Guedes: apostar em obras públicas é acabar igual a Dilma; Marinho rebate e fala em superar dogmas
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A reunião ministerial do dia 22 de abril, divulgada quase na íntegra pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, teve como tema central o Pró-Brasil. Trata-se de uma um programa de retomada da economia pós-coronavírus, arquitetado pelos ministros Braga Netto (Casa Civil), Marinho (Desenvolvimento Regional) e Tarcísio (Infraestrutura). A ideia inicial do plano foi lançada à imprensa sem o aval da equipe econômica.

Na reunião ministerial, Guedes rechaçou a ideia de chamar a iniciativa de "Plano Marshall", em alusão ao programa de de reconstrução da Europa no pós Segunda Guerra Mundial. E foi contra a ideia de o programa ter um dos seus braços apoiado na retomada de obras públicas. Do outro ladro, Marinho afirmou que "dogmas" precisam ser superados.

"Não se fala Plano Marshall, porque é um desastre. Vai revelar falta de
compreensão das coisas. A segunda coisa é o seguinte, é super bem-vinda essa iniciativa, para nos integrarmos todos. Agora, não vamos nos iludir. A retomada do crescimento vem pelos investimentos privados, pelo turismo pela abertura da economia, pelas reformas. Nós já estávamos crescendo", disse Guedes.

O ministro afirmou que, caso a opção seja buscar a retomada via investimento público, como Marinho defende, o caminho será acabar igual a ex-presidente Dilma Rousseff. "Então se a gente lançar agora um plano, é … todo o discurso é conhecido: 'acabar com as desigualdades regionais', Marinho [ministro do Desenvolvimento Regional], claro, tá lá, são as digitais dele. É é bonito isso, mas isso é o que o Lula, o que a Dilma tão fazendo há trinta anos. Se a gente quiser acabar igual a Dilma, a gente segue esse caminho", afirmou Guedes.

Ele acusou indiretamente Marinho de estar querendo ter um papel "preponderante" esse ano. "Não pode ministro pra querer ter um papel preponderante esse ano destruir a candidatura do presidente, que vai ser reeleito se nós seguirmos o plano das reformas estruturantes originais", argumentou Guedes.

Guedes afirmou que tem muito ministro pensando nas eleições municipais. "Tem muita gente pensando na eleição desse ano. É só a observação que eu faria". Bolsonaro responde: "Eu tô fora de eleições municipais." Nos bastidores, se sabe que a indireta de Guedes foi para Marinho. O ministro da Economia acredita que ele quer ser candidato a prefeito de Natal ou a governador do Rio Grande do Norte.

O ministro da Economia fez questão ainda de deixar claro que sua incomodação em relação ao plano não incluía o ministro Tarcísio, da Infraestrutura. "O caminho desenvolvimentista foi seguido, o Brasil quebrou por isso, o Brasil estagnou. A economia foi conompi ... a política foi corrompida, a economia estagnou através do excesso de gastos públicos. Então achar agora que você pode se levantar pelo suspensório, como é que um governo quebrado vai investir, vai fazer grandes investimentos públicos? Tarcísio sabe disso, conversamos sempre."

Marinho fala em superar dogmas

Marinho, por sua vez, rebateu as indiretas de Guedes. "Bom, eu vou partir do princípio que todos que estão aqui são bem intencionados e querem o bem do Brasil. Tá?", afirmou.

"Então eu não a ... não acredito em teoria da conspiração nem que ninguém quer solapar os alicerces da República nem abalar a administração do presidente Bolsonaro, pelo contrário. E quero lembrar a todos que não existem verdades absolutas. Por favor, por favor, vamos refletir. O que tá acontecendo hoje no mundo não tem parâmetro nos últimos cem anos", completou, pedindo que "dogmas" sejam deixados de lado.

" O que eu peço é que nós tenhamos aqui as mentes abertas. E que os dogmas, quaisquer que sejam eles presidente, sejam colocados de lado nesse momento", disse Marinho. "Caiu um meteoro sobre as nossas cabeças. Então, por favor, nós não podemos começar uma discussão com verdades absolutas e com dogmas estabelecidos ao longo de cem anos, em função de uma catástrofe que se abateu sobre o mundo, e os governos de todo o mundo estão se debruçando sobre o assunto, entendendo que muda o papel do Estado", completou Marinho.

O ministro do Desenvolvimento Regional reforça que o mundo mudou. " Porque não cinco, seis, sete por cento desse, desse total [de dinheiro usado para combater o coronavírus], dez por cento desse total, em obras de infraestrutura? Por que não termos a capacidade de alavancarmos emprego num momento em que a retomada, todos os economistas aqui reconhecem, vai ser muito lenta? Bom, eu só tô falando isso presidente, para que nós possamos ter essa discussão sem dogmas. Sem verdades absolutas. Sem a preocupação de que as coisas continuam como eram antes. Não são como eram antes. Aqui e no mundo inteiro. Era isso, senhor Presidente", encerra Marinho.

Marinho era braço-direito de Guedes

Antes de entrarem em atrito, Marinho foi braço-direito de Guedes. O ex-deputado federal, que mostrou habilidade política ao liderar a reforma trabalhista no governo de Michel Temer, foi escolhido por Guedes para ser secretário especial de Previdência e Trabalho e para conduzir a reforma da Previdência do governo Bolsonaro. A proposta foi aprovada pelo Congresso após oito meses de tramitação e negociações, gerando uma economia de R$ 800 bilhões aos cofres públicos ao longo de dez anos.

Marinho deixou de ser secretário de Guedes em fevereiro deste ano, quando foi promovido pelo presidente Bolsonaro a ministro do Desenvolvimento Regional.

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