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Fusão PSL-DEM
ACM irá exercer o cargo de secretário-geral do novo partido União Brasil.| Foto: Toninho Barbosa;/DEM/Divulgação

Em convenção conjunta realizada nesta quarta-feira (6), em Brasília, integrantes do DEM e do PSL oficializaram a fusão entre as duas legendas para criação de um novo partido, o União Brasil. A nova legenda será a que tem mais deputados na Câmara, adotará o número 44 nas urnas, será presidido pelo deputado Luciano Bivar (PSL-PE) e terá o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) na secretaria-geral. Apesar disso, o União Brasil já nasce com alguns impasses internos a resolver. A legenda tem três pré-candidatos a presidente em 2022: o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM); o apresentador de TV José Luiz Datena (PSL); e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM). E também há, desde já, disputas para assumir o comando dos diretórios estaduais.

Desde o início das negociações, integrantes do DEM e do PSL travam disputas internas pelos comandos das legendas nos estados. Mas, de acordo com ACM Neto, neste primeiro momento, cada diretório será mantido como está, com representações do DEM e do PSL onde houver diretórios dos dois partidos.

A definição sobre o comando do União Brasil nos estados só tende a ocorrer após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aprovar a fusão. Integrantes dos dois partidos estimam que isso só vai ocorrer nos primeiros meses de 2022.

“Os entendimentos e as composições começarão a ser feitas a partir de agora. Até que a fusão seja autorizada pelo TSE, tudo continua como está nos estados. Portanto não há nenhuma alteração imediata nos estados. Vamos dedicar tempo e bom senso para procurar o melhor caminho e a melhor saída de composição. A ideia é que o União chegue em 2022 como o mais vitorioso nas urnas, respeitando as histórias e contribuição de cada um”, disse ACM Neto.

Presidente do DEM de Pernambuco, o ex-ministro Mendonça Filho, afirma que o novo partido passará por um processo de transição. Segundo ele, o resultado das urnas em 2022 será determinante para as escolhas do comando do partido e toda mudança terá que ser aprovada por 60% dos integrantes da executiva.

“Na verdade essa coisa do [diretório] 'ficar com' é um modelo antigo. No chip antigo, você tinha um comando onde você tinha o poder absoluto naquele comando local, estadual ou nacional. A presidência do União Brasil é de Luciano Bivar, mas a governança é fruto de uma coalização. Qualquer decisão vai obedecer a regra dos 60%. A gente precisa entender que o partido terá uma governança transitória, que levará em consideração a necessidade de apoio de 60% da instância partidária”, explicou Mendonça Filho, ex-ministro da Educação no governo de Michel Temer.

De acordo com ele, o estatuto do novo partido acaba com a centralização de poder. “É diferente do que se tinha antigamente, onde se tinha um comando onde a força política era praticamente homogênea e você não tinha distinção. A partir de 2023, a regra do jogo será a regra que sair das urnas. Como sair das urnas vai ter uma determinada direção em relação ao comando partidário local e até nacional”, completou.

Mas o PSL, que tem mais deputados federais que o DEM, deve ficar com a maioria dos diretórios estaduais do União Brasil. Além da presidência, o grupo de Bivar irá comandar o caixa da nova sigla, que em 2022 poderá ter cerca de R$ 900 milhões dos fundos partidário e eleitoral.

Nos bastidores, membros do PSL afirmam que eles irão comandar 17 diretórios estaduais, enquanto integrantes do DEM ficarão com 10.

Fusão de DEM e PSL tem impasse pelo comando no Rio, Goiás e São Paulo

Um dos principais impasses está no estado do Rio de Janeiro, onde integrantes de PSL e DEM travam um embate interno. Pelo PSL, o prefeito de Belford Roxo, Wagner Carneiro, pretende assumir o comando da nova sigla. Já no DEM, o deputado federal Sóstenes Cavalcante trabalha pelo seu nome e afirmou que não pretende se manter no União Brasil, caso Carneiro seja o escolhido. “Eu saio no outro dia, caso o ‘Waguinho’ seja eleito. Com ele não tem conversa. Ele assumiu hoje, amanhã estou fora. Garotinho, ‘Waguinho’, essa turma aí estou fora”, afirmou Cavalcante ao chegar na convenção em Brasília. O prefeito de Belford Roxo é do grupo do ex-governador Anthony Garotinho (Pros).

Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado (DEM) é apontado por seus aliados como nome “natural” para assumir o diretório estadual. Mas o deputado Delegado Waldir (PSL) afirma que o tema ainda será discutido. Waldir diz estar aberto ao diálogo. “Se ele [Caiado] for o presidente, eu sou o vice, por exemplo. Se a secretaria for dele, a tesouraria é minha. Ou vice-versa. Vai ser bem equilibrado o comando do novo partido”, afirmou o deputado.

Já em São Paulo, a disputa envolve a possibilidade de o partido atrair o ex-governador Geraldo Alckmin. De saída do PSDB, Alckmin passou a ser cortejado por Bivar e ACM Neto, numa tentativa de lançá-lo como candidato ao governo do estado pelo União Brasil.

No entanto, enquanto a cúpula do União Brasil tenta atrair Alckmin, membros do DEM no estado trabalham por apoiar o nome do vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), para o governo estadual. João Doria (PSDB), que pretende concorrer à Presidência, já lançou o nome de Garcia para a sua sucessão.

Além disso, parte dos membros do PSL apoia o nome do deputado estadual Arthur do Val (Patriota), que pretende disputar o governo paulista com apoio do Movimento Brasil Livre (MBL).

Apesar das movimentações, a cúpula do União Brasil já sinalizou que a definição de candidaturas no estado caberá aos membros da executiva nacional.

Partido nasce com três pré-candidatos ao Palácio do Planalto

O União Brasil nasce com dois nomes apontados como pré-candidatos ao Palácio do Planalto no ano que vem: o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, do DEM, e o apresentador José Luís Datena, do PSL. Além disso, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que vinha negociando sua filiação ao PSD, também cogita se lançar à Presidência na disputa pelo União Brasil em 2022 – embora não tenha admitido isso oficialmente, ao contrário de Mandetta e Datena.

“Vamos ser protagonistas. Essa é a meta que nos propomos. Temos o Mandetta e o Datena, para que a população possa avaliar”, afirmou o deputado e líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB).

De acordo com o parlamentar, a população “tem um sentimento” por um nome da chamada terceira via, que possa fazer frente à polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Tem um sentimento que está ali escondido, que está no coração das pessoas. Esse sentimento ainda não encontrou nome, rosto nem mensageiro. Essa é a missão do União Brasil: dar voz ao que ecoa nas ruas. Podemos ser nós os mensageiros dessa esperança. Precisamos significar esse nome”, completou Efraim.

Já a senadora Soraya Thronicke (MS), líder do PSL no Senado, afirmou que o União Brasil irá “resgatar” o país da polarização. “A partir de agora somos um só, um só partido e muitos objetivos em comum. Vejo o União como um grande momento para a política brasileira. O que realmente importa é a consolidação de uma legenda que irá resgatar o Brasil dessa polarização. O que nos une é maior que qualquer questão periférica”, argumentou a senadora.

Onyx tentou aprovar apoio à reeleição de Bolsonaro, mas foi derrotado

Filiado ao DEM, o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, chegou a apresentar um requerimento para que o novo partido fechasse apoio à reeleição do presidente Jair Bolsonaro. O pedido, no entanto, acabou sendo rejeitado pela executiva do União Brasil.

Ao indeferir o pedido, Luciano Bivar afirmou que o pedido era uma discussão "antecipada" e que tema só será tratado quando a nova legenda tiver a fusão chancelada pelo TSE. Pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, Onyx foi o único integrante do DEM que votou contra a fusão.

Apesar da negativa do apoio à reeleição de Bolsonaro, o agora secretário-geral do União Brasil, ACM Neto, já sinalizou que cada estado poderá deliberar sobre a disputa nacional em 2022. O objetivo é evitar o esvaziamento de eventuais candidaturas com chances de vitórias aos governos estaduais.

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