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terceira via - manifestações
O governador de São Paulo, João Doria, um dos nomes da terceira via presentes na Avenida Paulista neste domingo (12/09).| Foto: Reprodução/Facebook/João Doria

A baixa adesão popular aos protestos contra o presidente Jair Bolsonaro no domingo (12) demonstrou que, neste momento, a chamada terceira via não está sendo capaz de mobilizar parte expressiva do eleitorado, segundo consultores políticos ouvidos pela Gazeta do Povo.

Organizados pelo Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e Livres, os atos pelo impeachment do Bolsonaro ficaram aquém da expectativa de público, mesmo com a participação de políticos de direita, centro e esquerda, inclusive dos presidenciáveis Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Eduardo Leite (PSDB) Luiz Henrique Mandetta (DEM), Simone Tebet (MDB) e Alessandro Vieira (Cidadania).

Vários motivos foram citados para explicar a baixa adesão: a divisão da oposição ao governo, explicitada pela ausência do PT nos protestos; a resistência entre eleitores da esquerda em participar de um ato convocado pelo MBL (que organizou manifestações a favor do impeachment de Dilma Rousseff); a resistência de eleitores da direita de ir a um ato em que expoentes da esquerda, como Ciro Gomes, iriam participar; o recuo do presidente Jair Bolsonaro na crise entre Executivo e Supremo Tribunal Federal (STF); e a perda do poder de mobilização do MBL. Também influenciou o curto prazo em que a pauta dos protestos mudou de “Nem Bolsonaro, Nem Lula” para “Fora Bolsonaro”.

"Falta nome que personifique a 3.ª via"

Mesmo o mote dos protestos sendo o impeachment de Bolsonaro, os especialistas também expuseram as dificuldades de articulação para uma candidatura alternativa a Bolsonaro e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do próximo ano.

“[A baixa adesão aos protestos do dia 12] foi um balde de água fria para a terceira via”, diz Lucas Fernandes, analista da consultoria política BMJ. “A chance de viabilizá-la parece ser muito diminuta, se esse cenário de hegemonia entre Lula e Bolsonaro se mantiver.”

O principal fator apontado pelos analistas é de que falta um nome que centralize e personifique a terceira via. “As pessoas não vão se sentir motivadas a sair para protestar se não identificarem a que ou a quem estão se juntando”, avalia Jorge Ramos Mizael, CEO da consultoria Metapolítica, explicando que paixões personalistas costumam motivar as pessoas a saírem às ruas para protestar e que também são importantes na hora do voto.

O vice-presidente da Arko Advice, Cristiano Noronha, concorda com esse ponto de vista.  “Grande parte dessa baixa aderência é o fato de não haver uma liderança capaz de unificar o sentimento antigoverno”, diz.

Tanto Noronha como Mizael argumentam que os políticos que não querem ver nem Lula e nem Bolsonaro chegarem ao segundo turno da eleição presidencial de 2022 precisam se articular rapidamente. “Quanto mais tempo sem conversar, mais a polarização vai ganhar força. Eles precisam sentar e rapidamente direcionar todas as forças para um rosto que possa unificar”, afirma Mizael.

Contudo, as chances de que isso realmente venha a acontecer são, por ora, remotas. Conforme lembrou Noronha, os presidenciáveis da terceira via, neste momento, estão trabalhando individualmente. O PSDB, por exemplo, está olhando internamente, para as prévias que vai escolher o seu candidato a presidente (estão na disputa João Doria e Eduardo Leite). Ciro Gomes, por sua vez, está trabalhando para construir sua imagem como candidato. E, neste momento, é difícil imaginar que eles estejam do mesmo lado em uma disputa para o primeiro turno.

“Não vamos ter uma candidatura única da terceira via”, conclui Fernandes. “Alguns nomes vão se colocar na disputa e isso dificulta muito a sua viabilidade. Estamos caminhando para um cenário muito parecido com o de 2018”.

Atos são linha de partida e não de chegada, diz Livres

Os organizadores dos atos, porém, entendem que uma avaliação sobre a viabilidade da terceira via ainda é precipitada. "Não vemos as manifestações de ontem como um fim, como uma linha de chegada, e sim como uma linha de largada", disse Magno Karl, diretor-executivo do Livres.

Salientando que os protestos de ontem tinham como objetivo reunir pessoas contra "políticas, declarações e atitudes" do presidente Jair Boslonaro, Karl acrescentou que os atos do dia 12 "deram a partida" para "uma construção política que poderá vir a ser uma alternativa" à polarização entre Lula e Bolsonaro. "Até 2022 ainda temos muito tempo para construir alternativas".

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