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Uma semana depois de ter sido sorteado o novo relator das investigações sobre as fraudes do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça manteve o caso em sigilo, mas aumentou a quantidade de pessoas com acesso às investigações dentro da Polícia Federal. Além disso, deu mais autonomia para a corporação conduzir o caso.
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Até agora, apenas quatro peritos autorizados por Toffoli poderiam analisar o conteúdo de celulares apreendidos. Com a nova decisão de Mendonça, a PF fica autorizada a ampliar o número de policiais com acesso aos dados e capacidade de elaborar relatórios sobre os conteúdos do que for encontrado.
Ainda estamos longe do ideal, mas é um bom começo. Mendonça se preocupa com o eventual uso político das investigações, e por isso mantém o sigilo do caso. “Apenas e tão somente as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos reciprocamente compartilhados é que devem ter conhecimento das informações acessadas, o que lhes impõe o dever de sigilo profissional, inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas”, escreveu o ministro.
O país precisa passar a limpo o caso do Banco Master, indo até as últimas consequências, investigando inclusive e principalmente os poderosos ministros supremos
Não obstante, Mendonça autorizou o compartilhamento dos dados das investigações com policiais da Diretoria de Inteligência que “tenham necessidade de conhecer os dados e informações para o adequado exercício de suas funções”. É um progresso em relação à caixa-preta criada por Dias Toffoli. Mas o Brasil ainda demanda maior transparência neste caso, uma vez que o envolvimento de ministros do próprio STF está evidente.
Naquela reunião sigilosa dos ministros que culminou numa nota unânime de apoio a Toffoli e seu afastamento “voluntário” da relatoria do caso, Mendonça teria dito que seis anos de relacionamento não podem ser avaliados em seis minutos de mensagens, e ainda acrescentou que Toffoli tem “fé pública”. Mas nem é preciso seis minutos: bastava uma mensagem combinando pagamento para escancarar o elo comprometedor entre o ministro petista e o banqueiro fraudulento.
Toffoli tem mentido desde o começo nesse caso. Disse que não era sócio do resort, depois disse que não recebeu dinheiro, e por fim disse que não tinha um relacionamento com Vorcaro. Mas ele esteve presencialmente com o banqueiro ao menos dez vezes! Precisou admitir que é sócio do empreendimento. E sabemos, pelas mensagens de Daniel Vorcaro, que no mínimo foram repassados R$ 35 milhões ao ministro.
Em qualquer país sério, Toffoli já estaria no bando dos réus, sendo investigado. Afastar-se da relatoria não basta, até porque ele segue na turma que vai julgar o caso. Ao que tudo indica, Toffoli se lambuzou em esquemas de corrupção com Vorcaro, assim como seu colega Alexandre de Moraes, cujo escritório da família assinou contrato de R$ 129 milhões com o banco, sem qualquer contrapartida legal aparente.
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O país precisa passar a limpo o caso do Banco Master, indo até as últimas consequências, investigando inclusive e principalmente os poderosos ministros supremos. No Reino Unido, o ex-príncipe Andrew foi preso e, após a soltura, segue sob investigação pelo caso Jeffrey Epstein. O nosso Epstein tupiniquim, pelo visto, era Vorcaro, com suas festinhas regadas de vinhos caros e garotas de programa estrangeiras. Quais autoridades participaram, e o que foi negociado nesses eventos? O Brasil quer saber.
A situação de Toffoli e de Moraes se tornou insustentável. Ambos precisam sair do STF o quanto antes. A manifestação convocada pelo deputado Nikolas Ferreira para o dia primeiro de março vai direto ao ponto: fora Toffoli! Fora Moraes! O Brasil não aguenta mais tanto descalabro, abuso de poder e corrupção.





