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Rio de janeiro: cidade registrou uma das maiores manifestações pró-governo.
Rio de janeiro: cidade registrou uma das maiores manifestações pró-governo.| Foto: EFE

As manifestações em apoio ao presidente Jair Bolsonaro em cidades como Brasília e Rio de Janeiro nesta terça-feira (7) foram definidas por lideranças governistas como uma demonstração de força do chefe do Executivo. Eles enfatizaram que os atos se deram sem registros de violência e com uma presença de público que definiram como positiva.

Já os adversários do governo citaram a presença de reivindicações antidemocráticas por parte de alguns dos manifestantes, como as demandas por intervenção militar e destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e também ironizaram o que definiram como adesão pequena de pessoas aos atos. "O 7 de setembro do Bolsonaro? 'Flopou'!", escreveu o deputado federal Helder Salomão (PT-ES), utilizando o verbo "flopar", gíria da internet para se referir a algo que fracassou. As imagens das redes de televisão mostraram forte participação popular nas principais capitais.

Adversários do governo também mencionaram que falas de Bolsonaro desta terça podem estimular a abertura de um processo de impeachment contra o chefe do Executivo. Eles apontam principalmente trechos do pronunciamento em que o presidente mencionou que integrantes do STF precisariam "se enquadrar".

"Famílias lutando pela liberdade"

Eleito pelo PSB, mas em vias de se desfiliar do partido, o deputado federal Rodrigo Coelho (SC) esteve no ato em Brasília e definiu a mobilização como um movimento de "famílias lutando pela liberdade". "O povo está cansado de ver tantas arbitrariedades de Ministros do STF, que acabou se tornando o inimigo n° 1 dos brasileiros. A manifestação foi pacífica. E assim deve ser em todo o país. Não podemos cultivar a discórdia, incentivar a violência e incendiar ainda mais o clima de hostilidade", publicou em suas redes sociais.

O deputado federal Coronel Chrisóstomo (PSL-RO), que também esteve na manifestação em Brasília, opinou que a mobilização representou que o "povo exerceu seu direito de ir às ruas, exerceu seu direito de pedir para que os poderes se mantenham harmônicos, sem ultrapassar as barreiras de um ou de outro, de forma que quem ganha hoje são todos os brasileiros".

O parlamentar descartou a ideia de que os atos tenham conotação antidemocrática. À Gazeta do Povo, Chrisóstomo disse que acompanhou a preparação dos atos desde a segunda-feira (6) e afirmou: "pouco vi alguém xingar uma autoridade, alguém xingar uma instituição. Uma ou outra, mas muito particular".

A linha de que os atos não representaram uma mobilização contra as instituições foi adotada também pelo senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente da República. Nas redes sociais, Flávio disse: "a mensagem foi clara e não tem absolutamente nada a ver com ataque a STF ou Congresso, muito pelo contrário. Que o pedido de Jair Bolsonaro por respeito à Constituição ecoe nos Três Poderes. Que os 10 do STF possam resolver internamente o único desestabilizador da democracia no momento".

Oposição critica e fortalece luta por impeachment

Parlamentares de diferentes partidos expuseram que declarações do presidente podem levar à abertura de um processo de impeachment contra Bolsonaro. O vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), publicou em suas redes sociais: "não tenho dúvidas de que qualquer ato de violência contra o Congresso ou o STF em ato que teve a participação do Presidente da República tornará inevitável a abertura do processo de impeachment".

O ex-presidenciável João Amoêdo (Novo) endossou a observação: "a medida necessária para a defesa da democracia é o impeachment do presidente da República". E o presidente do PSDB, Bruno Araújo, disse que o partido fará uma reunião na quarta-feira (8) para discutir uma eventual adesão ou não da sigla às manifestações pelo afastamento de Bolsonaro.

O presidente da República é, atualmente, alvo de mais de 100 pedidos de impeachment. Para que algum processo tenha início, é necessário que ele seja aceito pelo presidente da Câmara. O atual ocupante da função, Arthur Lira (PP-AL), foi eleito para o cargo com o apoio de Bolsonaro e tem dito que não encontra fundamentos para encaminhar um processo para afastamento.

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