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Vitória de aliado de Evo Morales na Bolívia incomoda, mas Planalto não a vê como ameaça

  • Brasília
  • 23/10/2020 20:12
  • Atualizado em 24/10/2020 às 09:21
Como o governo Bolsonaro reagiu à eleição de um aliado de Evo Morales na Bolívia
O presidente eleito da Bolívia, Luis Arce, durante comício na campanha eleitoral.| Foto: Aizar Raldes/AFP

Os bolivianos foram às urnas e elegeram Luis Arce para ser presidente. Isso causou desconforto no governo federal e para o próprio presidente Jair Bolsonaro. A eleição do ex-ministro do ex-presidente Evo Morales representa a vitória da esquerda bolivariana em um país vizinho. Mas essa expansão da esquerda na América do Sul não é vista como um perigo, e sim com cautela. A chancelaria brasileira e ministros palacianos entendem que o resultado na Bolívia precisa ser monitorado atentamente, mas não representa uma ameaça.

A vitória de Arce representa a volta ao poder do Movimento para o Socialismo (MAS), partido de Evo Morales – que está exilado na Argentina e é suspeito de comandar a fraude nas eleições bolivianos de 2019.

O resultado foi recebido com certa surpresa no Planalto. Bolsonaro torcia pela vitória de Luis Fernando Camacho, líder de direita conhecido por sua militância que une política e catolicismo. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, chegou a se encontrar com o candidato, com quem o governo Bolsonaro pretendia criar uma aliança estratégica caso ele fosse eleito. Mas Camacho obteve apenas 14% dos votos. Carlos Mesa, também de direita, ficou com pouco menos de 29%, contra os 55% de Arce. “O governo brasileiro não morria de amor por ele [Mesa]. Apenas seria menos pior [que Arce]”, diz uma fonte do Planalto.

Brasil relutou em emitir comunicado oficial sobre vitória de Arce

Desde domingo (18), quando saíram as primeiras pesquisas de boca de urna, já se sabia que os socialistas voltariam ao poder na Bolívia. Na quinta-feira (22), Arce já estava matematicamente eleito – a apuração dos votos na Bolívia é lenta. Logo em seguida, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, reconheceu a vitória de Arce.

O Planalto e o Itamaraty relutaram em emitir um comunicado parabenizando o vencedor – o que é uma praxe na diplomacia. O resultado oficial da eleição foi confirmado já na sexta-feira (23) pela manhã, e a nota oficial só foi divulgada pelo Itamaraty volta das 23h.

Na nota, o Brasil parabeniza a Bolívia pela eleição "em clima de tranquilidade e harmonia". Também ressalta a participação – como observadores da eleição – da OEA, do Parlasul, da União Europeia, das Nações Unidas, da Uniore e do Instituto Carter Center. Segundo o Brasil, esses órgãos contribuíram para "afiançar a legitimidade e transparência do pleito e garantir que fosse respeitado o desejo soberano do povo boliviano na escolha de seus dirigentes". Por fim, o governo de Jair Bolsonaro disse estar disposto a trabalhar para implementar "iniciativas de interesse comum" com o país vizinho.

Interlocutores do Planalto explicaram à Gazeta do Povo que o governo iria aguardar a apuração total das urnas. Mas eles reconheceram que a demora de o país emitir um posicionamento foi por causa do desconforto com a eleição de um governo de esquerda.

“A eleição de mais um esquerdista é um incômodo. Sempre será um incômodo ter mais um chefe de Estado bolivariano na sua vizinhança”, reconhece um interlocutor do Planalto.

Quando o presidente da Argentina, o kirchnerista Alberto Fernández, foi eleito, em outubro de 2019, o Itamaraty não emitiu nota, lembrou um assessor palaciano. A Argentina foi o primeiro país a dar uma guinada à esquerda.

Entretanto, um mês depois, com a eleição do presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, da centro-direita uruguaia, o Brasil emitiu nota de cumprimentos.

Diretriz do Planalto é ter pragmatismo na relação com a Bolívia

Apesar do desconforto, os mesmos auxiliares do Planalto minimizam eventuais os possíveis impactos da volta do MAS e da ideologia de Evo Morales ao poder.

“Tem impactos, mas não são ruins, não são tão fortes. O impacto forte é se o [Joe] Biden [candidato democrata norte-americano] ganhar [a eleição nos Estados Unidos]. Aí, sim, teremos algo considerável. Mas o resultado na Bolívia não tem um efeito grande, nada de fim de mundo”, diz uma fonte do Planalto. “É um problema mais grave para os bolivianos do que para os brasileiros”, emenda outro assessor palaciono.

A diretriz no governo é evitar grandes rupturas e manter um relacionamento pragmático com o país vizinho. Na prática, o governo vai manter uma relação estritamente comercial.

Dados da Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia mostram que as relações comerciais com a Bolívia representam, até agora em 2020, apenas 0,5% do total das exportações brasileiras e 0,7% da participação das importações.

O principal produto estratégico desse relacionamento é o gás natural boliviano, comprado pela Petrobras. Entre janeiro a setembro deste ano, o produto representou 94% de tudo o que foi importado do país vizinho, totalizando um montante de US$ 761 milhões. Em todo o ano de 2019, o gás natural representou 95% das importações brasileiras vindas da Bolívia.

Os números mostram que, embora o gás seja estratégico para a Petrobras, esse comércio é muito mais essencial para os bolivianos do que para os brasileiros. Por isso e pelo peso pequeno do país vizinho na balança comercial brasileira, a volta ao poder do partido de Evo Morales não preocupa o Planalto.

E as relações políticas entre Brasil e Bolívia, como ficam?

A linha que o governo brasileiro vai adotar com a Bolívia, dizem as fontes do Planalto, é a mesma com a entrada de Fernández na presidência da Argentina. Ou seja, vai haver pragmatismo no comércio, mas eventualmente críticas e oposição no campo político e diplomático.

Apesar disso, a eleição de Arce não gera preocupações na Presidência da República sobre uma possível aliança da esquerda na América do Sul: do boliviano com Fernández e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro – os três países comandados pela esquerda no continente.

“Só se for a aliança dos falidos. A Argentina está falida com essa aventura socialista. Vai se juntar à Venezuela, que está aos trapos. E a Bolívia, do Evo Morales, caminha para isso também”, minimiza um interlocutor governista.

O que dizem os analistas em política internacional

Epecialistas ouvidos pela Gazeta do Povo também não acreditam que isso sugere a volta da “onda rosa” – como foi chamado o fenômeno político da escalada do progressismo na América do Sul no início do século 21. “Não acho que a gente está no ponto de falar que a situação [o avanço da direita conservadora e liberal no mundo] já se reverteu”, diz o presidente da Domani Consultoria Internacional, Christian Shaw.

O consultor, especialista em comércio exterior, pondera, entretanto, que não há motivos para o governo subestimar eventuais impactos da eleição de Arce apenas contabilizando os dados comerciais. A análise é endossada pela consultora Marina Montenegro, da Domani. “Os impactos de mercado, se forem acontecer, talvez venham depois. Mas podemos ter impactos políticos ao ter menos um país apoiando essa ideologia da política externa brasileira”, diz. Para ela, reduzir a relação com a Bolívia a números pode isolar ainda mais o Brasil dos demais sul-americanos. “Ter mais um governo divergente da ideologia bolsonarista sobe uma preocupação”, afirma.

O analista político Luan Madeira, consultor da BMJ Consultores Associados, concorda com a leitura da Domani. Para ele, a vitória de Arce nas urnas não é uma derrota para a diplomacia proposta pela chancelaria brasileira, mas um revés que deve ser observado com cautela. “É um baque para o governo, porque a expectativa e a tendência que muita gente imaginava era que os governos de direita acabariam se multiplicando no continente”, diz Madeira.

Ter mais um vizinho progressista sugere, portanto, um risco. “Mostra um pouco que a política externa do Bolsonaro não surte todos os efeitos esperados e encontra algumas resistências no meio do caminho”, afirma Madeira. “Ouvi muitos analistas dizendo que [a eleição] é uma grande derrota para o governo. Considero que é um revés, uma mensagem clara de que a diplomacia tenha que adotar uma postura mais comedida no cenário internacional.

*Com informações de Estadão Conteúdo

Correção

A reportagem originalmente informava que o Brasil não havia parabenizado Luis Arce pela eleição na Bolívia. Quando o texto foi publicado, isso ainda não havia ocorrido. A matéria foi atualizada posteriormente, mas permaneceu algum tempo informando que o Brasil não havia reconhecido a vitória de Arce quando isso já tinha acontecido.

Corrigido em 24/10/2020 às 09:21
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Comentários [ 10 ]

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    Franklim Irapuam Maderna Leite

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    Quem sabe o Brasil consegue que devolvam a refinaria pega na mão grande com a conivência do Lula.

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    Carlos Roberto

    ± 20 horas

    O Brasil deve se preocupar com países como; USA, Reino Unido, Alemanha, Paraguay, Chile, colombia.......perder tempo com Cuba, Venezuela, Bolívia, França.....

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    Marcus HS

    ± 21 horas

    De verdade, não consigo entender a imbecilidade e alienação de todo e qualquer socialista. Bolívia, se já tava ruim, agora então...

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    Pzig

    ± 21 horas

    Pesames a Bolivia!

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    Freitas

    ± 24 horas

    Bolsonaro vai vetar a compra do gás que vem da Bolívia? rssss

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    Fernando Lage

    ± 1 dias

    Pobre é pobre e Rico é rico em qualquer lugar do Mundo. E não vai mudar.

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    Xicote

    ± 1 dias

    Quando os pobres...que sao maioria na America Latina acordarem e so votarem nos candidatos socialistas ...tamo ferrado !!!! Como disse Tim Maia ...so no Brasil que pobre vota em candidato de Direita !!!!

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    F.Neto

    ± 1 dias

    Parece que o Evoestá fazendo seu sucessor. Aqui no Brasil a esquerda ainda se resume ao Lula.

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  • D

    Diogo

    ± 1 dias

    Os países pobres não são pobres à toa. Merecem

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  • J

    Joaquim

    ± 1 dias

    A vitoria do boliviano não causa problemas ao nosso país. Mas a vitória do louco, Joe Biden causa problemas para o mundo inteiro.

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