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Simone Tebet
A senadora Simone Tebet, do MDB, lançou sua pré-candidatura à presidência da república nesta quarta-feira (8)| Foto: Divulgação/MDB

O MDB oficializou nesta quarta-feira (8) a pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MS) à Presidência da República no ano que vem. O partido tenta viabilizar o nome da senadora na chamada terceira via, contra a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Única mulher até o momento na disputa, Tebet se apresentou com o lema: “uma nova esperança para o Brasil”. O evento de lançamento contou com a presença de diversas lideranças do partido, entre eles o presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.

No vídeo de apresentação, o partido tentou realçar uma imagem de independente da senadora, no qual a pré-candidata criticou o “ódio e a divisão” entre os brasileiros, e caracterizou as candidaturas de Bolsonaro e Lula como volta ao passado. A apresentação explorou ainda a participação da senadora na CPI da Covid, atuação que lhe garantiu visibilidade e pavimentou a indicação do partido.

Em seu discurso, Tebet defendeu a democracia e afirmou que o Brasil tem urgência e não pode aceitar aventureiros da política. "Aceito ser pré-candidata porque hoje é a história que convocou novamente o MDB a agir. O MDB diz sim porque sabe da grandiosidade que tem. Eu aceitei esse chamamento porque senti o clamor da militância. Eu aprendi com o MDB que na política missão não se escolhe, se assume. Hoje, Brasil e Brasília precisam de uma nova arquitetura política. Eu estarei nessa luta pela democracia", afirmou Tebet.

Além disso, a senadora criticou o atual governo, que segundo ela, não tem projeto de país. “É preciso acabar com a dicotomia. É urgente, porque o país não tem prioridades. Um governo que não tem projeto. Um governo que não tem dinheiro. Sem planejamento, falta recursos para o mais básico até para as obras de infraestrutura e logística", completou.

De acordo com Tebet, sua pré-candidatura chega para discutir problemas urgentes do país como a fome e a miséria. "Essa missão tem clamor da urgência. A urgência porque o nosso povo, o povo brasileiro, está morrendo de fome depois de centenas de milhares brasileiros terem morrido por uma saúde omissa, insensível e negacionista. Enquanto nos lares faltam cidadãos brasileiros, na rua temos o cenário da indigência total. A nossa missão clama por urgência e é urgente", acrescentou.

Ausente do evento, o ex-presidente Michel Temer enviou um vídeo no qual defendeu que o MDB deve pregar a pacificação do país na campanha eleitoral. "Sugeri aos colegas e amigos do MDB que preguem a pacificação do país, preguem a harmonia do Brasil. O povo brasileiro quer isso. Tenho absoluta convicção de que o povo não quer pessoas que dividem o país. Nós, do MDB, sempre pregamos isso e espero que a senadora Simone continue nessa linha, que é fundamental para revelar a história do MDB, as posições do MDB", afirmou Temer na gravação.

Simone Tebet terá até março de 2022 para se viabilizar

Apesar da pré-candidatura de Tebet, o MDB deve chegar dividido para a disputa presidencial. Atualmente a sigla conta com diversas lideranças que pretendem apoiar a reeleição do presidente Bolsonaro, entre elas o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (PE), e o deputado Osmar Terra (RS).

Além disso, outros integrantes do MDB, principalmente no Nordeste, defendem uma recomposição com o PT, do ex-presidente Lula. No Ceará, por exemplo, o ex-senador Eunício Oliveira pretende concorrer uma vaga de deputado no mesmo palanque petista. Em Alagoas, o senador Renan Calheiros pretende lançar o seu primogênito, o governador Renan Filho, na disputa pelo Senado com apoio de Lula.

Para tentar frear estas negociações, a cúpula do partido pretende viabilizar a candidatura de Tebet até março do ano que vem. Desta forma, o desempenho nas pesquisas durante o primeiro semestre será fundamental na decisão se a candidatura será mantida.

Até lá, os emedebistas não descartam uma composição com outros nomes da chamada terceira via, entre eles o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro (Podemos). Ambos já sinalizaram que teriam interesse em ter Tebet como vice de suas chapas. Dentro do MDB, líderes emedebistas admitem que a entrada da senadora como pré-candidata vai colocar o partido em evidência e poderá ampliar o poder de articulação do grupo junto aos demais partidos.

"Nós estamos no início de uma caminhada. O MDB vai estar unido no momento oportuno. Seria impossível ter unidade neste momento em um partido do tamanho do MDB", argumentou Tebet sobre as divisões do partido.

Perfil

Simone Tebet, 51 anos, é advogada e professora universitária. Ela chegou ao Senado em 2015, depois de ter sido vice-governadora de Mato Grosso do Sul, prefeita de Três Lagoas e deputada estadual. Como senadora, ela exerceu a Presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Casa, entre 2019 e 2020.

Simone Tebet é filha de Ramez Tebet, que presidiu o Senado entre 2001 e 2003. Ele também foi ministro da Integração Nacional e governador do Mato Grosso do Sul. Ramez morreu em 2006.

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