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O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, disse que seu partido vai acompanhar as discussões sobre uma possível abertura de impeachment de Bolsonaro| Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Os partidos políticos prometem reagir às falas do presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira (7), especialmente sobre a sinalização que ele deu em descumprir decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Dirigentes partidários do PSDB, MDB, PSD, Novo, Solidariedade, Cidadania, PDT e PT começaram a discutir a ideia de abertura de um processo de impeachment.

Lideranças políticas de outros partidos, como PL, Podemos, Rede, PSB e PSOL também se posicionaram favoravelmente ao debate de impeachment. Boa parte dos partidos ainda não crava uma defesa clara da abertura de um processo contra Bolsonaro, mas a maioria acena favoravelmente a discutir, e não manter o impeachment apenas como retórica político e partidária.

O coro pelo impeachment era uma pauta dos atos com baixa adesão contra Bolsonaro nesta terça, mas passou a ganhar força também entre dirigentes e lideranças partidárias de centro após a manifestação do presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo.

Segundo Araújo, o partido precisa se posicionar "diante das gravíssimas declarações do presidente da República no dia de hoje (7)". Os governadores tucanos João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), pré-candidatos à Presidência da República e que devem se enfrentar nas prévias do partido, manifestaram apoio ao afastamento de Bolsonaro.

Qual é o posicionamento de partidos e dirigentes de centro-direita

O presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), foi outro a se posicionar favoravelmente pelo impeachment. Sem citação nominal a impeachment ou a Bolsonaro, ele classificou como "inaceitáveis os ataques a qualquer um dos poderes constituídos".

"Não podemos fechar os olhos para quem quem afronta a Constituição. E ela própria tem os remédios contra tais ataques", publicou Rossi em seu perfil no Twitter. O artigo 85 da Constituição é o que versa sobre os crimes de responsabilidade cometidos por um presidente da República.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, foi outro a se manifestar a favor do debate, embora não tenha cravado se a legenda apoiará o impeachment ou não. Afirmou, contudo, que o partido criou uma comissão de acompanhamento das discussões sobre a abertura de um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro.

O comitê terá a participação dele, de deputados e senadores da cúpula do partido. Nesta quarta-feira (8), a comissão de acompanhamento do impeachment vai se reunir para convidar mais alguns integrantes da legenda. O colegiado interno terá por objetivo "acompanhar diariamente a conduta do presidente" a fim de que o PSD possa se "manifestar de maneira adequada e compatível".

O Novo usou as redes sociais para informar que o partido é "oposição ao governo Bolsonaro" e que defenderá o impeachment do presidente da República. O Cidadania foi outro partido a se posicionar claramente a favor do impedimento. "A resposta tem de ser política. E ela começa pelo devido processo de impeachment", informa a legenda em nota assinada por seu presidente, Roberto Freire.

O presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), disse ao site O Antagonista que a tendência é que a legenda apoie o impeachment, embora tenha dito que a executiva nacional ainda se reunirá na próxima semana para deliberar se vai aderir, ou não, aos pedidos.

O que dizem lideranças de centro-direita e centro-esquerda

O vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), foi outro a se manifestar favoravelmente pelo impeachment de Bolsonaro. O PL é um partido integrante da base do governo, que, desde a discussão do voto impresso auditável, mostra uma divergência interna significativa contra o Executivo federal.

"Não tenho dúvidas de que qualquer ato de violência contra o Congresso ou o STF em ato que teve a participação do presidente da República tornará inevitável a abertura do processo de impeachment", declarou Ramos no Twitter.

O deputado José Nelto (Podemos-GO), vice-líder do partido na Câmara, confirmou que o partido vai discutir internamente a abertura de um potencial impedimento de Bolsonaro. "O partido tem que discutir, como todos os outros, e vai", afirmou à Gazeta do Povo.

A data da reunião interna ainda será definida. "Começa com um processo de discussão. Não estava na 'mesa', mas, a partir de amanhã, estará", explicou Nelto. "Olha a gravidade de um presidente dizer que não vai cumprir uma ordem judicial. É o Bakunin brasileiro", acrescentou.

O líder da oposição ao governo no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), é outro que defende o debate. Ainda nesta terça, o parlamentar ingressou no STF com um pedido de notícia-crime contra Bolsonaro para que ele seja investigado por supostos três crimes.

Qual é o posicionamento da oposição sobre o impeachment de Bolsonaro

Dirigentes e lideranças de partidos de oposição se manifestaram quase em sua totalidade a favor de um impeachment contra Bolsonaro. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou ao site O Antagonista que pretende fazer uma reunião com presidentes de vários partidos, tanto de centro quanto de esquerda, para intensificar as articulações a favor do impeachment. "A democracia não pode ser ameaçada", disse.

O vice-presidente nacional do PSB, Beto Albuquerque, foi outro a falar com o site O Antagonista e se manifestar a favor da discussão da abertura de um processo na Câmara. Para ele, Bolsonaro "está procurando seu próprio impeachment". "E quem procura sempre acha", destacou.

O líder da minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN), usou as redes sociais para criticar as declarações de Bolsonaro e reforçou o pedido pelo impeachment. "Nem morto, nem preso… derrotado. Bolsonaro não precisa das urnas para ir ao encontro de seu destino. Tentou ir para o tudo ou nada e sai com as mãos vazias. Os atos de hoje mostram que o presidente só consegue dialogar com a sua claque e não é isso que se espera de alguém que deva liderar o país", afirmou.

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