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Governador Geraldo Alckmin conseguiu adiar  votação no diretório estadual de São Paulo  na segunda-feira (5) sobre saída imediata do PSDB do governo Michel Temer. | Nelson Almeida/AFP
Governador Geraldo Alckmin conseguiu adiar votação no diretório estadual de São Paulo na segunda-feira (5) sobre saída imediata do PSDB do governo Michel Temer.| Foto: Nelson Almeida/AFP

Com duas vertentes opostas sobre a permanência ou saída do partido na base de apoio a Michel Temer, vai se aproximando a hora do PSDB colocar o dedo na ferida e decidir se apoia o governo. O diretório paulista do PSDB se reuniu na noite de segunda-feira (5) e decidiu encaminhar ao presidente da legenda a posição dos tucanos paulistas, da “necessidade de fazer mudanças” sobre o apoio do PSDB com o governo Michel Temer.

“Depois de ouvir tantos tucanos hoje, levarei ao nacional o sentimento de São Paulo da necessidade de fazer mudanças, realizar um novo Congresso Nacional e discutir mais amplamente o PSDB e o Brasil”, afirmou o presidente paulista do PSDB, Pedro Tobias, segundo divulgação do partido.

A reunião da Executiva paulista tem o objetivo de escancarar as posições dos diversos segmentos do partido, para pressionar outras alas a saírem de cima do muro e decidirem ficar com Temer ou sair do governo federal. O presidente nacional da legenda, senador Tasso Jereissati (CE), agendou para quinta-feira um encontro com os presidentes estaduais para aprofundar o tema. Também nesta semana, após o início do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Trípoli (SP), deve reunir a bancada da Câmara, na quarta (7) ou quinta-feira (8). Tripoli está trabalhando para ouvir todos os 46 deputados da bancada.

Doria com os cabeças brancas

Mesmo entre os paulistas, não há consenso sobre o desembarque. A divisão interna do partido sobre o tema tem dividido as alas mais jovens (apelidados de cabeça preta) e as alas mais antigas (os cabeça branca). Porém, um novato que se mostrou conservador é o prefeito de São Paulo, João Doria. Em discurso na segunda, ele defendeu que o partido espere a decisão do TSE. “É preciso ter claro quem é nosso inimigo. Nosso inimigo é o PT, não do PSDB, mas do Brasil”, disse Doria, de acordo com divulgação do partido.

Com a consulta realizada, a Executiva pretende mostrar ao partido um raio X da posição de suas bases no estado sobre o assunto, o que pode precipitar a definição de outros diretórios. “Não podemos assistir a tudo que está acontecendo de camarote e empurrar as decisões para depois. Precisamos definir e para isso temos o dever de ouvir nossas bases, de saber o sentimento do partido com relação a esses temas. Não é mais tempo de decisões de cúpula”, afirmou o presidente do partido em São Paulo, o deputado estadual Pedro Tobias, antes da reunião.

PSDB enfrenta debate sobre qual partido quer ser

Se o apoio a Temer já é um assunto delicado para qualquer partido, no PSDB esse debate ocorre em um momento de necessidade de repensar seus quadros e com seus medalhões envelhecidos ou envolvidos em escândalo de corrupção. A escolha do PSDB neste momento, sobre ficar ou não na base de Temer, significa também definir também qual é a cara do partido daqui em frente, principalmente nas próximas eleições. Tudo isso em um momento que ainda não se tem claro o que acontecerá com o presidente da República.

Nesse embate estão, de um lado, alas mais antigas do partido, com figuras em posição de destaque junto a Temer, como o ministro das Relações Institucionais, Antonio Imbassahy, e o ministro das Relações Exteriores, Aloísio Nunes Ferreira, os cabeças brancas. Do outro lado, estão os jovens “cabeças pretas”, que avaliam que não há espaço para discurso e estilo atuais do PSDB em um Brasil do futuro, pós Lava Jato.

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