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Rodrigo Constantino

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Fritura no BNDES: estaria o capitalismo de compadres reagindo ao crédito mais enxuto?

Maria Silva Bastos. Fonte: Época

Deu na coluna Expresso, da revista Época:

O presidente Michel Temer deu três meses para o ministro da Secretaria-Geral, Moreira Franco, encontrar substituto para a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques. Há meses empresários reclamam ostensivamente com o Planalto que Maria Silvia fechou o caixa do banco.

Atualização: após a publicação da notícia, o ministro, por meio de sua assessoria, entrou em contato para afirmar que a informação está errada e que o “governo tem profunda confiança no trabalho de Maria Síliva à frente do BNDES”. 

Nota da redação: EXPRESSO mantém o que publicou. 

Em sendo verdade que a atual presidente do BNDES está sendo “fritada”, não haveria surpresa alguma, ao menos não para liberais. Sabemos que simples existência de um banco como o BNDES representa uma tentação irresistível aos grandes empresários. Ou seja, o capitalismo de compadres funciona exatamente assim, nessa simbiose entre governo e grandes grupos.

Trocar o comando apenas não basta. A pressão é muito forte. Maria Silva Bastos tem boa reputação, é tida como séria, e tenta transformar o BNDES, que foi provavelmente o maior foco de roubalheira e que sustentou o nacional-desenvolvimentismo petista com sua “seleção dos campões nacionais”. Essa imagem que circula nas redes sociais captura bem a ideia:

Aliás, um parêntese: já comentei aqui que Maria Silva Bastos deve maior transparência quanto aos atos passados do banco estatal que hoje preside. Sim, ela tem feito uma gestão mais responsável, motivo da grita dos empresários acostumados a mamar no estado. Mas e a gestão de Luciano Coutinho? Não será colocada sob a luz para que a sociedade possa enxergar melhor o que se passou na instituição nesses anos de PT? Até o maluco atômico da Coreia do Norte ajudamos a financiar com o BNDES! E vai ficar por isso mesmo? Fecho o parêntese.

Voltando ao capitalismo de compadres, Sergio Lazzarini já mostrou como o poder dos grandes grupos continuou mesmo após privatizações importantes. O BNDES é o grande elo que une governo a esses grupos. Quem não quer um empréstimo subsidiado com taxa abaixo até da inflação? Ora, todos querem essa molezinha! E quem consegue?

Não é difícil entender que tal instrumento disponível será um mecanismo de incentivos perverso, que irá desviar o foco das empresas: em vez de investir em produtividade para competir no livre mercado, elas vão “investir” em lobby para conquistar benesses estatais, e com isso prosperar – ao menos por um tempo. A JBS que o diga. A EBX de Eike Batista que o diga.

Só há uma coisa a ser feita aqui: acabar com o BNDES e deixar o mercado de crédito realmente livre. Sem o efeito que economistas chamamos de “crowding out”, a tendência é a taxa de juros cair para todo o mercado, em vez de acontecer como hoje, quando apenas os “amigos do rei” conseguem as taxas camaradas, e o restante paga mais por isso.

Roberto Campos, grande liberal, ajudou a criar o BNDE, na época sem o S de “social”. Deu tempo de se arrepender, de perceber o erro que cometera. Acabem logo com o BNDES, pois com ele será praticamente impossível evitar a pressão pelo “capitalismo de compadres”.

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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