Então é isso que a presidente Dilma defende na prática enquanto discursa a favor da liberdade?
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A Venezuela aperta o cerco contra o que restou da imprensa no país. O ditador, digo, o “presidente” Maduro proibiu jornalistas de deixarem o país após repercutirem a denúncia de que o governo tem ligações com o tráfico de drogas:

O governo de Nicolás Maduro proibiu nesta terça-feira 22 diretores de jornais e sites noticiosos de deixar a Venezuela por terem noticiado a suspeita de envolvimento do presidente da Assembleia Nacional com o tráfico de drogas. A proibição e o mais novo ataque à imprensa livre venezuelana foram noticiados pelos jornais El Nacional e Tal Cual que tiveram seus executivos proibidos de deixar o país. Segundo a Folha de S. Paulo, um dos diretores do Tal Cual, Manuel Puyana, já foi notificado da proibição de deixar a Venezuela e da obrigação de se apresentar toda semana ao tribunal. Outro diretor do jornal está nos Estados Unidos; diante da decisão, não retornará.

A denúncia contra Disdado Cabello partiu do jornal espanhol ABC, que reportou as ligações do presidente chavista da Assembleia Nacional com o tráfico internacional de cocaína. A notícia teve grande repercussão na imprensa venezuelana e em veículos de outros países.

A fonte da reportagem era o militar desertor Leamsy Salazar, ex-chefe de segurança de Cabello. Segundo Salazar, que hoje está exilado nos Estados Unidos, o chavista é o chefe de uma organização criminal que opera dentro das Forças Armadas da Venezuela.

Na semana passada, reportagem de VEJA revelou que o partido espanhol de esquerda Podemos foi financiado pela Venezuela e pela Bolívia para facilitar a entrada de cocaína na Europa através da Espanha. De acordo com um relatório secreto de 34 páginas assinado pelo coronel boliviano Germán Cardona Álvarez, cocaína peruana e boliviana partem da Bolívia para a Venezuela em aviões militares, “os quais, por serem oficiais de um Estado, não podem ser interceptados no espaço aéreo internacional”.

As aeronaves Hércules C-130 deixam a Venezuela com armamento militar e retornam carregadas de cocaína e veículos que chegam à Bolívia depois de ser roubados no Brasil. Em Caracas, a droga é lá levada a outros destinos. Dentro desse esquema, diz o relatório, há seis anos, Hugo Chávez, o atual presidente Maduro e o boliviano Evo Morales usaram uma organização chamada Centro de Estudos Políticos e Sociais (Ceps) para financiar o Podemos, da Espanha.

Meus pais sempre me ensinaram a confiar mais nos atos do que nas palavras. Afinal, palavras custam pouco, são baratinhas. Qualquer um pode dizer o que quiser, sem compromisso algum com a verdade. Quando Dilma diz defender a liberdade de protesto, portanto, e não recebe as esposas dos opositores de Maduro, presos apenas por protestarem contra o governo do camarada, confio mais em suas ações do que suas palavras. O mesmo quando ela se diz comprometida com a liberdade de imprensa.

A conivência do governo brasileiro com esse regime opressor venezuelano é indecente e ultrajante, e mostra bem a verdadeira face do PT: uma face vermelha, bolivariana. Lamento pelos venezuelanos desamparados, vítimas dessa tirania que avança a cada dia para se tornar uma total ditadura, como Cuba. Nem mesmo com o apoio do Brasil eles podem contar, uma vez que temos um governo cúmplice do chavismo.

Aqui em Weston há muitos venezuelanos, a ponto de o local ser conhecido como Westonzuela. Se algum deles for meu leitor, manifeste-se, conte sua história, divulgue a real situação em seu país. O governo brasileiro pode ser cúmplice do regime opressor de Maduro, mas a VEJA é fiel aos fatos, e tem independência para ir contra governos (especialmente os que abusam do poder), premissa fundamental de qualquer veículo de jornalismo.

Os dissidentes venezuelanos têm aqui no blog uma voz de apoio, uma pequena arma contra o autoritarismo de Maduro. Podem contar com minha singela colaboração na luta pela democracia e liberdade em seu país. Afinal, nossa luta é a mesma!

Rodrigo Constantino

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