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2018

Partido da mudança? O que querem e pensam os movimentos de renovação política

Parecidos entre si, grupos de renovação política tentam se diferenciar uns dos outros por meio de detalhes nas agendas e da forma de atuar

  • Curitiba
  • Redação
 | Waldemir Barreto/Agência Senado
Waldemir Barreto/Agência Senado
 
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Filhos dos protestos realizados por todo o Brasil em junho 2013, os movimentos políticos suprapartidários pipocaram pelo país. Depois de debater os problemas do país em grupos internos, angariar uma legião de apoiadores - anônimos e famosos - e promover o diálogo com a população de diversas formas, esses movimentos chegam às eleições de 2018 com agendas que, se não são iguais, chegam bem perto disso.

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As semelhanças são tantas que alguns nomes participam, em diferentes níveis, de várias iniciativas de renovação. Chama a atenção, também, o fato de que alguns dos que as apoiam são nomes bem conhecidos no cenário político e econômico brasileiro. É o caso do ex-ministro da Cultura do governo Temer (MDB) Marcelo Calero, por exemplo. Ele foi um dos selecionados para participar do programa de formação do RenovaBR. Foram seis meses preparando uma “nova geração de líderes”. Calero também é membro do Agora! e do Livres, ambos fundados em 2016.

Situações parecidas são relativamente comuns. Eduardo Mufarej, idealizador do RenovaBR, também é cofundador do Agora!. Atualmente, o Agora! tem mais de 100 membros, dos quais 17 têm pretensão de concorrer ao pleito em outubro. Um deles é o ex-ministro. “O movimento quer renovar a política a partir do engajamento dos cidadãos comuns”, diz o site da organização.

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A bandeira é parecida com a do Acredito, lançado em 2017. Em seu site, o Acredito diz que sonha com “um novo congresso, com a cara do Brasil. Uma renovação de princípios, práticas e pessoas na nossa política”. Também criado em 2017, o RenovaBR vai pela mesma linha. “O RenovaBR foi criado com o propósito de acelerar novas lideranças políticas e viabilizar o acesso do cidadão comum ao Congresso Nacional.” Os três, assim como outros grupos, terão candidatos na disputa de outubro.

Combate à desigualdade

O discurso sobre a necessidade de diminuir o abismo social e a corrupção existentes no Brasil permeia as propostas de quase todos esses movimentos. O Acredito afirma que “nossa sociedade só será justa quando for menos desigual, oferecendo igualdade de oportunidades e garantindo condições mínimas de dignidade a toda população brasileira”.

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Com um tom parecido, o Agora! coloca o combate às desigualdades entre seus grupos de trabalho. O objetivo do grupo, de acordo com o site da organização, é “propor medidas que ofereçam a todos os brasileiros acesso igualitário a oportunidades, refletindo sobre a desigualdade histórica do Brasil, que passa pela cobrança de impostos e é aprofundada pelos gastos públicos”.

A “eliminação de privilégios” também é mencionada pelo RenovaBR. Ela é um dos pontos que, de acordo com Eduardo Mufarej, um dos fundadores do projeto, serão cobrados das lideranças formadas por ele que forem eventualmente eleitas.

Transparência

Se, em junho de 2013, as manifestações que se espalharam pelo território nacional tinham muitas reivindicações, uma parecia ecoar em todas elas: o fim da corrupção. Cinco anos depois, esse também é um ponto fundamental de confluência entre as agendas dos movimentos suprapartidários.

Enquanto o Agora! diz ter um “compromisso inegociável com a ética”, o RenovaBR vai exigir de seus candidatos “transparência nas ações legislativas”. O Acredito, também, defende que a forma de fazer política “que seja pautada na honestidade, transparência e ética”. O combate à corrupção também pauta grande parte dos demais movimentos suprapartidários.

Pluralidade

Eduardo Mufarej, um dos fundadores do RenovaBR, explica que o projeto não tem um viés ideológico. “Eu nem chamo esse projeto de movimento porque um movimento tem pautas. Ele não tem, é mais complexo.” Por isso, o empresário afirma que, entre os bolsistas, “tem bastante diversidade”.

Para o Acredito, a questão da pluralidade é fundamental para se construir uma nova política. “Para nós é muito caro ter pessoas negras e mulheres liderando o movimento. Fazemos esforços absolutos para que isso aconteça”, diz Luan de Rosa e Souza, um dos líderes do grupo no Paraná.

O Agora! também se declara plural. “Seus membros são referências em suas áreas de atuação que compreenderam a urgência de dedicar parte de seu tempo e conhecimento para mergulhar nos problemas e buscar soluções para o país”, diz o site do movimento.

Escolha de partidos

Como esses movimentos não são partidos, quem os integra e deseja se candidatar precisou filiar-se a partidos já estabelecidos. Para isso, cada um dos grupos buscou as legendas com as quais mais se identifica. Mas os três garantem que todos os membros que decidiram lançar candidatura ficaram livres para escolher o partido por conta própria.

Nem direita, nem esquerda

Outro traço em comum entre quem busca renovação política é que boa parte desses grupos não quer se rotular como “de direita” ou “de esquerda”. “Nós não nos caracterizamos em nenhuma dessas nuances porque entendemos que a polarização gera um resultado político extremamente danoso. O ser humano não se limita entre algo tão frio e não representativo quanto a definição de direita e esquerda”, dizem os representantes do Acredito. Da mesma maneira o RenovaBR afirma que evitou observar as inclinações para direita ou esquerda dos bolsistas formados ali. “Tem bastante diversidade”, diz Mufarej.

O que os diferencia?

Embora as pautas gerais sejam muito similares, a homogeneidade dos movimentos de renovação política é quebrada nas formas de ação e nas prioridades elencadas. Leandro Machado é cofundador e coordenador do Agora!. Para ele, que também fundou a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps), essa confluência de agendas “é natural e é uma dinâmica. Esse processo nasce a partir de 2013. A gente tem as manifestações diversas, com pauta mega difusa. Esses movimentos vêm nascendo na esteira de 2013. É normal que, nesse estágio inicial, eles todos se pareçam de algum modo”.

O que diferencia, então, o Agora! dos demais? Machado diz que é “a visão de mundo e como a agenda foi construída. Ela juntou alguns dos melhores especialistas em cada área com o conhecimento popular”. Ele conta que cada novo membro do movimento compromete-se a dedicar por pelo menos dois anos à vida pública. Esse seria outro diferencial.

Mesmo aqueles membros que já têm em seus currículos passagens pela esfera pública precisam fazê-lo de novo, segundo Machado. É o caso de vários dos integrantes do Agora!. Ali há quem já tenha passado por secretarias estaduais, municipais, federais e até mesmo ministérios. Ainda assim, o coordenador garante que são pessoas capazes de promover a renovação propagada pelo Agora!. “Nossa visão é de que essa não é só uma renovação de pessoas mais novas ou caras que nunca foram vistas. Os membros são pessoas reconhecidas em suas áreas de atuação. Alguns já dedicaram tempo à função publica, mas nenhum em cargo eletivo. É uma renovação de praticas, de agendas, é uma agenda muito mais dessa nossa época.”

O Acredito, por sua vez, afirma que suas lideranças - aproximadamente 30 integrantes serão candidatos em outubro - foram escolhidas de forma colaborativa. “Outros movimentos já surgem com lideranças escolhidas para fim de candidatura. As nossas foram decididas coletivamente, não havia ninguém pré-definido”, dizem Luan de Rosa e Souza e Almira Lima, que lideram o movimento no Paraná. Além disso, eles dizem que o objetivo do grupo é “mais sucinto. Embora tenhamos uma série de pautas, a que orienta todas as outras é a redução da desigualdade.”

Já o RenovaBR é diferente dos outros dois - e de boa parte desses movimentos - devido à sua forma de atuar. Não se trata de propor pautas, mas de “ajudar pessoas que estão fora da política e que gostariam de se preparar”. Como as convenções partidárias ainda não foram realizadas, o RenovaBR não sabe dizer quantos de seus bolsistas serão candidatos nas eleições de outubro.

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