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Rodrigo Constantino

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O mecanismo empobrecedor

Por Roberto Rachewsky, publicado pelo Instituto Liberal

Assim como os seres humanos são compostos por corpo e mente, algo concreto e algo abstrato, os governos também são. O corpo de um governo são os indivíduos e os bens materiais que o compõem.

Sob a ótica da economia, em se tratando de governo, as pessoas e os bens materiais são considerados gastos. Para cobrir esses gastos, os governos se valem de taxas e impostos. A única maneira de diminuir os gastos do governo é reduzindo o pessoal e o ativo imobilizado. Nesse caso, a redução que poderia ser obtida diz respeito aos valores absolutos despendidos.

Quando pensamos na redução dos valores gastos pelo governo em termos relativos, devemos pensar: relativos a quê? Obviamente, relativos ao que a sociedade produz. Afinal, é dessa produção que os recursos para cobrir os gastos do governo se originam. É nesse ponto que se torna importante o componente abstrato do governo. Qual seria esse componente abstrato? Nada mais do que o uso da coerção que impede que os indivíduos, isolados ou de forma associada, empreendam, exercitando a livre iniciativa para criar, produzir e comerciar os valores que gerarão riqueza.

O efeito que o uso potencial da coerção contra os indivíduos em uma sociedade, quando esses querem apenas criar e produzir valor, tem um poder deletério cujo resultado é exatamente o da não materialização daquilo que esses indivíduos gostariam de criar e produzir para si e para os demais com o propósito de lucrar. O poder coercitivo usado como uma força anticapitalista é um fantasma que assombra as sociedades submetidas a uma mentalidade coletivista estatista que encarna governos hipertrofiados que se tornam um peso para aqueles que são obrigados a carregá-los nas costas.

Infelizmente, há uma enorme miopia na compreensão do poder multiplicador de riqueza que a liberdade econômica pode proporcionar para uma sociedade, inclusive para o próprio governo. Se o governo, em vez de inibir o crescimento do setor produtivo com regulações e taxações que ele institui para controlar e parasitar quem produz, liberasse a força da livre iniciativa e protegesse a propriedade privada, receberia muito mais recursos em termos absolutos e tomaria muito menos em termos relativos do setor produtivo da sociedade.

A criação de riqueza se dá, de forma constante e crescente, nos ambientes onde é ampla a liberdade para inovar, investir, empreender, contratar, produzir, comerciar e consumir. A sociedade prospera onde o uso da coerção por parte do governo se destina exclusivamente a combater a violência, tendo o exato propósito de permitir que os indivíduos criativos, inovadores e produtivos sejam capazes de agir de acordo com seus próprios julgamentos, para realizar seus próprios propósitos, através do seu próprio esforço, oferecendo oportunidades e valor para os outros.

Um governo que usa a coerção para regular e taxar a livre iniciativa e a propriedade privada, penalizando a criação de riqueza e dificultado a geração de valor, se torna um fardo que sociedade alguma é capaz de suportar por muito tempo sem perder a dignidade.

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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