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| Foto: Robson Fernandjes /Estadão Conteúdo

A notícia de que as autoridades suíças enviaram ao Ministério Público no Brasil documentos que revelam que Paulo Vieira de Souza, o ex-diretor da Dersa, tinha R$ 113 milhões em contas naquele país levantou um alerta dentro do ninho tucano. Souza é conhecido como Paulo Preto e é afilhado político do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, além de ter dirigido a Dersa nos governos de Geraldo Alckmin (2005 e 2006) e José Serra (2007 a 2010), em São Paulo.

O nome de Paulo Preto já foi citado por delatores da operação Lava Jato, que afirmaram que o engenheiro é um operador do PSDB e que seria muito ligado ao ex-governador José Serra. Ele foi diretor de engenharia da Dersa, empresa que é responsável pelas obras viárias do estado de São Paulo, e assessor da Casa Civil no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

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Como diretor da Dersa, Paulo Preto comandava as principais obras em São Paulo. Uma delas, o trecho sul do rodoanel, foi investigada na operação Castelo de Areia. A Polícia Federal suspeitava que os pagamentos de R$ 416,5 mil mensais pagos pela construtora Camargo Correa ao engenheiro tivessem ligação com irregularidades no contrato. A obra custou R$ 5 bilhões.

Em dezembro do ano passado, Preto foi incluído como investigado em um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar supostos crimes cometidos por Serra, entre os quais o desvio de recursos nas obras do rodoanel, em São Paulo, para campanhas do tucano.

O engenheiro também foi citado na delação de Adir Assad na Lava Jato. O empresário disse ter entregue cerca de R$ 100 milhões em espécie a ele durante o governo Serra, entre 2007 e 2010. Segundo o delator, nos contratos com a Dersa, as empreiteiras subcontratavam suas empresas, o valor das notas frias era transformado em dinheiro e as companhias indicavam os beneficiários dos recursos.

Em São Paulo, o Ministério Público Estadual abriu dois inquéritos para investigar Paulo Preto a partir das delações de executivos da Odebrecht. As investigações dizem respeito a irregularidades em obras no estado.

Arrecadação para o partido

Em 2010, o então tesoureiro-adjunto do PSDB-SP, Evandro Losacco, afirmou que Paulo Preto tinha poder para pedir dinheiro em nome do partido. Essa função, inclusive, colocou Serra numa polêmica em meio a campanha eleitoral para a presidência da República.

Durante debate na TV Bandeirantes, a então candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, trouxe o nome de Paulo Preto à tona. Ela questionou o candidato do PSDB sobre o sumiço de R$ 4 milhões da campanha tucana, que teriam sido arrecadados ilegalmente e desviados pelo engenheiro.

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Em agosto de 2010, a cúpula do PSDB recebeu a informação de empreiteiras de que Preto teria arrecadado em nome do partido cerca de R$ 4 milhões para a campanha de Serra, mas os recursos nunca chegaram à legenda.

Paulo Preto foi exonerado da Dersa em abril de 2010, cerca de uma semana depois da inauguração do rodoanel em São Paulo. No mês seguinte, foi preso pela PF ao fazer avaliação de uma joia roubada em um shopping de São Paulo.

Dinheiro na suíça

Reportagem da Folha de S. Paulo da semana passada mostra que a possibilidade de novos episódios no caso envolvendo o dinheiro na Suíça de Paulo Preto assusta a cúpula do PSDB. Os tucanos, segundo a reportagem, temem que o caminho dos R$ 113 milhões seja trazido à tona e acabe complicando membros do partido.

Os recursos descobertos na Suíça constam de uma decisão de outubro do ano passado da juíza da 5.ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, Maria Isabel do Prado. Em fevereiro, os valores teriam sido transferidos para um banco em Nissau, nas Bahamas.

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