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Bolsonaro empresários
Presidente Bolsonaro pretende passar por Chapecó (SC), Foz do Iguaçu (PR) e São Paulo (SP) nesta quarta-feira (7).| Foto: Alan Santos/PR

Após uma interrupção nas agendas pelo país devido ao descontrole da pandemia do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro irá retomar as viagens nesta semana e passar por três estados em um único dia. Nesta quarta-feira (7), ele pretende visitar as cidades de Chapecó (SC), Foz do Iguaçu (PR) e São Paulo (SP).

Ao lado do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, Bolsonaro fará a primeira parada em Chapecó para uma agenda com o prefeito João Rodrigues (PSD). O presidente já chegou a afirmar que o administrador da cidade catarinense era um exemplo a ser seguido na condução da pandemia.

Rodrigues tem investido no chamado "tratamento precoce" contra a Covid-19 e recentemente adotou um lockdown de 14 dias na cidade. Nesta semana, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o prefeito argumentou que a doença está controlada na cidade. Ele atribui a queda de casos à testagem e tratamento rápido. “Está 100% controlada. O que tem são as UTIs lotadas”, afirmou Rodrigues, alegando que a ocupação de leitos na região segue altíssima por causa de pacientes de fora da cidade.

Ao anunciar a visita, Bolsonaro argumentou que iria mostrar para o restante do Brasil o modelo adotado pelo prefeito chapecoense. “É um exemplo a ser seguido, por isso estou indo para lá. Para exatamente não só ver, mas para mostrar a todo o Brasil que o vírus é grave e que seus efeitos têm como ser combatidos", observou Bolsonaro.

De Santa Catarina, a comitiva presidencial seguirá para Foz do Iguaçu, onde acompanhará a posse do novo diretor-geral brasileiro da Itaipu, João Francisco Ferreira. Bolsonaro também irá acompanhar obras no aeroporto da cidade.

Bolsonaro vai jantar com empresários que criticam o governo

Para finalizar a agenda de viagens, Bolsonaro pretende reunir diversos empresários em um jantar em São Paulo. O encontro será na casa de Washington Cinel, dono da empresa de segurança Gocil e deverá contar com a presença de nomes como Rubens Ometto (Cosan), Flávio Rocha (Riachuelo) e Luiz Trabuco (Bradesco).

Esse mesmo grupo de empresários esteve reunido no mês passado com os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), respectivamente, para cobrarem medidas em relação à condução da pandemia no Brasil. Dois dias depois houve o anúncio por parte de Bolsonaro da criação de um comitê de crise com a participação dos demais poderes.

De acordo com um dos empresários, o jantar está sendo articulado por auxiliares do presidente. O tema central será a pandemia do coronavírus e a vacinação do Brasil, mas a agenda liberal e as reformas econômicas também devem ser discutidas.

O Palácio do Planalto tenta mitigar críticas e melhorar a interlocução com o mercado, que tem sinalizado insatisfação com o governo. Recentemente mais de 500 economistas, banqueiros, empresários e ex-ministros mostraram contrariedade com o governo Bolsonaro.

A relação do presidente com o mercado financeiro é marcada por alguns atritos. O presidente já disse mais de uma vez que os agentes econômicos se “irritam” com “qualquer coisa que se fala”.

Em fevereiro, por exemplo, Bolsonaro criticou os investidores quando comentava sobre a busca de soluções para reduzir o PIS/Cofins que incidia sobre o diesel e sobre a extensão do auxílio emergencial. “Queremos tratar de diminuir impostos em um clima de tranquilidade, não em um clima conflituoso. O pessoal do mercado, qualquer coisa que se fala aqui, vocês ficam irritadinhos na ponta da linha”, disse Bolsonaro.

Há expectativa de que os ministros Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil), Fábio Faria (Comunicações), Paulo Guedes (Economia) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) acompanhem o presidente nessa agenda.

Segundo o anfitrião Washington Cinel, o jantar com o presidente não terá um “tom de crítica”. "Nós estamos aqui para fazer uma agenda positiva e resolver os problemas. Não é para trazer crise. Aqui é papo construtivo. Tudo o que for para construir para o Brasil vai ser falado e pedido", disse Cinel ao jornal Folha de S. Paulo.

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