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Parlamentares govenistas concedem entrevista após sessão da CPI, em 12 de agosto
Parlamentares govenistas concedem entrevista após sessão da CPI, em 12 de agosto.| Foto: Pedro França/Agência Senado

Os senadores que apoiam o governo do presidente Jair Bolsonaro e integram a CPI da Covid não têm muitas esperanças para as semanas finais de atividade da comissão. Em minoria na composição do colegiado, eles reconhecem que a meta de convocar testemunhas de seu interesse ou de diminuir o teor oposicionista no relatório final da CPI é tarefa das mais complexas. A expectativa dos parlamentares pró-Palácio do Planalto para o término da comissão será a de desenvolver uma postura de redução de danos para o governo.

"O relatório do G7 a gente já sabe como vai vir. Com desrespeito ao tratamento precoce, com criminalização à vacinação realizada pelo Brasil. O que nós temos que fazer nesse período é mostrar como anda a vacinação, mostrar que o tratamento precoce funciona", afirma o senador Luís Carlos Heinze (PP-RS). O "G7" mencionado pelo parlamentar é o grupo de sete senadores oposicionistas e independentes que controla a comissão. Entre eles, a cúpula do colegiado: o presidente Omar Aziz (PSD-AM), o vice Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o relator Renan Calheiros (MDB-AL).

Heinze destaca também que não se empenhará, na continuidade dos trabalhos da CPI, para buscar a presença na comissão de testemunhas cujo depoimento considera útil. "Eles não querem", afirma, em referência ao G7.

A participação de testemunhas figurou como um dos principais motivos de embate entre governistas e oposicionistas na comissão. Para os defensores da gestão Bolsonaro, um dos principais equívocos da CPI foi o de minimizar o impacto da atuação de governos estaduais e municipais no combate à pandemia de coronavírus. Os senadores governistas entendem que os números negativos da pandemia no Brasil se devem a equívocos ou corrupção – ou ambas ao mesmo tempo – praticados pelos gestores locais e estaduais, que desvirtuaram verbas enviadas pelo governo federal.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) não se apresenta como governista, mas ao longo dos trabalhos da CPI defendeu algumas pautas similares às de seus colegas que são da base do governo, como o tratamento precoce e a necessidade de investigação de estados e municípios. Girão defendeu a presença na comissão de representantes do Consórcio Nordeste, grupo dos estados da região que, durante a pandemia, fez uma contratação de respiradores que foi alvo de acusações de superfaturamento.

"O objetivo [da CPI] não é e nunca foi apurar com seriedade as ações de combate à Covid, mas antecipar o palanque por projeto de poder. Resultado: a população cansou, saturou de tudo isso e deixou se acomodar. Dessa forma, fica fácil concluir que não seria e não será possível a comissão atingir seus objetivos, mas sim impor narrativas por cima de narrativas", criticou Girão.

A CPI da Covid não tem data exata para o seu término, mas o relator Renan Calheiros disse que planeja entregar o seu texto na segunda quinzena de setembro.

Empresas que negociaram vacinas criam certo "consenso" na CPI

As semanas mais recentes da CPI, em que a comissão se dedicou a investigar denúncias de corrupção no Ministério da Saúde em negociações de vacinas, geraram um certo consenso na comissão. Tanto governistas quanto oposicionistas concordaram que as testemunhas de empresas citadas nas investigações (FIB Bank, Davati, Precisa, etc), em maior ou menor grau, tiveram atuação suspeita.

As divergências entre governistas e oposicionistas em relação a esse assunto ficam por conta da extensão dos efeitos dessa atuação suspeita e da acessibilidade que as empresas e seus representantes tiveram dentro do primeiro escalão do governo Bolsonaro.

Para os governistas, os negócios "suspeitos" propostos pelas pessoas interrogadas pela CPI não prosperaram por causa de freios criados pelo próprio governo federal, e a prova disso é o fato de que não houve gastos públicos nesses casos. Já os adversários de Bolsonaro alegam que as investigações revelam que os empresários tiveram alto alcance no governo, condição negada a comerciantes regulares de vacinas, e que suas propostas não avançaram apenas por causa de holofotes da própria CPI. Além disso, segundo eles, o fato de não ter havido despesa não extingue a corrupção, já que a legislação brasileira considera que há o crime quando ocorre o pedido da vantagem indevida, tendo ou não acontecido o pagamento.

Mas, ainda assim, o momento de "consenso" na CPI em torno de negociações suspeitas tem colaborado para que os governistas guardem suas munições. Isso porque as sessões com os representantes das empresas controversas acabam sendo majoritariamente tomadas pelos oposicionistas, sem que os governistas optem por manifestar uma reação mais incisiva. "Eles ficam querendo mostrar uma corrupção que não houve", afirma Heinze, citando os adversários do governo.

Já Girão discorda de que exista um quadro de "sintonia" na CPI. "O que vejo é uma CPI que se perdeu num labirinto de acusações, agressividade, desrespeito ao próximo e quebras de sigilo", diz. Segundo ele, Renan Calheiros conduz os depoimentos de modo a "sustentar sua narrativa que já estava pronta antes da CPI".

Governistas vão produzir relatório alternativo

Outra ação de redução de danos dos governistas na CPI será a produção de um relatório alternativo sobre as investigações da comissão. O trabalho está a cargo do senador Marcos Rogério (DEM-RO) e vai se concentrar em questões como irregularidades praticadas por estados e municípios durante o enfrentamento da pandemia.

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