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Reflexo da greve

Pedro Parente, presidente da Petrobras, pede demissão

Petrobras anunciou a demissão de Pedro Parente em fato relevante. A nomeação de um CEO interino será avaliada nesta sexta-feira. Mudança ocorre no dia em que entra em vigor o pacote de medidas negociado pelo governo com os caminhoneiros para baixar o preço do diesel

  • Da Redação, com informações do Estadão Conteúdo
  • Atualizado em às
 | Tânia Rêgo/Agência Brasil
Tânia Rêgo/Agência Brasil
 
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O presidente da Petrobras, Pedro Parente, pediu demissão nesta sexta-feira (1). O executivo está reunido com o presidente Michel Temer (PMDB), no Palácio do Planalto, por volta das 11h30. A Petrobras comunicou a demissão em fato relevante aos investidores. Também foi informado que a nomeação de um CEO interino será avaliada pelo Conselho de Administração da empresa nesta sexta-feira.

A mudança ocorre no dia em que entram em vigor as medidas acordadas entre o governo federal e os caminhoneiros para baixar o preço do diesel, após uma greve que durou 11 dias. Esse pacote vai custar R$ 13,5 bilhões ao governo.

O fato relevante já está disponível no site da companhia.“A Petrobras informa que o senhor Pedro Parente pediu demissão do cargo de presidente da empresa na manhã de hoje. A nomeação de um CEO interino será examinada pelo Conselho de Administração da Petrobras ao longo do dia de hoje. A composição dos demais membros da diretoria executiva da companhia não sofrerá qualquer alteração”, diz o curto comunicado.

SAIBA MAIS: Quem é Pedro Parente, o homem que tirou a Petrobras do buraco

A companhia também divulgou a carta de demissão de Parente, que afirma que o pedido foi feito “em caráter irrevogável e irretratável”. O executivo afirma que fez um julgamento sereno de seu desempenho, afirma que entregou o que prometeu e elogia a equipe de executivos e do Conselho de Administração. “A trajetória da Petrobras nesse período foi acompanhada de perto pela imprensa, pela opinião pública, e por seus investidores e acionistas. Os resultados obtidos revelam o acerto do conjunto das medidas que adotamos, que vão muito além da política de preços”, diz Parente.

O executivo ainda ponderou que a greve dos caminhoneiros e suas consequências ao país desencadearam um debate intenso e emocional sobre essa crise, o que colocou a política de preços da Petrobras na mira dos descontentes. “Poucos conseguem enxergar que ela reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no país. Movimentos na cotação do petróleo e do câmbio elevaram os preços dos derivados, magnificaram as distorções de tributação no setor e levaram o governo a buscar alternativas para a solução da greve, definindo-se pela concessão de subvenção ao consumidor de diesel”, argumentou.

Parente admite que, diante de tudo que ocorreu, novas discussões serão necessárias e que sua permanência na presidência da empresa deixou de ser positiva e pouco contribuiria para a construção das alternativas que têm o governo. “Sempre procurei demonstrar, em minha trajetória na vida pública que, acima de tudo, meu compromisso é com o bem público. Não tenho qualquer apego a cargos ou posições e não serei um empecilho para que essas alternativas sejam discutidas”, frisou.

LEIA MAIS:  Grupos pró-ditadura bloquearam caminhões da Petrobras em fevereiro

Reações imediatas

A saída de Parente do comando da Petrobras refletiu diretamente no mercado de ações. Na Bovespa, as ações da empresa subiam até que os investidores receberam a informação do pedido de demissão do executivo. A partir de então, os papeis da Petrobras despencaram -- o que levou a Bovespa a suspender as negociações temporariamente.

Os políticos também começaram a repercutir a demissão. Os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado Federal, Eunício Oliveira (MDB-CE), reagiram de formas distintas ao pedido de demissão. Enquanto Eunício comemorou, Maia lamentou e disse que a questão da redução dos preços dos combustíveis poderia ter sido resolvida “sem intervenção”.

“Era o que a sociedade esperava”, declarou o presidente do Senado ao Estadão. “Ele tinha muita credibilidade e estava fazendo um ótimo trabalho. A questão do preço dos combustíveis poderia ter uma saída sem nenhum tipo de intervenção”, reagiu o presidente da Câmara, para quem o governo poderia ter resolvido a questão por meio de impostos regulatórios.

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Liderança do Partido da República (PR), o deputado federal José Rocha afirmou que a saída de Pedro Parente aconteceu “tarde”. “Deveria ter saído antes. A política de preços adotada foi errada. Quem for o novo presidente da Petrobras precisa rever isso”, disse Rocha. O também deputado Marco Maia (PT-RS) comemorou a demissão em postagem nas redes sociais. “Tomara que agora o governo golpista reveja a política de reajustes abusivos dos combustíveis”, escreveu. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) aproveitou a notícia para defender a revisão da política de preços “que levou o país ao caos”.

Alguns presidenciáveis também repercutiram a notícia em suas redes sociais. Guilherme Boulos, pré-candidato do PSOL, seguiu o discurso e disse que Pedro Parente “já vai tarde”. “A desastrosa política de preços da Petrobras e a privatização branca causaram um estrago que o povo brasileiros está sentindo no bolso”, escreveu. Manuela D’Ávila (PCdoB) foi pela mesma linha e afirmou que a “pressão popular botou Parente pra fora”.

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Outros setores também comentaram a demissão de Parente. Na avaliação do presidente do Conselho de Óleo e Gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamento (Abimaq), César Prata, o agora ex-presidente da Petrobras utilizou “todos os artifícios políticos que tinha” para colocar os interesses da companhia acima dos interesses nacionais. “A paralisação dos caminhoneiros expôs a política de preços da companhia e mostrou para todo o Brasil a estratégia dele para colocar os interesses da Petrobras acima dos interesses nacionais”, disse.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), que representa parte dos empregados da Petrobras, divulgou um vídeo no qual o coordenador geral da entidade, José Maria Rangel, comemora o pedido de demissão. “As manifestações dos caminhoneiros, dos verdadeiros caminhoneiros, e dos petroleiros conseguiram desnudar a fama de bom gestor do Pedro Parente. Ele foi causador do segundo apagão do país, que prejudicou imensamente a população brasileira, a sua política entreguista, a sua política de só olhar o mercado financeiro”, declarou Rangel, no vídeo.

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Processo de fritura

A greve dos caminhoneiros jogou muitos holofotes para a nova política de preços da Petrobras, que entrou em vigor em julho do ano passado. E esse processo fez com que Pedro Parente virasse o alvo preferencial de políticos da base do governo, oposicionistas e de grevistas em geral: a culpa do valor do diesel e gasolina caiu toda em seu colo. Parente, que até então era o homem que resgatou a Petrobras do buraco e recuperou o valor de mercado da empresa, passou a ser visto como o único responsável pela crise. Foi aí que começou o seu processo de fritura.

Durante a greve, agravada pela inabilidade do governo Temer em negociar com o caminhoneiros, Parente negou categoricamente a possibilidade de a Petrobras rever essa política de preços, que acompanha os valores do mercado internacional para definir o preço de venda das refinarias para as distribuidoras aqui no Brasil.

No dia seguinte, diante do agravamento da paralisação dos caminhoneiros e sob pressão de todos os lados, o executivo anunciou uma redução de 10% no preço do litro do diesel por 15 dias, a fim de dar tempo ao governo e ao Congresso para encontrar uma solução que atenda as reivindicações dos grevistas. A medida foi vista como interferência política sobre a empresa – algo tido pelo mercado como imperdoável e que remete aos terríveis anos de governos petistas, que causaram prejuízos bilionários.

Ofensiva na defesa da política de preços

Na quarta-feira (30), a direção da Petrobras havia iniciado uma ofensiva com seus funcionários para defender a política de preços dos combustíveis. Em uma série de vídeos publicados na rede interna da estatal, seu então presidente, Pedro Parente, e outros executivos explicam a aplicação da política e a gestão das refinarias da empresa, acusada por sindicalistas de privilegiar a importação de produtos dos EUA.

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