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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Acorda, Projaquistão!

Vi as cenas de violência espalhadas pelo Rio durante o carnaval com um misto de alívio, tristeza e revolta. O alívio vem, claro, do fato de eu estar longe disso tudo. A tristeza é porque se trata da minha cidade, e por eu pensar no que ela poderia ser, mas não é, apesar de tanta beleza natural. A revolta é por saber que tanta desgraça não caiu do céu, não veio do além, mas foi autoinfligida, produzida ao longo de décadas pelos próprios cariocas.

Um supermercado foi invadido por uma horda de marginais, cuja ousadia demonstra o total desprezo pelas autoridades. Vendo aquelas imagens, desabafei: O Lauro Jardim, ao que tudo indica, fez Fake News. Mas pergunto: um candidato que propuser metralhar bandidos vai ganhar ou perder votos atualmente? O povo simplesmente não aguenta mais a ousadia dos bandidos, o descaso das autoridades, o caos…

Soubemos que a atriz Juliana Paes foi assaltada em meio a (mais) um arrastão, que foi reconhecida pelos bandidos, e que por isso eles “só” levaram os celulares. Juliana acabou de fazer a personagem de uma traficante, com um tom de glamourização presente. Será que a atriz achou divertido estar sob a mira de uma arma, com sua vida ameaçada?

Um dos meus textos mais lidos da época da VEJA foi uma carta aberta a Letícia Spiller, atriz politicamente engajada e defensora do socialismo. Ela tivera sua casa invadida e ficara, com seu filho, como refém dos marginais. Eu escrevi um apelo sincero a ela, pedindo para que aproveitasse aquele trágico momento para refletir sobre suas ideias. Bandido é vítima da sociedade mesmo, como tantos “progressistas” alegam?

Um dos meus vídeos mais vistos aqui na Gazeta foi o que tentei explicar como a esquerda caviar pariu Bolsonaro como um candidato viável e até favorito. O caos produzido pelas ideias esquerdistas tem levado cada vez mais gente a buscar uma reação desesperada, a defender alguém que, ao menos, tenha um discurso diferente, mais duro com a bandidagem.

O Projaquistão precisa entender que NINGUÉM está protegido do caos, que a bolha também explode. A situação está fora de controle e é preciso restabelecer a ORDEM! Thomas Sowell diz que é fácil insistir no erro quando os outros pagam o custo de nossas ideias, mas eis o ponto: o caos tomou conta de tudo e nem os artistas ricos estão protegidos. A barbárie conquista mais e mais territórios, reduzindo o espaço da bolha ao nada.

Gregorio Duvivier, que poderia ter amadurecido um pouco com a paternidade, escreveu em sua coluna desta semana:

Até que, no sábado de manhã, tava um céu azul, e os amigos fizeram um bloco saindo do Outeiro da Glória, e minha filha tava dormindo profundamente, e minha mulher me diz “Vamo?” e a gente sondou com os avós e eles toparam ficar com a neta (vida longa aos avós) e quando a gente viu, a gente tava descendo a Ladeira da Glória, nem aí pros corpos suados, “meu coração, não sei por que, bate feliz quando te vê” e daí a gente lembrou por que a gente ama essa cidade, e esse país, porque a gente tem a melhor música do planeta, e a gente faz a maior festa popular do planeta, e a gente tem a gente mais legal do planeta, o que a gente precisa é construir um país que esteja à altura dessa festa e dessa gente, Caetano diria: o Brasil precisa merecer o Carnaval, e mais ainda: o Brasil precisa merecer o Caetano, e a gente saiu correndo pra casa pra tomar um banho de álcool gel e abraçar a nossa filha, elucubrando fantasias possíveis pro Carnaval do ano que vem.

Até quando será possível curtir dessa forma descolada a “cidade maravilhosa”? O Brasil precisa merecer Caetano, aquele que defende o MST, o invasor Boulos e os criminosos dos black blocs? Sei que o Greg é café com leite, é o ícone da estupidez política, mas ele naturalmente não está sozinho nesse meio “artístico”. Ao contrário: ele fala em nome de muitos. O Projaquistão ama o PSOL!

E aí a cidade é tomada pelos bandidos, com a polícia sendo chamada de fascista, com os cidadãos de bem desarmados pelas autoridades, com o estado falido pela falta de austeridade fiscal, considerada pecado pela turma esquerdista. Vocês criaram esse inferno! Chico pode ir para Paris, mas e os demais? E aqueles que continuam presos ao Rio, trabalhando em Curicica bem perto das favelas? Quantos carros blindados ou seguranças armados serão necessários para dar conta do recado? Isso é vida?

Notem bem: eu estou longe desse caos que vocês criaram, vivo numa cidadezinha pacata, na “roça”, considerada uma das mais seguras da América, uma nação bem mais segura do que o Brasil. Weston é mais segura do que 87% das cidades americanas, e uma das mais seguras da Flórida. O estado mais latino do país, por sua vez, tem índice de violência ínfimo perto do Rio. Mas eu me importo com minha “cidade maravilhosa”! Vocês não?

Já virou clichê desde que o deputado Marcel van Hattem disse, mas vale repetir: eu não queria me mudar do Brasil; eu queria – e quero – mudar o Brasil! Se o Rio fosse um pouco mais parecido com Miami, que vocês adoram “odiar” da boca para fora, milhares de cariocas não teriam que fugir para cá, abandonando empregos bons, família, amigos. Miami tem capitalismo, império das leis, tudo aquilo que vocês “detestam”.

Até quando vão insistir nessas bizarrices “progressistas”? Até Bolsonaro ser eleito no primeiro turno, para poderem bancar as vítimas? Até a imensa maioria da população defender uma intervenção militar para impor alguma ordem no caos? Até ninguém mais ter coragem de sair de casa, ficando aprisionado no próprio condomínio fechado, que aquele psicanalista lacaniano “bêbado” acusa de ser um ato elitista preconceituoso contra o “outro”? É isso que querem?

Vocês estão destruindo o Rio, o Brasil, e não vão parar? Não vão sequer refletir sobre suas premissas? Um amigo jornalista, numa rede fechada de debates, desabafou em resposta a outro participante mais iludido e “otimista”:

O brasileiro típico é ufanista, age como criança o tempo todo, como se não houvesse amanhã. Veja o Rio: virou uma selva, bandidos caçando suas vítimas em plena luz do dia nas principais avenidas da cidade, diante das câmaras, mesmo assim, os cariocas não abrem mão do carnaval — no que são imitados pelos demais brasileiros, que, aliás, continuam fazendo turismo naquela selva.

Num país que amarga mais de 60 mil homicídios anuais, e ninguém parece estar nem aí para isso, pulando carnaval sobre os cadáveres, falar de [Steven] Pinker [e seu otimismo] é utopia — precisamos falar de Hobbes, de barbárie, de bonobos matando bonobos. 

Não me esqueço da Copa do Mundo, quando uma quadrilha (Lula, Globo e FGV à frente) inventou que o país seria outro depois da Copa e induziu os jovens a trabalharem como voluntários nos jogos. Esses pobres jovens, ufanistas e ludibriáveis, acreditaram piamente na mentira e trabalharam de graça nos jogos, como voluntários, enquanto a Globo, Lula e as empreiteiras ganharam fábulas de dinheiro com a Copa, desgraçando o país. 

Qualquer pessoa não ufanista, com um mínimo de prudência (que você chama de pessimismo) sabia que a Copa era uma tragédia anunciada, assim como as Olimpíadas, e que nenhuma obra séria iria sair do papel, enquanto os elefantes brancos ficariam pendurados nas costas do Estado pelos séculos afora, mas o brasileiro típico, que vive somente o aqui e agora, como um bicho, caiu direitinho no engodo urdido pelas elites nefastas. E vai cair de novo, sempre, sempre. Brasileiro nunca aprende.

A culpa disso é o otimismo panglosiano do brasileiro — que, ao contrário do que você pensa, não é incompatível com a baixa autoestima e o derrotismo, pelo contrário, são primo-irmãos, assim como a mais épica euforia é prima-irmã da mais profunda depressão entre os bipolares. O Brasil precisa de um pouco de pessimismo, de estoicismo, de seriedade — coisa de gente grande, que essa nação infantil está longe, muito longe, de aprender.

São palavras duras, mas verdadeiras. Falta conversa de adulto em nosso país, em minha cidade natal, tão encantada com sua beleza natural, com seu jeito descolado de ser, com a “malandragem”. O Rio é a vila de Potemkin, como aquela que o russo “construiu” para impressionar a imperatriz Catarina II em sua viagem a Crimeia em 1787. Era tudo aparência, um cenário do Projac, uma farsa, um engodo, uma arquitetura oca que escondia a podridão por trás.

O caos começou mesmo com Brizola, quando resolveu de forma populista e criminosa blindar as favelas, protege-la da polícia, transformando-as em fortalezas do crime. Desde então foram várias medidas nessa direção, sem falar de uma cultura putrefata, da decadência dos valores morais, da doutrinação ideológica nas escolas e universidades, do vale-tudo relativista. O Rio é um experimento social fracassado. E o Rio é apenas um Brasil alavancado, vitaminado. Se a tendência não for revertida, o Rio poderá dizer ao Brasil: “Eu sou você amanhã”.

Até quando?, repito. Vocês querem mesmo isso para o local onde vivem? Acham que liberdade é fumar maconha, praticar orgias, matar fetos humanos ou mudar o sexo de uma criança? Essa pauta toda num lugar em que o direito básico de ir e vir desapareceu? Essa agenda numa cidade dominada por traficantes, sem saneamento básico para milhões, com transporte caótico, com hospitais caquéticos e sem empregos? Esse discurso onde centenas de policiais morrem todo ano? Sério? Vocês vivem na Síria e pensam estar em Amsterdã?

Acorda, Projaquistão!!! Antes que seja tarde demais…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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