Vacina de Oxford
Frascos e seringas da vacina de Oxford.| Foto: Justin Tallis/AFP

Principal aposta do governo federal para imunizar os brasileiros contra a Covid-19, a vacina de Oxford/AstraZeneca só vai ser amplamente usada na campanha de vacinação a partir de março. Isso porque grandes quantidades do imunizante, com entrega frequente, só estarão disponíveis daqui a dois meses.

Até lá, além da coronavac, o país só deverá ter os 2 milhões de doses da vacina de Oxford que finalmente devem chegar ao Brasil, importados da Índia, nos próximos dias. Essas doses são suficientes para imunizar 1 milhão de brasileiros. O país tem 210 milhões de habitantes.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que vai produzir no Brasil a vacina de Oxford, enviou na terça-feira (19) um ofício ao Ministério Público Federal (MPF) informando que, mesmo com a chegada em janeiro dos insumos para fabricar a vacina no país, a entrega das doses para o Ministério da Saúde só vai ocorrer em março. O documento foi obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Se não houver atrasos, o chamado Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), necessário para produzir a vacina, chegará ao Brasil em 23 de janeiro.

A farmacêutica AstraZeneca é a responsável por enviar os insumos para a Fiocruz. Mas o Brasil depende da China porque a fábrica da AstraZeneca fica em território chinês. Por contrato, a entrega do IFA à Fiocruz não está atrasada, pois o cronograma prevê que ocorra em janeiro.

Mas a data estimada para a entrega das doses ao Ministério da Saúde é março porque, após a fabricação em si da vacina, a Fiocruz precisará de ao menos mais 20 dias para realizar testes que qualidade.

Por enquanto, não há nenhuma previsão de ampliar a importação de doses da vacina de Oxford, para além dos 2 milhões de doses da Índia.

Autonomia de produção da vacina de Oxford só numa 2.ª etapa

A Fiocruz pretende fabricar 100 milhões de doses da vacina de Oxford no Brasil até julho; e mais 100,4 milhões até o fim do ano. O Brasil fechou um acordo de transferência tecnológica para que o imunizante possa ser feito no país. Na primeira fase da produção, a Fiocruz irá depender do IFA importado da China. Na segunda etapa, a produção da vacina será integralmente nacional.

No cronograma inicialmente divulgado, a Fiocruz esperava entregar 1 milhão de doses entre 8 e 12 de fevereiro. E, a partir de 22 de fevereiro, 700 mil doses por dia. No auge da produção, o país poderá ter até 1 milhão de novas doses diárias da vacina de Oxford.

Coronavac é única vacina disponível até agora

O Brasil, por enquanto, só tem a coronavac para imunizar a população contra a Covid-19. A primeira etapa da vacinação, iniciada no domingo (17), tem quase 6 milhões de doses da coronavac importadas da China.

O Instituto Butantan, que produz no Brasil a coronavac, apresentou um novo pedido de uso emergencial à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para poder distribuir de 4 milhões de doses do imunizante que já fabricou no país.

Mas o Butantan também enfrenta dificuldades em importar da China os insumos para produzir outros lotes da coronavac. A expectativa é de que uma nova remessa do IFA chegue ao Brasil na semana que vem.

A coronavac foi desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, vinculado ao governo de São Paulo. O Butantan tem capacidade para produzir até 1 milhão de doses por dia.

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