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| Foto: Evaristo Sa/ AFP

Com 85% de apoio interno, Henrique Meirelles foi confirmado nesta quinta-feira (2) o candidato do MDB à Presidência da República nas eleições deste ano. E demonstrou, na convenção realizada em Brasília, sua disponibilidade em investir na campanha, tanto no lado financeiro, quanto de trabalho de imagem. 

O ex-ministro da Fazenda de Michel Temer bancou do seu bolso o evento desta manhã, tal qual fará com a campanha em si – estima-se um gasto de mais de R$ 30 milhões. A convenção do MDB de 2018 foi diferente: teve auditório alugado em centro de convenções, palco, telões, estrutura e organização. Em geral, essas reuniões, em que o partido reúne diretórios estaduais e a militância, são realizadas em algum dos auditórios do Congresso Nacional. 

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Em todos os vídeos transmitidos no evento – que já haviam sido divulgados nas redes sociais de Meirelles –, ele aparece sorridente e confiante. Aliás, "confiança" foi a palavra que predominou em seu discurso. "Confiança é um sinônimo de fé, força, otimismo. A paz só é alcançada quando os homens confiam uns nos outros. Investimentos só acontecem quando investidores, consumidores confiam no país. Precisamos vencer as amarrar da desconfiança, alimentada por candidatos extremistas. Minha candidatura tem o objetivo principal de resgatar a confiança no país", afirmou em cima do palco na fala que encerrou o evento. 

Essa descontração é uma das armas da equipe de publicidade do candidato, que pretende trazer um Meirelles leve e vídeos divertidos. 

Aos 72 anos, o ex-ministro está em sua primeira campanha eleitoral. Para isso, filiou-se ao MDB em abril deste ano e começou a fazer acordos para se viabilizar. Não conseguiu unanimidade, mas garantiu uma votação expressiva, superior aos 55% de apoio que Michel Temer, há mais de 30 anos no partido, teve em 2014 para ser vice na chapa de Dilma Rousseff. 

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A principal costura, porém, tem acontecido nos bastidores. Apesar do resultado de hoje, grande parte do MDB não se convenceu da possibilidade de eleger Meirelles. E entre eles estão nomes como o próprio Temer e o ex-presidente José Sarney. Eles sempre defenderam a aproximação com o PSDB de Geraldo Alckmin e travaram inúmeras conversas informais nesse sentido. 

No fim das contas, a aproximação se deu. Mas tudo por baixo dos panos. Sem confiar que o ex-ministro da Fazenda poderá chegar tão longe e se eleger, há já uma aliança informal ao tucano no segundo turno. 

Quem bancou a candidatura de Henrique Meirelles foi o atual presidente emedebista, Romero Jucá. Para o senador, o partido tinha obrigação de lançar um candidato neste ano, já que tem a Presidência da República, liderou o impeachment e é o maior partido brasileiro. "O maior partido do país não poderia se acovardar", disse hoje na convenção. 

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Por outro lado, os maiores expoentes de oposição, os senadores Renan Calheiros (AL) e Roberto Requião (PR), marcaram presença. E foram alvo de vários discursos críticos à postura de rejeitar a candidatura própria. Renan adotou o lulismo desde que seu filho, Renan Filho, governador de Alagoas, começou a ter resultados ruins em pesquisas locais. Por lá, o PT é o aliado comum.

Embora tenha integrado a equipe de Temer, Meirelles tem usado um discurso personificado, fazendo ainda comparações do período em que esteve no Banco Central, em gestões petistas. É assim que o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BC pretende se mostrar à população: a solução das crises econômicas passadas e a pessoa capaz de melhorar a economia no futuro. 

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