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Rodrigo Maia (ao fundo) | J. Batista/Agência Câmara
Rodrigo Maia (ao fundo)| Foto: J. Batista/Agência Câmara

Declaradamente contrariado em não ter sido consultado sobre o decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como que num gesto de rebeldia com o Palácio do Planalto, tentou dar alguma sobrevida e esperança de votação da reforma da Previdência no encontro com jornalistas na manhã desta sexta-feira (16). Levantou até a hipótese, remotíssima segundo os próprios técnicos da Câmara, de se suspender a intervenção para se votar o texto que muda as regras previdenciárias no país. Isso porque, enquanto uma intervenção federal estiver em vigência, propostas de emenda à Constituição (PECs) não podem ser votadas.

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“Mas como se suspende uma intervenção basicamente militar? Manda a tropa para a caserna e retorna depois com os soldados? Todos ficam parados, naquela brincadeira de “estátua”, e volta ao normal depois que votarem a Previdência?”, questionou Maia. Pilhéria à parte, o fato é que o presidente da Câmara, com seus próprios argumentos e os emprestados de outros, fez o papel de porta-voz de anúncio de morte da reforma da Previdência. Ao menos neste ano.

Maia diz ser sonhador, que sonha com a reforma da Previdência aprovada

Na entrevista, disse ser um sonhador, que sonha com a reforma da Previdência aprovada e outros ajustes na economia do país. E que esse assunto obrigatoriamente estará na pauta dos presidenciáveis.

Mas o seu principal argumento de desestímulo foi quando disse que há um “desconforto” dos próprios deputados favoráveis à reforma em votarem esse tema a partir de março. Pela razão de que o assunto é altamente impopular e as eleições estão aí. E disse compreender seus pares. Lembrou que apenas 26% da população é favorável à reforma.

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Maia contou que para ele não é problema votar a reforma da Previdência em tempo algum. Isso porque 44% de seu eleitorado é a favor das mudanças. E que tem um eleitorado que acompanha seu perfil: liberal, conservador e de direita. “No pós-ditadura, toda nossa formação no ensino médio eram com professores de viés de esquerda. Me diziam: não faça isso, não assuma essas posições. Quer morrer? Era proibido dizer ser de direita, liberal. Hoje, não mais”, disse.

Maia demonstra lealdade a Temer, apesar de não ter sido informado sobre a intervenção

Maia, ainda que contrariado com o Planalto por esconder dele a ideia de intervir no Rio, é leal a Temer. Disse que jamais o presidente inventaria algo tão forte como uma intervenção federal – cujos efeitos políticos são uma incógnita – para evitar uma derrota na votação da Previdência.

A próxima segunda-feira (19), daqui a três dias, foi a data escolhida por Maia, no ano passado, para votar a reforma da Previdência. Ele garantiu que, quando marcasse uma data, é porque tinha votos para aprová-la. Maia sabe que não tem os 308 votos necessários para aproar a reforma. Para ele, que seria cobrado em caso de não votação, o decreto da intervenção pode ter o livrado de dar explicações de sua promessa.

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