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Rodrigo Constantino

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Dívida pública real chega a R$ 4,4 trilhões, mas há quem seja contra teto dos gastos

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Pela primeira vez na História, a dívida pública federal superou o patamar de R$ 3 trilhões. Relatório divulgado pelo Tesouro Nacional nesta terça-feira informa que o estoque cresceu R$ 91,72 bilhões (3,10%) entre agosto e setembro, passando de R$ 2,955 trilhões para R$ 3,046 trilhões no período. O aumento ocorreu devido a uma emissão líquida de títulos de R$ 61,99 bilhões e também a uma incorporação de juros no valor de R$ 29,74 bilhões.

Mas se a cifra astronômica de R$ 3 trilhões já assusta bastante, vale notar que ela subestima o montante real. É o que explica o economista Ricardo Bergamini:

Hoje é dia da divulgação da dívida da União de setembro de 2016 e, como sempre, a imprensa omite o estoque da dívida em poder do Banco Central no montante de R$ 1.338,0 bilhões, sendo essa a parte mais importante da dívida, visto que nada mais é do que uma “pedalada oficial” (aumento disfarçado de base monetária) que não existiria se o Banco Central fosse independente. Vejam que essa orgia saiu de 17,86% do PIB em 2010 para 21,97% do PIB em setembro de 2016. Crescimento real em relação ao PIB de 23,01%. Uma imoralidade sem precedentes. 

O Brasil é fantástico: o governo se for financiado por bancos do qual seja o controlador: é crime, mas se for financiado pelo Banco Central é mecanismo de controle de política monetária.

Somente um Banco Central independente acabaria com a orgia de carregar a divida do governo. É um ralo incontrolável. Não há como fazer política monetária com esse ralo aberto. Em sentido figurado o governo seria um filho irresponsável que gasta a vontade sabendo que no final o pai (Banco Central) vai bancar a orgia. Assim é muito fácil governar. 

O estoque correto da dívida líquida da União (interna mais líquida externa) em setembro de 2016 era de R$ 4.384,9 bilhões (72,01% do PIB).

Ou seja, estamos falando de uma dívida pública de R$ 4,4 trilhões! Trata-se de um Leviatã descontrolado, de um monstro faminto, cuja fome é insaciável. E nesse contexto, ainda tem quem seja contra um teto nos gastos públicos. É caso de hospício mesmo. Ou de cúmplice do monstro na divisão do butim, claro…

PS: A todos que tiverem interesse em entender melhor os riscos desse tipo de coisa para suas finanças e negócios, recomendo meu curso “Bases da Economia”, no Kátedra, em que explico de forma bem acessível o funcionamento do mercado.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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