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Presidente do Coaf, Roberto Leonel, foi chefe da inteligência da Receita Federal em Curitiba no auge das investigações das Lava Jato.
Presidente do Coaf, Roberto Leonel, foi chefe da inteligência da Receita Federal em Curitiba no auge das investigações das Lava Jato.| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Mais uma vez o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) está no centro de uma queda de braço no governo federal. Desta vez, a pressão é para que o ministro da Economia, Paulo Guedes, demita o atual presidente do órgão, Roberto Leonel, indicado pelo ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro. A pressão, de acordo com a Folha de S. Paulo, parte de dentro do Palácio do Planalto.

A polêmica envolvendo o Coaf, desta vez, tem a ver com a decisão recente do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. A pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o ministro paralisou todas as investigações que tenham sido originadas no compartilhamento de dados detalhados de órgãos de controle, como Coaf e Receita Federal, sem prévia autorização judicial. A decisão foi tomada por Toffoli durante o recesso judiciário e deve ser analisada pelos demais ministros da Corte em novembro.

Leonel reclamou da decisão. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na última quarta-feira (31), o presidente do Coaf disse que a decisão de Toffoli prejudica o combate à lavagem de dinheiro no país. Em nota, o Coaf afirmou à Folha de S. Paulo que o “encaminhamento apenas de dados globais não proveria as autoridades destinatárias com elementos suficientes para seguir a 'rota do dinheiro' e atuar com efetividade no combate à lavagem de dinheiro”.

Leia mais: Não é só corrupção! Coaf ajuda a investigar de tráfico de pessoas a facções prisionais

A reação do órgão em relação à decisão de Toffoli, que beneficiou o filho do presidente, teria irritado Jair Bolsonaro (PSL). O ministro da Economia passou a ser alvo de pressão para a substituição de Leonel, o que pode acontecer ainda nesta semana.

Ministro da Justiça também não gostou da decisão

O ministro da Justiça, Sergio Moro, também não gostou da decisão do STF sobre o Coaf. Na última segunda-feira (29), Moro se reuniu com Toffoli para falar sobre o assunto. Nesta segunda-feira (5), ele se encontrou com Paulo Guedes para tratar do Coaf.

Leonel chegou ao comando do órgão pelas mãos de Moro, quando o Coaf estava sob o guarda-chuva do Ministério da Justiça. Ele foi chefe da inteligência da Receita Federal, em Curitiba, por 22 anos e integrou a força-tarefa da Lava Jato.

Apesar de tentar se esforçar para manter Leonel na presidência do Coaf, Moro tem suas próprias batalhas para lutar. O ministro também está sob pressão desde que o site The Intercept Brasil passou a publicar, no início de junho, uma série de reportagens em parceria com outros veículos trazendo mensagens atribuídas a Moro e ao coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol. O conteúdo das reportagens traz uma série de supostas irregularidades na atuação do MPF e na condução dos casos da Lava Jato.

No primeiro semestre, Moro já perdeu uma primeira batalha que também tinha o Coaf como protagonista. No início do ano, o presidente Jair Bolsonaro tirou o órgão do então Ministério da Fazenda e o colocou sob o guarda-chuva de Moro, na Justiça, através da medida provisória que reorganizou a Esplanada dos Ministérios.

Apesar de ter feito um intenso lobby para manter o órgão na Justiça, Moro foi derrotado na votação da MP na Câmara – os deputados resolveram devolver o Coaf para o Ministério da Economia. Com a MP prestes a caducar, Moro se viu obrigado a assinar uma carta pedindo aos senadores que não tentassem devolver o Coaf ao Ministério da Justiça na votação do Senado.

STF também pressiona pela saída de Leonel

Membros do Poder Judiciário também teriam pedido a cabeça de Leonel, segundo a coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo. Uma ala dos ministros do STF acredita que o presidente do órgão pode estar por trás do vazamento de procedimentos de investigação da Receita Federal com relação a autoridades.

Na última quinta-feira (1º), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a suspensão de procedimentos abertos na Receita Federal contra ministros da Corte e outras autoridades. Ele também afastou temporariamente dois servidores da Receita por indevida quebra de sigilo.

A decisão de Moraes ocorreu no mesmo dia em que a Folha de S. Paulo divulgou supostas mensagens que revelam que Dallagnol incentivou colegas a investigar o ministro Dias Toffoli, em 2016.

A reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com o Ministério da Economia e com o Ministério da Justiça, mas nenhuma das duas pastas quis se manifestar sobre uma possível troca no comando do Coaf. O presidente do órgão, Roberto Leonel, também foi procurado e não quis falar sobre o assunto.

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