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Polêmicas

Sem papas na língua, Boechat virou até meme por broncas e brigas ao vivo

Âncora da Band não media palavras quando defendia sua opinião. Sobraram farpas para políticos, jornalistas e até colegas da própria produção

    • Folhapress
    • 11/02/2019 16:53
     | Nelson Almeida/AFP
    | Foto: Nelson Almeida/AFP

    A longa e premiada carreira do jornalista Ricardo Boechat o alçou ao status em que tinha a liberdade de criticar e até dar broncas em colegas e personalidades ao vivo, seja na TV ou no rádio. Boechat morreu nesta segunda-feira (11), aos 66 anos, após a queda do helicóptero em que viajava em São Paulo. Relembre algumas das brigas que Boechat comprou:

    Pastor Silas Malafaia

    Talvez a mais famosa das brigas foi quando o jornalista mandou o pastor Silas Malafaia “procurar uma rola” em seu programa de rádio em junho de 2015. A briga entre os dois começou quando Boechat comentava a agressão sofrida por uma menina de 11 anos devido a intolerância religiosa em seu programa na BandNews FM. A criança foi apedrejada na cabeça porque é praticante do candomblé.

    Malafaia, incomodado, publicou em seu Twitter um desafio para o jornalista: “Avisa ao jornalista Boechat, que está falando asneira, dizendo que pastores incitam os fiéis a praticarem a intolerância. Verdadeiro idiota. Desafio Boechat para um debate ao vivo. Falar asneira no programa de rádio sozinho, é mole, deixa de ser falastrão. Não incite o ódio”, escreveu o religioso.

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    Ao vivo, Boechat leu o tuíte e já respondeu botando a boca no trombone. “Ô Malafaia, vai procurar uma rola, vai. Não me enche o saco. Você é um idiota, um paspalhão. Um pilantra. Tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia. E agora vai querer me processar. Você gosta muito de palanque, não vou te dar palanque porque você é um otário.”

    O comentário de Boechat segue chamando o pastor de “homofóbico, uma figura execrável, horrorosa, charlatão” – e virou meme instantâneo nas redes sociais.

    Depois, para mostrar que não está generalizando a questão, Boechat citou a história de um outro religioso, o padre João Melo, que demonstrou apoio à criança apedrejada e sua família.

    Malafaia postou 34 tuítes sobre o assunto e publicou um vídeo de resposta no YouTube, em que ameaça Boechat de processo. No Twitter, ele ameaçou contar tudo para o seu amigo João Saad, dono do grupo Bandeirantes de comunicação.

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    “O jornalista Boechat fez uma acusação leviana e séria, de maneira generalizada, dizendo que os pastores nos seus cultos ou na igreja incentivam a intolerância. Eu respondi através do meu Twitter que ele estava tremendamente equivocado e ainda desafiei ele para um debate. Ele, no programa que você vai ouvir daqui a pouco para ver a baixaria, o nível que é esse cidadão, perdeu a linha, me xingou, me difamou. Eu vou dar uma oportunidade a ele na Justiça de provar, diante do juiz, o que ele falou de mim na rádio”, começa Malafaia, inflamado.

    Na época, a direção da Band conversou por telefone com Malafaia para colocar panos quentes no ocorrido, já que o pastor aluga espaços na emissora de TV do grupo.

    Milton Neves e Família Diniz

    Também em 2015,  Boechat trocou alfinetadas com Milton Neves ao vivo no rádio. Enquanto fazia sua entrada, Milton elogiou o empresário João Paulo Diniz, cuja família “impulsiona a economia brasileira”. Ele começou a falar sobre um projeto esportivo, quando o colega o interrompeu para saber de quem era a iniciativa.

    “Ô, pitonisa, isso é de quem? Essa obra coberta de elogios?”, quis saber Boechat. Ao descobrir que Milton continuava falando dos Diniz, o jornalista mostrou-se irritado com o colega: “Milton, numa boa, manda ele [João Paulo Diniz] botar um anúncio”.

    Apesar de Milton negar que se tratasse de propaganda, Boechat não se convenceu. “Neste horário claro que é um anúncio”, disse. “Nós vamos brigar agora sério... Liga para o Diniz, diz que ele é maravilhoso, vai jantar com ele... Se é do Estado vamos nessa, mas se é coisa privada esse oba oba, me desculpe...”

    Milton, que não se exaltou, disse que não era “oba oba”, mas o colega mais uma vez não comprou sua versão. “Somos veteranos demais para saber o que é oba oba”, alfinetou.

    Roberto Requião

    Já em 2014, Boechat chegou a ser condenado à prisão por difamar o senador Roberto Requião (MDB-PR) em comentário feito em seu programa de rádio em maio de 2011. Após reportagem sobre o incidente em que o senador emedebista tomou o gravador das mãos de um repórter, Boechat acusou o senador de corrupção e nepotismo. O jornalista fez acusações sobre a atuação do irmão do senador como gestor do Porto de Paranaguá e afirmou que a aposentadoria que Requião recebe como ex-governador do Paraná era “um roubo”. 

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    O jornalista foi condenado a seis meses e 16 dias de prisão por juíza da 1ª Vara Criminal do Fórum Regional de Pinheiros, em São Paulo. A pena foi convertida em serviços comunitários. A sentença foi condenada à época pelo Comitê de Proteção a Jornalistas como contrária à liberdade de imprensa.

    Rachel Sheherazade

    Também em 2014, Boechat não poupou críticas à colega Rachel Sheherazade, à época apresentadora do SBT Brasil, em que apoiava justiceiros do Rio que prenderam a um poste um suposto assaltante. Em seu programa de rádio, Boechat chamou Sheherazade de “fascista” e disse que o comentário dela era “abominável”.

    Sobrava até para a própria equipe

    As broncas na própria equipe também eram corriqueiras. O mais recente episódio ocorreu na última sexta-feira (8). Boechat teve uma discussão com a equipe do programa que apresenta pelas manhãs na Band News FM. Parte da crítica foi ao ar na própria rádio e o resto da discussão acabou exibido na transmissão ao vivo do estúdio que é feita via internet.

    O problema começou quando Boechat estava anunciando que entrevistaria um membro do corpo de bombeiros, quando foi cortado no ar, sendo que a entrevista não seria realizada naquele momento. “Temos também outro oficial do Corpo de Bombeiros, o Tenente Coronel Douglas...Não? Por que botaram na minha mão então? Toma! Vou devolver esse papel e vocês quando puderem me acionar adequadamente me acionem”, reclamou, visivelmente contrariado.

    O jornalista começou a gritar e a gesticular sua indignação no estúdio. Não é possível ouvir as palavras de Boechat no vídeo, mas é possível perceber seu nervosismo com a equipe.

    Outro caso ocorrei em 16 de agosto do ano passado, quando Boechat se irritou com a equipe do Jornal da Band por conta de um erro. Durante a abertura, quando o apresentador resume os temas mais importantes que estarão no telejornal, as imagens exibidas não condiziam com as notícias lidas por Boechat. 

    Enquanto o jornalista falava sobre a parceria entre empresas e universidades, o Jornal da Band mostrava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quando informou sobre a morte da cantora Aretha Franklin, ia ao ar imagens dos preparativos para os debates promovidos pela emissora com candidatos a governador.

    Em determinado momento, o jornalista desistiu do anúncio, ficou em silêncio por alguns segundos e chamou o intervalo comercial. Pouco depois, ainda antes de o intervalo começar, Boechat ergueu os braços e balançou a cabeça, em um gesto de irritação, e disse algo como ‘vai dar pau?’.

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