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Haddad eleva tom, aposta em defesa da democracia e judicialização de ameaças

Estratégia da campanha petista é aproveitar “deslizes” de Bolsonaro e filho, que “atentam contra o judiciário”. O problema é Haddad também deslizou nesta terça-feira ao chamar Mourão de torturador

  • PorDébora Álvares
  • Brasília
  • 23/10/2018 17:00
Fernando Haddad, presidenciável do PT: "Meu adversário cultiva a tortura, tem como ídolo o principal torturador da ditadura, trata quilombola como alguém que pode ser vendido em arroba” | NELSON ALMEIDA
AFP
Fernando Haddad, presidenciável do PT: "Meu adversário cultiva a tortura, tem como ídolo o principal torturador da ditadura, trata quilombola como alguém que pode ser vendido em arroba”| Foto: NELSON ALMEIDA AFP

A menos de 100 horas para o segundo turno, Fernando Haddad (PT) tomou para si o papel de guardião da democracia e tem duas apostas finais para ganhar votos: judicializar as últimas declarações de Jair Bolsonaro (PSL) e de Eduardo Bolsonaro, como gancho para acusar adversário e aliados de antidemocráticos. 

A campanha petista chegava a essa última semana sem novas estratégias. Seguiria com atenção aos eleitores já conquistados, tentando reconquistar os petistas tradicionais que migraram para o adversário, trabalhando por meio da retórica com seus eleitos nos estados e encontros setoriais. Contudo, o domingo deu um novo gás a Haddad. 

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Primeiro, veio à tona o vídeo do deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSL) em que fala em fechar o STF e que, para isso, bastariam um cabo e um soldado. A repercussão partiu de todos os lados. O presidente do Supremo, Dias Toffoli, em nota, afirmou que atentar contra o Judiciário é ir de encontro à democracia. 

O pai, Jair, colocou panos quentes e disse que o filho pediu desculpas. Mas também protagonizou um outro episódio, ainda no domingo. Em vídeo exibido num ato para apoiadores em São Paulo, Bolsonaro afirmou que, se eleito, iria “varrer do mapa os bandidos vermelhos”. 

Nesta terça, pelo Twitter, minimizou: "Falamos em combater os bandidos vermelhos baseado no próprio curso das investigações da Polícia Federal e Lava Jato e houve uma grande histeria por parte do PT. Ao que parece a carapuça serviu mais uma vez!" 

Ação 

Na linha de frente, Haddad ressalta sempre que pode seu papel como democrata. Em entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura, na noite de segunda (22), o petista fez questão de enfatizar o tema e contrapor ao que, para ele, são práticas de seu adversário: 

"Meu adversário cultiva a tortura, tem como ídolo o principal torturador da ditadura, trata quilombola como alguém que pode ser vendido em arroba, é uma pessoa que não perde a oportunidade de ofender mulher. Uma pessoa dessa não tem tradição que respeite a grande jornada de redemocratização que eu ajudei a construir. Sempre fui um amante da democracia". 

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Em outra frente, a equipe jurídica da campanha voltou a atuar. Nesta terça-feira (23), o advogado Eugênio Aragão apresentou uma ação à Procuradoria-Geral da República (PGR) em que pede investigação de Bolsonaro e do filho por incitação pública ao crime. 

A avaliação interna da campanha é que o Judiciário ainda preserva respeito, embora as instituições de forma geral tenham sofrido descrédito da população. "E atacar as instituições ligadas ao Judiciário é um tiro no pé. O Supremo é a base da Constituição", afirmou um dos políticos que acompanham Haddad diariamente. "Por isso, é importante, nesse momento, nessas últimas horas, já que vamos nos aproveitar desse discurso, não errar", completou. 

E houve um deslize de Haddad também nesta terça. Ao participar de uma sabatina ao Grupo Globo, o candidato disse que o general Mourão, vice de Bolsonaro, participou de torturas durante a ditadura. Algo dito pelo cantor Geraldo Azevedo no fim de semana. Segundo o general, a afirmação é falsa e ele irá processar o cantor que, mais tarde, pediu desculpas pelo equívoco. 

Frente democrática 

O que alguns aliados de Bolsonaro têm chamado de "deslizes", para o PT é o "modus operandi" do candidato do PSL e sua turma. 

As afirmações por parte de Jair Bolsonaro e seu filho repercutiram em mais do que num Haddad de tom elevado e ações jurídicas para a campanha petista. Aliados esperados e considerados importantes chegaram. 

A ex-presidenciável Marina Silva (Rede) declarou "apoio crítico" a Fernando Haddad. E o petista conseguiu, enfim, conversar por telefone com Fernando Henrique Cardoso (FHC), que tem tecido inúmeras críticas contundentes em seu Twitter à Bolsonaro. 

Ele não conseguiu formar a sonhada frente democrática que idealizou no início do segundo turno. Mas conseguiu um apoio de parte do PSDB. Também um “apoio crítico” do PDT - apesar das “arestas”, como preferiu chamar, com Cid Gomes. Agora com Marina Silva (Rede) oficialmente junto e FHC publicamente contra Bolsonaro, Haddad acredita que tem elementos suficientes para trazer votos de indecisos e de quem pretende votar branco ou nulo. 

Segundo pessoas próximas, Haddad ficou animado. "Saiu do abatimento de semana passada, para a empolgação de quem viu uma chance de virar", afirmou um deputado do partido. 

"Sabemos de todas as dificuldades. O Haddad sabe, ninguém é inexperiente aqui. Mas estamos lidando com ataques reais à democracia e acho que isso ficou muito claro nesse fim de semana. Estamos confiantes de que vamos conseguir mostrar isso com força total até o fim da semana". 

Discurso democrático fortalecido pelo autoritarismo do adversário, mais uma frente jurídica ativa de volta, além de dois apoios muito esperados. Assim o PT chega à última semana. Do desânimo, à esperança renovada. Ao menos nesta terça-feira. 

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