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Entrevista

“Agronegócio não precisa da Amazônia”, diz ministra da Agricultura

    • com Estadão Conteúdo
    • 05/07/2020 17:51
    Ministra da Agricultura,Tereza Cristina, diz que não haverá falta de alimentos por causa da covid-19 no país.
    A ministra da Agricultura, Tereza Cristina.| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    O agronegócio não precisa das terras da Amazônia para expandir sua produção no País. A afirmação da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, é feita em um momento em que o Brasil volta a protagonizar números recordes de desmatamento na maior floresta tropical do planeta, deixando a comunidade internacional em situação de alerta e expondo o País ao risco de perder investimentos. O agro, diz Tereza, tem crescido nas áreas já desmatadas e a Amazônia, com seu clima e terras diferentes das demais regiões, não é atraente, além de não contar com infraestrutura logística. “Não precisamos da Amazônia. E eu sou uma defensora intransigente de se zerar o desmatamento ilegal”, disse, em entrevista ao Estadão.

    A ministra diz que parte das críticas ao País está relacionada aos interesses comerciais e de concorrência, afirma que os bancos brasileiros deviam reduzir seus juros ao setor, em vez de criticar políticas ambientais do governo, e que o agro, em meio à pandemia, tem ampliado exportações e consumo interno. Leia os principais trechos da entrevista:

    Por que a China parou de importar de frigoríficos brasileiros

    "Estamos respondendo a todos os questionamentos dos chineses. Não houve nada de errado com os frigoríficos, que estão testando todos os seus funcionários em relação à covid-19. Nós tomamos aqui todas as precauções com as pessoas. Estamos conversando e explicado isso. Muitas vezes, acontece de os chineses não entenderem nossa legislação, não compreenderem como um Ministério Público pode, eventualmente, ser contra uma portaria do governo, por exemplo. Acham que é tudo a mesma coisa. Foi um mal entendido em relação a alguns trabalhadores que já estavam afastados, por causa da Covid-19."

    O impacto da Covid-19 na agricultura

    "De maneira geral, o setor tem crescido. Na área de proteína, por exemplo, tem crescido nesse momento, dentro e fora do Brasil. O consumo não caiu. No agro, a área de proteína é a que empregou mais gente. Eu penso que, no meio dessa tragédia, tem ocorrido uma coisa boa. As cidades, que desconheciam ou tinham esquecido a importância da agropecuária para o País, agora estão mais conectadas com o setor. Com a pandemia, o tema do risco do desabastecimento mexeu com as pessoas, que se sensibilizaram para a importância de ter um País bem abastecido, o que eleva muito o nível de segurança nacional. Somos autossuficientes em quase tudo."

    Agricultura precisa entrar na Amazônia para aumentar produção?

    "Não precisa. Hoje, com as necessidades da população no Brasil e em todo o mundo, não precisa. E não se trata só disso. A Amazônia não tem logística para tirar produção. Você tem que fazer estrada, aumentar porto, ferrovia. A região não possui essa infraestrutura. Além disso, nossa tecnologia de agricultura foi feita para regiões como o cerrado, para o Sul e Sudeste. E essa tecnologia muda conforme a região."

    Governo não deveria incentivar a produção fora da Amazônia?

    "Isso já é feito. E, hoje, a gente não precisa nem incentivar. Se você olhar o nosso desenvolvimento nesses últimos anos na pecuária, por exemplo, vai ver que o setor teve um aumento enorme de produtividade, mas não de área utilizada, e assim acontece com toda a agricultura. Nos últimos 40 anos, nossa área plantada cresceu 32%, enquanto a produtividade aumentou 385%. E isso se deve à pesquisa, à nossa tecnologia. Preservar o meio ambiente é uma condição fundamental para o agricultor e ele está mais consciente disso."

    Críticas de instituições financeiras internacionais sobre o desmatamento

    "Não sou muito ligada a críticas, o que eu acho é que a gente tem que resolver o problema. Mas acontece que, às vezes, existem outros interesses comerciais, que não são algo pontual e ligado só ao meio ambiente. Por que só o Brasil? Essa é a pergunta que a gente tem de fazer. Eu não tenho mais idade para acreditar em Papai Noel. Então, o que vejo é que existe uma desinformação, às vezes, sobre algumas coisas. Fora isso, é preciso entender que o Brasil é uma referência mundial no agronegócio. E depois que nós assinamos o Acordo entre o Mercosul e a União Europeia, os ataques começaram a subir de tom."

    Críticas internacionais e a concorrência no setor da agricultura

    "Sabemos que tem uma parte política nisso, que é para se contrapor ao governo, e tem essa da concorrência, que incomoda muito o mercado europeu e os EUA. Nos cinco primeiros meses do ano, as exportações do agro somaram US$ 42 bilhões, uma alta de 7,9% em relação ao mesmo período no ano anterior. Por outro lado sabemos também que o próprio mercado financeiro passou a olhar o setor com outros olhos. O ministério lançou uma política financeira verde para a agricultura sustentável se capitalizar. Iniciativas como a Climate Bonds Initiative (CBI), que financia projetos verdes, têm o Brasil como principal referência mundial."

    Críticas de bancos brasileiros, como Bradesco e Itaú

    "Entendo que eles tenham os motivos deles, eu quero entender. Agora, eu acho também que está na hora de os bancos brasileiros emprestarem para a agricultura com juros mais baratos, investirem na boa agricultura, moderna e sustentável, e não só o governo colocar dinheiro para baixar os juros. No Brasil, os juros são muito altos. Talvez, se esses recursos forem mais democratizados, melhore ainda mais. Eu convido o Bradesco, o Itaú, para apostarem na agricultura. Venham colocar linhas de crédito do tamanho que a agricultura precisa, que terão retorno, e o Brasil terá também seu retorno no meio ambiente."

    A situação no cargo de ministra da Agricultura

    "O meu trabalho aqui é tão instigante, tão prazeroso. Eu nasci produtora rural. Meu pai era agrônomo, eu sou engenheira agrônoma, trabalhei a vida inteira com isso. Então, eu vejo aqui os desafios do que nós podemos caminhar e acelerar no campo da agricultura. Agora, tenho a noção de que isso aqui é um cargo de confiança, e que é do presidente. Se amanhã ele se irritar comigo ou eu tiver que fazer alguma coisa… Eu tenho, do presidente, um tratamento tão respeitoso. Eu não tenho nenhum motivo hoje para estar desgastada com o governo. Aqui, tem muita coisa para fazer e, por enquanto, tem me dado muito prazer, porque sinto que as coisas estão andando e evoluindo."

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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    Comentários [ 5 ]

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    • A

      Aromero

      ± 0 minutos

      E o preconceito por você fazer "turismo ecológico" nas reservas federais com máquinas pesadas, tipo trator de esteiras e escavadeiras hidráulicas? Pura desinformação comunista.

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      • W

        Wander

        ± 22 horas

        É preciso cada vez mais informações, elucidando e apresentando números, se contrapondo aos eco-chatos, que apesar de nunca terem plantado um único pé de alface, fazem o jogo de países que se sentem ameaçados pelo agro brasileiro. E a mídia tendenciosa também seu papel neste jogo de interesses, principalmente da China, alegando que precisamos desesperadamente exportar, mas não expondo que os chineses mais do que nunca, também precisam dos nossos alimentos. A ministra está de parabéns pela postura e informações prestadas.

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        • C

          Celito Medeiros

          ± 2 dias

          O Brasil não precisa da Floresta Amazônica para o Agronegócio, nunca precisou e nem vai precisar, tão somente as áreas de Cerrado, que passam a não ter mais incêndios, mas produção de fotossíntese. Muitos tentaram culpar o Agronegócio, a declaração da Ministra vem em bom tempo. As derrubadas e queimadas ilegais já estão sendo travadas e impedidas a algum tempo, precismos zerar isto, sim, e aí quem sabe acabe os dados falsos que já foram publicados. Felizmente ainda estamos com a Floresta preservada, mais do que imaginam ou afirmam indevidamente.

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          • G

            Gabriel Schneider

            ± 2 dias

            Gazeta do Povo poderia mudar de nome para Estadão do Povo.

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            • C

              CARLOS VICTOR BRUNE

              ± 2 dias

              Uma ótima Ministra. O bioma Amazônico brasileiro encontra-se 85% intacto, igual ao ano de 1.500 quando Pedro Alvares Cabral aqui chegou. Para produzir grãos os agricultores utilizam menos de 8% do território nacional. Faz mais de 30% anos de ouço a midia dizer que "acabaram com a Amazonia", então será que todo ano nasce outra?

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