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Damares Alves aponta o indicar para o alto.
Damares Alves: um único dia sem internet para fazer um “detox digital”.| Foto: Sérgio Lima/AFP

O vício em ferramentas digitais pode causar ansiedade, prejudicar as relações familiares e até encurtar a vida dos usuários. Por essas e outras razões, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos quer tratar esse problema como uma questão de interesse público. No dia 6 de outubro, um domingo, a pasta de Damares Alves promoverá o Desafio Detox Digital Brasil, propondo aos brasileiros que tentem ficar o dia inteiro sem usar a internet ("detox", abreviação do inglês "detoxification", significa "desintoxicação").

Com o desafio, o Ministério espera conscientizar brasileiros sobre o impacto das ferramentas digitais em suas vidas e a importância do uso equilibrado dessas tecnologias.

"Nós vamos convocar a nação brasileira para deixar de usar tecnologias digitais por um dia. Esse tipo de experiência já acontece em outros países, promovido por algumas instituições [privadas e não-governamentais]. É a primeira vez que um país faz isso como proposta de política pública", afirma a ministra Damares Alves.

A partir de setembro, o governo iniciará uma campanha para que a população fique sabendo do desafio, por meio de anúncios em veículos de comunicação, contatos com a imprensa e com influenciadores digitais, além de parcerias com governos estaduais – até agora, só o governo do Paraná aderiu. O ministério espera que, nos próximos meses, outros estados entrem na campanha.

O desafio faz parte do Projeto Reconecte, um programa da Secretaria Nacional da Família que tenta diminuir os efeitos nocivos do uso imoderado de tecnologias digitais para a saúde e as relações familiares. A secretaria diz que o Reconecte pretende conscientizar famílias, educadores e profissionais de saúde sobre esse efeitos, além de promover "estratégias efetivas para o uso saudável de tecnologias". O projeto também buscará difundir conhecimento científico sobre os impactos das ferramentas digitais.

Por enquanto, as ambições da secretaria são modestas. A meta para este ano é "o início de uma conscientização nacional" e a adesão de pelo menos quatro governos estaduais. A expectativa é que o impacto aumente de forma gradual nos próximos anos.

Dia internet: por que o ministério decidiu enfrentar o problema?

Algumas pesquisas mostram que o problema do vício em internet no Brasil é especialmente grave. De acordo com a ferramenta de gestão de mídias sociais Hootsuite e a agência We Are Social, o Brasil é o segundo país do mundo com a maior média de permanência online entre as pessoas que acessam a internet: 9 horas e 29 minutos por dia. São quase três horas a mais do que a média mundial, de 6 horas e 42 minutos.

Um estudo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) de 2018 mostra que 24% dos estudantes de escolas públicas no Brasil são dependentes de internet. Além disso, segundo a mesma pesquisa, mais da metade dos estudantes brasileiros afirma usar o celular durante as refeições.

O vício em ferramentas digitais se tornou um tema central para a Secretaria Nacional da Família porque o órgão identificou que esse problema pode afetar fortemente os vínculos familiares. Por exemplo, de acordo com um estudo da iconKids & Youth e da Kaspersky Lab feito com dados de sete países, 30% das crianças diz que o uso de internet já foi motivo de brigas de família.

Para atacar o problema, a secretaria pretende, inicialmente, lançar na internet vídeos de especialistas e uma cartilha para as famílias sobre as temáticas da campanha. Em 6 de outubro, promoverá o Desafio Detox Digital.

Depois, proporá um projeto de lei para a criação da Semana Nacional da Cidadania Digital e assinará um termo de cooperação com os governos estaduais. Finalmente, lançará uma coletânea de artigos sobre os impactos das tecnologias digitais e implementará um curso para famílias sobre o assunto.

Outras secretarias do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos também podem ser envolvidas no Projeto Reconecte, como a dos Direitos da Criança e do Adolescente, a da Juventude e a de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa. Além disso, há contatos iniciais para a participação de outros ministérios, como o da Saúde e o da Educação.

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