui uma reaproximação com o MDB, partido decisivo para o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Em Teresina, em entrevista ao programa Café com Informação, o ex-ministro, homem forte do governo Lula, criticou a condução coercitiva, a condenação – segundo ele, sem provas – e a prisão do ex-presidente.

“A Lava Jato se transformou num dos maiores erros do país, num balanço isso vai ficar claro. Todos os empresários fizeram delação e ficaram com seus bens. Todas as empresas quebraram, ou estão inabilitadas, ou praticamente paralisadas”, disse Dirceu. O petista alega que a força-tarefa estagnou o país, que  antes era um dos  maiores construtores de siderúrgicas, estaleiros, rodovias, ferrovias, metrôs, aeroportos, da América Latina. Hoje não se constrói mais nada.”

O petista defende que o combate a corrupção deve focar também no Judiciário e que as ações da Lava Jato têm fins políticos e violam a Constituição. “Eles não falam nunca. Os ministros do Supremo Tribunal Federal enchem a boca para falar da corrupção endêmica e esquecem do Judiciário. E isso com a corregedora Eliana Calmon fazendo um relatório final e dizendo depois em entrevistas que abafaram as investigações nos tribunais de justiça e que o CNJ se transformou num órgão corporativo, que defende os interesses e os privilégios do Judiciário e não faz o controle externo”, afirmou.

O ex-ministro criticou também as investigações conduzidas pelo Ministério Público, que segundo ele virou uma “polícia política”. “O Ministério Público não pode investigar. Ele acusa. Quem investiga é a Polícia Federal e a Polícia Civil. Quem decidiu isso? A Constituinte. Eles perderam essa votação na Constituinte”, disse Dirceu, para em seguida defender a retirada do poder de investigação do MP, garantido pelo STF.

“O Supremo em 2016 deu poder de investigação ao Ministério Público. Qual o resultado? Agora tem investigações sigilosas. Inclusive o ministro Gilmar Mendes tem criticado. Tem que tirar o poder de investigação do Ministério Público. O Ministério Público só é pra acusar. O Ministério Público virou uma polícia política. Não há controle nenhum. E mais. Uma corporação com os maiores privilégios que existem no país. É um escândalo a folha de pagamento de um procurador da República. E foi quem mais combateu a reforma da Previdência. Quem mais fez lobby contra a reforma da Previdência.”

“Tomada do poder é questão de tempo”, disse Dirceu ao El País

Na semana passada, em entrevista ao jornal “El País”, Dirceu afirmou que “é uma questão de tempo” para os petistas retornarem ao poder, independentemente do resultado das eleições. “Acho improvável que o Brasil caminhará para um desastre total. Na comunidade internacional isso não vai ser aceito. E dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição.”

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