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| Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Após duas reuniões com diferentes grupos de caminhoneiros, no Palácio do Planalto, o ministro dos Transportes, Valter Casimiro, anunciou que haverá ajuste no preço da tabela de fretes, com detalhamento por tipo de caminhão, contrariando os caminhoneiros. Assegurou, no entanto, que essa adequação da tabela não trouxe descontentamento aos motoristas de carga porque “o governo está cumprindo o que foi acordado”.

O ministro informou, ainda, que também conversou com o pessoal do agronegócio e que o setor também será contemplado com a nova tabela. Segundo o ministro, a nova tabela será publicada nesta quinta-feira (7) pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e estará em vigor a partir de então. Na sexta-feira (8), a medida estará no Diário Oficial.

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“A ANTT vai publicar amanhã tabela de frete nova, com mais tipos de caminhão; em um caminhão maior, com mais eixos, o preço será diluído”, disse ele. Questionado se o governo se comprometeu a anistiar as multas dos caminhoneiros e empresas de transporte, respondeu: “o governo não prometeu nada”.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) e a CNA (Confederação Nacional da Agricultura) informaram que, se a tabela não for modificada, avaliam medidas judiciais contra as normas que estabelecem valor mínimo para transporte de carga.

Apesar de evitar declarar que haverá redução do valor do frete, o ministro Casimiro afirmou que “o preço vai ser modificado”. E explicou: “quando você está colocando todo custo fixo baseado em poucos eixos, você vai diluir este custo fixo numa quantidade de eixos muito menor, e vai onerar muito mais o frete. Quando você dilui este custo fixo no caminhão com mais eixos, você vai realmente diminuir o preço por eixo nesta carga de um caminhão, por exemplo, de nove eixos”, declarou ele, reconhecendo que a tabela mínima de fretes publicada “causou algumas distorções, algumas confusões com relação ao preço”.

O ministro disse, ainda, que a ANTT identificou alguns problemas na constituição da tabela, que previa apenas um tipo de caminhão, alguns com 3 eixos, outros com 6 eixos, e que precisava ampliar para contemplar todo tipo desse veículo e fizesse uma distribuição do custo fixo do frete num caminhão que tivesse mais eixos.

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Justificou que, por isso, a agência está fazendo o trabalho de adequação da tabela, e isso foi explicado para os representantes do movimento. “A ANTT publica amanhã a tabela para todo tipo de caminhão para as cargas previstas na medida provisória e isso vai diminuir as distorções que a tabela publicada trouxe”, comentou ele, acrescentando que “na semana que vem ANTT publica o chamamento para audiência pública para construir uma tabela ouvindo todos os setores, o produtivo, o de transporte, para construir tabela com todos os requisitos necessários”.

Para o ministro, “o acordo continua” e “não teve pressão dos caminhoneiros porque o governo está cumprindo o que prometeu”. Segundo ele, o Ministério dos Transportes mantém um “fórum permanente” para tratar do tema. Ele disse que não houve ameaça pelos caminhoneiros de retorno à paralisação nas estradas porque foi demonstrado para eles que “o governo cumpriu na redução do preço, da previsibilidade do preço, da não cobrança do eixo suspenso nas praças de pedágios das rodovias estaduais e na elaboração da tabela de preço mínimo de fretes”. Portanto, assegurou, “não há constrangimento e todos saíram satisfeitos e entenderam que o governo cumpriu o que prometeu”.

Mais cedo, caminhoneiros se mostraram contrariados com a possibilidade de alteração na tabela de frete anunciada pelo governo, ameaçando com uma “greve ainda pior” caso isso ocorresse.

“Se essa tabela cair, vai ter uma greve pior que a última. E aí não vai ter negociação, pois eles vão querer provar para o mundo que são fortes, vai ser uma grande revolta”, diz Ivar Luiz Schmidt, representante do Comando Nacional do Transporte (CNT) e que foi o grande líder da paralisação de 2015.

O tabelamento de preços sofreu forte reação dos produtores rurais, que alegaram aumento nos custos do frete em até 150%.

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