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Candidatos das prévias do PSDB, partido da terceira via
João Doria, Eduardo Leite e Arthur Virgílio vão disputar as prévias do PSDB, partido que quer unir a terceira via.| Foto: Divulgação/Twitter/PSDB

A terceira via está pulverizada em pelo menos dez pré-candidatos a presidente quase dois anos depois de partidos e de políticos darem início à tentativa de construir uma candidatura única de centro. A ideia era unir forças para fazer frente à polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas, até o momento, isso não ocorreu. E, embora a expectativa seja de que o número de candidatos de centro seja reduzido com a proximidade das eleições de 2022, líderes partidários veem com ceticismo a possibilidade de uma única candidatura da terceira via.

“Eu não tenho ilusão de que vai haver pulverização [de candidaturas] no campo do centro. A dúvida é saber o tamanho dela. A partir de julho [de 2022]  deve ter um movimento do eleitor de procurar uma alternativa aos extremos. Precisamos ter três candidaturas de centro”, disse Bruno Araújo, presidente do PSDB, durante debate do Grupo de Líderes Empresariais de São Paulo.

A movimentação para uma candidatura de centro começou ainda em janeiro de 2020, quando o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), passou a promover conversas com representantes de partidos como PDT, PSDB, Cidadania, PV e Rede. Àquela altura, Maia afirmava que, caso o centro não conseguisse chegar a um denominador comum, a eleição de 2022 certamente seria decidida por Bolsonaro (sem partido) e o candidato do ex-presidente Lula. Até então, o líder petista ainda não havia recuperado seus direitos políticos.

Com a entrada de Lula na disputa presidencial, após ter suas condenações na Lava Jato extintas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a busca pela terceira via ganhou o endosso de outros partidos como Novo, MDB, Podemos, PSD, Solidariedade e do DEM e PSL. Recentemente, essas duas últimas siglas se fundiram para criação do União Brasil. Paralelamente, nomes como os do ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Sergio Moro e do apresentador de TV José Luiz Datena passaram a ser cotados como possíveis presidenciáveis. Agora, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, migra do DEM para o PSD e também é cotado para se lançar na disputa pelo Palácio do Planalto.

Veja abaixo como estão todas as pré-candidaturas da terceira via a pouco menos de um ano das eleições:

Podemos prepara filiação de Moro como alternativa da terceira via

O partido Podemos anunciou para 10 de novembro a filiação do ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro, com o intuito de lançá-lo na disputa pelo Palácio do Planalto no ano que vem. A interlocução entre integrantes da legenda e Moro se intensificaram nos últimos dias e a filiação já é dada como certa.

Embora tenha seu nome cotado para a corrida presidencial, Moro ainda não definiu se concorrerá ao Planalto ou ao Senado. De acordo com integrantes do Podemos, essa definição ocorrerá em breve. Mas a expectativa de seus futuros correligionários é que, ao fim, ele opte por disputar o Palácio do Planalto.

De acordo com o última pesquisa eleitoral Ipec, divulgado em setembro, Sergio Moro tem 5% das intenções de votos, no cenário em que pelo menos dez pré-candidatos foram testados pelo instituto.

Além do Podemos, Moro pode contar ainda com apoio do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, pré-candidato pelo DEM, mas que já afirmou que pode abrir mão de sua candidatura. A manobra pode levar o União Brasil para a composição com Moro.

PSD pavimenta candidatura de Rodrigo Pacheco na terceira via

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), se filiou na última quarta-feira (27) ao PSD, após deixar o DEM. A legenda presidida pelo ex-ministro Gilberto Kassab já anunciou que vai lançar o senador mineiro à disputa pelo Palácio do Planalto em 2022.

Apesar de contar com nomes dentro do governo Bolsonaro, o PSD se distanciou do Palácio do Planalto. E, em encontros com Lula, em Brasília, Kassab sinalizou que seu partido terá candidatura própria – o PT tenta atrair o PSD. “Ele [Pacheco] só não será nosso candidato à presidência da República se não quiser”, afirmou.

Publicamente Pacheco tem desconversado sobre a possibilidade de entrar na disputa no ano que vem. No cenário que teve seu nome testado pelo Ipec de setembro, o presidente do Senado somou 1% das intenções de voto. O entorno de Pacheco admite que a viabilidade da candidatura vai depender do desempenho dos outros candidatos, principalmente de Bolsonaro. Para esse grupo, a chegada da terceira via no segundo turno vai depender da queda de popularidade do presidente Bolsonaro até o período eleitoral.

Prévias do PSDB irão definir rumo do partido: Doria, Leite ou Virgílio

O PSDB realizará no fim de novembro suas prévias internas para definir quem será o candidato à Presidência da legenda em 2022. Os governadores João Doria (São Paulo) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) são tidos como favoritos na disputa, que conta ainda com o nome do ex-prefeito de Manaus (AM) Arthur Virgílio.

Internamente, tucanos avaliam alguns caminhos para a disputa presidencial, a depender do nome que sair vitorioso das prévias. Por um lado, integrantes do partido avaliam que João Doria não deve abrir mão de sua candidatura, enquanto Eduardo Leite poderia compor com outras legendas e ser o vice de uma chapa mais competitiva.

No último levantamento Ipec, Doria somou 2% das intenções de voto, enquanto o nome de Eduardo Leite não foi testado pelo instituto. O governador paulista conta com a articulação do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia na busca de apoios pelo seu nome. Leite, por sua vez, já disse poderia compor alianças com integrantes do União Brasil e do PSD, por exemplo.

"Temos que ouvir os partidos, entender os projetos que eles têm, o que eles têm para oferecer, e, se for o caso, reconhecer se eles tenham uma liderança com mais capacidade de agregar. Porque é sobre um projeto para o país. Essa capacidade de agregar é fundamental”, disse Leite.

Para Doria, “a terceira via vai se fortalecer no momento certo”. “E o momento certo é no primeiro trimestre do ano que vem. Não é agora”, disse o governador paulista durante o “Encontro de Líderes”, evento da ONG Comunitas.

Com ex-marqueteiro do PT, Ciro Gomes tenta atrair eleitorado de centro

Pré-candidato pelo PDT, o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes chegou a manter conversas com os partidos de centro, mas descartou a possibilidade de abrir mão de sua candidatura para apoiar outro nome do grupo.

O PDT também contratou o ex-marqueteiro do PT João Santana, responsável pela reeleição de Lula e pelas duas eleições da ex-presidente Dilma Rousseff, para organizar a campanha de Ciro Gomes.

Até o momento, Ciro tem apostado nas críticas contra Lula e Bolsonaro no intuito de atrair o eleitor de centro insatisfeitos com essas duas opções.

De acordo com o último levantamento Ipec, Ciro Gomes ocupa a terceira posição com 6% das intenções de voto, atrás de Lula (45%) e de Bolsonaro (22%).

Em relação ao apoio de outros partidos, Ciro Gomes ainda não conta com sinalizações claras de outros grupos políticos. No campo da centro-esquerda, apenas a Rede, da ex-ministra Marina Silva, já demonstrou interesse em apoiar o pedetista em 2022.

Mandetta está cotado pelo União Brasil

Resultado da fusão entre DEM e PSL, o União Brasil nasce com pelo menos uma pré-candidatura, a do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM). A definição da candidatura, no entanto, depende da articulação dos caciques do novo partido: o presidente, Luciano Bivar (oriundo do PSL), e o secretário-geral, ACM Neto (do DEM).

“O União Brasil nasce com força para ter candidatura própria e vamos trabalhar para oferecer uma alternativa aos brasileiros em 2022”, afirma Luciano Bivar. No levantamento do Ipec, Mandetta apareceu com 1%.

Nomes da legenda encampam o movimento de que Mandetta articule seu nome como vice de Moro na chapa do Podemos.

Alessandro Vieira e Simone Tebet são outros nomes da terceira via

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e a senadora Simone Tebet (MDB-MS) são outros dois nomes cotados pela terceira via para a disputa do Planalto em 2022. Ambos ganharam projeção com a CPI da Covid.

Embora seja pré-candidato, Alessandro Vieira já sinalizou que pode abrir mão de sua candidatura para apoiar outro nome mais viável. Em entrevista à Gazeta do Povo, Alessandro Vieira defendeu que o combate à corrupção é “fundamental para terceira via decolar em 2022”.

Já Simone Tebet teve seu nome encampado por integrantes do MDB. A mobilização, liderada pelo ex-presidente Michel Temer, era uma forma de tentar frear as articulações de caciques emedebistas com o ex-presidente Lula. Nomes como dos ex-senadores Romero Jucá e Eunício Oliveira trabalham por uma recomposição do MDB com o PT.

Mas, diante dessa divisão interna no MDB, a candidatura de Simone Tebet é vista com incertezas. Apesar disso, a senadora afirma que “estará com a terceira via” em 2022. No levantamento do Ipec, ela e Alessandro Vieira apareceram com 0% das intenções de voto.

Novo lança Felipe d'Avila

O partido Novo lançou, na quarta-feira (3), a pré-candidatura de Luiz Felipe d'Avila à Presidência da República. O nome do empresário e cientista político entra na disputa do eleitorado que não vota no presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e nem no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O Novo trabalhará na construção de uma terceira via que possa trazer bom senso ao país e dignidade à cadeira de presidente da República, com um nome que tenha convicções fortes quanto às pautas reformistas e a importância da recuperação econômica. Acreditamos que o Felipe é capaz de ser essa pessoa e de unir a centro-direita em torno de um candidato único”, afirmou Eduardo Ribeiro, presidente nacional do Novo.

Em sua apresentação, d'Avila afirmou que sua candidatura vem para “romper com o populismo de direita e de esquerda. De acordo com ele, a polarização só será esvaziada com a retomada do diálogo entre os políticos.

“A candidatura do Novo vem para acabar com o populismo de esquerda e de direita. Vem para acabar com essa festa e fortalecer a democracia. Vem para privatizar empresas e mostrar que o mercado é parte sim da solução de muitos problemas públicos. É com a parceria público-privada que vamos ajudar o Brasil a encontrar soluções inovadoras para os seus reais problemas”, defendeu d'Avila.

Metodologia da pesquisa citada na reportagem

O Ipec realizou sua pesquisa para presidente entre os dias 16 e 20 de setembro. O instituto ouviu 2.002 pessoas em 141 municípios. A margem de erro é de 2 pontos para mais e para menos. O nível de confiança é de 95%.

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