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Rodrigo Constantino

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Faca na caveira: Bolsonaro visita o Bope e simbolismo é fundamental

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro ( PSL ) saiu de casa na manhã desta segunda-feira para visitar a sede do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, na Zona Sul do Rio. Em discurso para integrantes do batalhão, Bolsonaro agradeceu o apoio, elencou o feito do PSL na eleição legislativa e ressaltou que a classe militar “terá um dos nossos” em Brasília, caso seja eleito.

– Temos a segunda bancada em Brasília, sem televisão, sem fundo partidário, sem nada. Então nós temos que tentar mudar, fazer a coisa certa. Eu acho que isso é possível, afinal de contas não temos outro caminho. Meu muito obrigado a todos vocês, pela confiança por parte de muitos. Podem ter certeza, chegando (à Presidência), teremos um dos nossos lá em Brasília. Caveira! – afirmou o presidenciável, que fechou a fala com o tradicional grito do batalhão.

Em seguida, o militar brincou que, embora batesse continência para o coronel na sede do Bope, “quem vai mandar no Brasil serão os capitães”. O candidato ainda posou para fotos ao lado de militares.

O candidato também falou da violência no Rio e comparou com a da Venezuela:

– O que acontece no tocante à criminalidade no Rio não acontece em lugar nenhum do mundo, a não ser em países que estão em processo de decadência total, como a Venezuela – disse Bolsonaro aos policiais.

E voltou a defender o projeto de “excludente de ilicitude”, para que militares não sejam julgados, nem mesmo por varas militares, caso provoquem mortes de criminosos e de inocentes.

– Então nós temos que mudar isso aí, e mudar como? Por exemplo, tendo gente ao nosso lado que trabalhe para a segurança visando preservar a vida de vocês. A gente sonha, comandante, com o excludente de ilicitude não apenas pra vocês mas para todo e qualquer cidadão de bem. Isso existe na legislação americana. A gente tá costurando em Brasília, partindo do princípio que a gente vai se eleger, obviamente. Para isso sair e para que vocês tenham paz. Após o cumprimento da missão, vocês têm que ser condecorados e não processados.

A tensão entre exercer com excelência a função precípua de segurança do estado e garantir os direitos básicos do cidadão é constante, e não tem solução. Os com inclinação mais libertária vão sempre condenar excessos estatais, enquanto os mais conservadores vão fazer vista grossa para alguns “abusos” em nome da ordem e da paz. Não há uma resposta única aqui, nem mesmo do ponto de vista liberal.

Quando a América se viu sob ataque terrorista, por exemplo, o Patriot Act foi aprovado, sob críticas dos mais libertários. O debate é legítimo: até onde pode ir o estado em sua missão de proteger os cidadãos, se ele avançar algumas barreiras que ameaçam as próprias liberdades dos cidadãos? Só bobinhos e fanáticos acham que sequer há dilemas em jogo, que a solução é óbvia. Nunca é.

Dito isso, é fato que quanto maior for o grau de ameaça e violência, maior tenderá a ser a demanda por ação enérgica do estado, já que preservar a propriedade, a vida e a ordem é a própria razão de existir do estado. Ou seja, numa guerra, aceita-se mais abusos ou excessos em nome da sobrevivência. Não é por acaso que todo estatista gosta de clima de guerra o tempo todo: ele justifica o crescimento do estado arbitrário, sem pesos e contrapesos, sem freios ou limites.

O que não quer dizer, naturalmente, que de tempos em tempos esse clima de guerra não seja real. Com mais de 60 mil assassinatos no Brasil por ano, marginais cada vez mais ousados e milhões de roubos violentos, fica claro que qualquer limite razoável já foi ultrapassado faz tempo. No Brasil, a demanda popular é por ordem, não por direitos civis lindos no papel enquanto o cidadão morre na rua.

Como a campanha difamatória contra a polícia, promovida pela esquerda, está em curso há décadas, causando enorme estrago no espírito de corpo daqueles que arriscam suas vidas para defender as nossas, faz-se mais do que urgente uma mudança de postura aqui. Isto quer dizer promover o respeito ao trabalho policial, e parar de tratar bandido como vítima da sociedade. É justamente o simbolismo da campanha de Bolsonaro.

Sua ida ao Bope, portanto, é estratégica e marcante: deixa mais claro ainda sua pegada num eventual governo. Os “excessos” policiais serão mais tolerados pois a prioridade será garantir a ordem e a segurança. Isso desespera a turma dos “direitos civis” e também os românticos de esquerda, que acham que o policial deveria subir favela cantando “Imagine” e soltando bolas de sabão para sensibilizar traficantes com fuzis.

Vão ter mais baixas civis nos confrontos? Talvez. Mas talvez seja o preço a ser pago pela ordem posterior, impossível sem endurecer com os marginais. Em Nova York, o prefeito Giulliani adotou o mantra da tolerância zero, com base na tese da janela quebrada, e colheu ótimos resultados. Se Bolsonaro seguir por essa linha, poderemos ter um Brasil bem diferente em alguns anos.

Não será fácil, claro, e o pessoal dos “direitos humanos” vai chiar um bocado no processo. Mas é hora de escolher: ou proteger demais os bandidos em nome das liberdades civis, ou proteger o cidadão de bem valorizando a polícia e deixando um pouco de lado a pureza das ideias libertárias. Em toda guerra excessos são cometidos, o que não quer dizer que devem ficar impunes. Mas só alguém do conforto e segurança de longe dessa guerra poderia pregar métodos idealistas enquanto os soldados morrem feito moscas em combate.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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