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Joice Hasselmann
Deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) acredita ter sido vítima de um atentado, após sofrer várias lesões e fraturas.| Foto: Reprodução/YouTube/SBT News.

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) acredita ter sido vítima de um “atentado” dentro da própria casa, em Brasília, após acordar suja de sangue e com fraturas, hematomas e escoriações pelo corpo. Para ela, só essa hipótese justificaria tantos machucados. Mas como isso teria acontecido? Joice diz não se lembrar de nada, apenas de acordar em uma "poça de sangue".

Mas a Polícia Civil do Distrito Federal concluiu, após investigações, que a parlamentar caiu da própria altura, possivelmente em decorrência de efeitos de um remédio para dormir. O caso também foi investigado pela Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, que não encontrou qualquer indício da prática de violência doméstica ou atentado/agressão.

Leia a seguir tudo que se sabe até agora sobre o caso envolvendo Joice Hasselmann.

Como tudo começou?

A deputada Joice Hasselmann apareceu em público no dia 22 de julho com sinais e marcas pelo corpo do que aparentava ser uma agressão sem chance de defesa. Ela contou que estava com cinco fraturas no rosto e uma na costela (comprovadas por exames de imagem), além de dentes quebrados e um corte no queixo. Mas não se lembrava como isso teria acontecido. Afirmou ainda ter hematomas pelo corpo e um “galo” na parte de trás da cabeça. Em entrevista à jornalista Bela Megale, do site O Globo, Joice disse acreditar ter sido “vítima de um atentado” contra sua vida.

Quando a suposta agressão aconteceu e onde ela estava?

A deputada do PSL disse que estava no apartamento funcional onde mora, em Brasília, no dia 17 de julho, um sábado. Segundo ela, a única coisa que se lembra foi de deitar na cama para assistir a uma série de tevê antes de dormir — já era noite. Antes tomou um remédio para dormir, hábito que a parlamentar cultiva há anos, segundo relatou em entrevista ao SBT. Joice contou que no amanhecer de domingo, 18 de julho, acordou deitada no chão de seu closet suja de sangue e sentindo muita dor pelo corpo.

Havia alguém com a deputada?

A parlamentar relatou que o marido dela, o neurocirurgião Daniel França, estava no apartamento, mas dormindo em outro quarto. Ele costuma visitá-la aos finais de semana na capital federal. O casal dorme separado porque ele teria problema de ronco. Segundo Joice, foi ele quem a socorreu primeiro. Ela disse ter ligado para o celular do marido para acordá-lo, por volta de 7 horas, e pedir ajuda. Ele veio então em seu auxílio, fez um curativo no queixo e lhe deu remédios para dor. Em um primeiro momento ambos acreditaram que a deputada teria sofrido uma queda enquanto dormia.

Por que ela suspeita de atentado?

Joice afirmou ao Globo que, primeiramente, acreditou que tinha sofrido um desmaio e se machucado ao cair. Joice, porém, começou a suspeitar de que havia algo de errado porque eram muitos machucados e em partes diferentes do corpo. “É improvável que eu tenha conseguido cair de jeitos diferentes para lesionar tantas partes do meu corpo”, disse ela a Bela Megale.

Além disso, ela disse ter encontrado um objeto suspeito dentro do apartamento — uma carteira de cigarro — que foi entregue à polícia para perícia. “Ninguém fuma no apartamento", disse o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que passou a representar a parlamentar.

Com um passado de polêmicas nas redes sociais e desafetos na política, a deputada diz já ter sofrido ameaças de morte, mas evita fazer acusações. Ainda assim não descarta que alguém possa ter entrado em sua casa enquanto dormia para dopá-la e agredi-la. Ela afirma que normalmente toma remédios para pegar no sono.

Como apenas o marido estava em casa, a primeira suspeita da polícia foi de que pudesse ter ocorrido uma violência doméstica, mas a própria parlamentar descartou a hipótese de que tivesse sido agredida por Daniel França. “É muito mais fácil eu dar uma sova nele do que ele ousar levantar a mão para mim”, afirmou Joice. Ela ainda desmente versões que circulam na internet sustentando que teria sofrido um acidente de trânsito.

Que providências Joice tomou?

Joice Hasselmann contou ter buscado atendimento no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, dois dias depois, ao perceber que as dores não cessavam e diante da suspeita cada vez maior de que algo de mais grave havia acontecido. Lá, exames constataram múltiplas lesões. “Um dos médicos que me atendeu perguntou se eu levei chutes”, disse.

No mesmo dia, ela afirmou ter relatado suas suspeitas ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que acionou a Polícia Legislativa da Câmara para investigar o caso. Joice disse ainda ter trocado as fechaduras do apartamento e trouxe para a capital federal um segurança particular de São Paulo.

A parlamentar já conta com a escolta fixa de policiais legislativos por causa do histórico de ameaças que diz receber, mas contou que no sábado dispensou os agentes depois que chegou em casa.

Polícia já tem alguma pista?

A Polícia Legislativa iniciou diligências para apurar a denúncia e solicitou imagens de 16 câmeras de segurança do prédio. O objetivo era verificar se alguém entrou no apartamento para agredir a parlamentar, que já prestou depoimento junto do marido.

Segundo Joice, não havia sinais de arrombamento no apartamento e ela não sentiu falta de nenhum bem, embora tivesse joias e dinheiro guardados.

Dias depois, porém, os agentes da Polícia Legislativa informaram que não encontraram qualquer imagem de suspeitos entrando no prédio da parlamentar, em Brasília, tanto na madrugada de 18 de julho, como também de datas anteriores e posteriores ao fato.

Mas Joice insistiu na tese do atentado alegando que a Polícia Civil constatou “falhas de segurança” no prédio funcional. “Não existem câmeras de segurança nas escadas e entrada dos aptos”, escreveu ela, no dia 27 de julho, no Twitter. “Já disse com todas as letras que isso não é coisa de amador, mas de profissional. Ninguém entraria na casa de uma parlamentar para agredi-la dando 'tchauzinho' para a câmera do térreo ou do elevador, tento (sic) tantos pontos cegos no prédio”, tuitou.

Para afastar a hipótese de agressão doméstica, o marido de Joice Hasselmann se submeteu a um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) do Distrito Federal. O laudo mostrou que o neurocirurgião Daniel França não tinha lesões e hematomas recentes no corpo. Os peritos procuraram sinais de um possível confronto físico, investigando, principalmente, mãos, dedos e punhos. Mas o exame apontou “ausência de lesões recentes” na conclusão, o que descartou de vez a possibilidade de França ser o agressor da deputada.

A Polícia Civil também passou a investigar a denúncia e no dia 13 de agosto encerrou o inquérito alegando que não encontrou indícios de crime. Segundo a PCDF, Joice caiu sozinha, possivelmente em decorrência de efeitos de remédio para dormir — laudo toxicológico constatou a presença de medicamento para insônia e ansiolíticos no corpo da parlamentar.

"A Polícia Civil do Distrito Federal, por intermédio da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), concluiu as investigações do caso da Deputada Joice Hasselman no sentido de 'queda da própria altura', possivelmente decorrente dos efeitos de remédio para dormir", disse a PCDF, em nota. "Não se evidenciou quaisquer elementos que apontassem para a prática de violência doméstica ou atentado/agressão por parte de terceiros", completou a polícia.

Quem é Joice Hasselmann

Joice Cristina Hasselmann tem 43 anos e é deputada federal em primeiro mandato por São Paulo. Foi a mulher mais votada para Câmara Federal nas eleições de 2018, com mais de 1 milhão de votos. Filiada ao PSL, ela foi eleita na esteira dos movimentos de direita que defenderam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, e que culminaram na eleição do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Inicialmente apoiadora de Bolsonaro, Joice rompeu com o bolsonarismo em 2019, após desentendimentos com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e que culminou na saída de Jair Bolsonaro do PSL. Joice era então líder do governo na Câmara. Em 2020, ela se candidatou à prefeitura de São Paulo pelo PSL, mas recebeu poucos votos e ficou de fora do segundo turno.

Natural do Paraná, Joice é jornalista, tendo trabalhado em diversas rádios, emissoras de TV e sites noticiosos de internet antes de se aventurar na política. Em seu currículo consta ainda uma biografia autorizada do ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro.

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