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Resultado de eleição alemã mostra povo mais cansado com globalismo
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Angela Merkel é, para a grande imprensa, uma das últimas vozes de bom senso na política mundial. Moderada: eis a palavra-chave aqui. Mas Merkel, apesar de sair reeleita para comandar a nação pela quarta vez, viu sua base erodir bastante neste domingo. E a principal ameaça chama-se Alternativa, que vem sendo tratada pela mídia como “direita populista” na verão mais suave, ou “extrema-direita nazista” na mais comum.

A cobertura tem sido espantosa, até porque o nacional-socialismo, como sabemos, era na verdade de esquerda, com suas bandeiras antiliberais, contra o indivíduo, o lucro, o mercado, tudo aquilo que o PSOL também condena. Cheguei a escrever antes do resultado em meu Facebook:

Confesso que não estou acompanhando em detalhes a política alemã, então realmente não sei bem das inclinações “extremistas” do Alternativa. Mas vejo no JN que o partido de “extrema-direita” (tudo que não é socialista é definido assim hoje pela imprensa) deve mesmo ser terrível. Vejam só que coisa: a Globo, achando que está mostrando algo assustador para o telespectador médio, fechou a reportagem com um cartaz que o partido espalhou pela Alemanha: “Burcas? Preferimos biquínis”. Nossa! Que coisa mais xenófoba, islamofóbica, preconceituosa. Só tem um pequeno detalhe: a maioria também prefere biquínis! E só tenho uma coisa a dizer: ainda bem!!!

E é justamente esta perda de identidade e soberania nacional que vem incomodando tantos alemães, assim como a covardia da imprensa em falar abertamente dos problemas. Em vez disso, ela trata todos que não defendem a abertura escancarada das fronteiras como “xenófobos”.

Outro cartaz do AfD dizia simplesmente que queriam fazer “filhos alemães”, estampando a foto de uma mulher loira. Pelo visto, todos devem celebrar a burca para não serem acusados de “islamofobia”, mesmo que estupros coletivos tenham ocorrido no país com mais frequência.

É essa postura politicamente correta do multiculturalismo que vem cansando. Por isso o crescimento da “direita populista”, a vitória do Brexit no Reino Unido, de Trump nos Estados Unidos. Mas a imprensa e os “intelectuais” se recusam a enxergar as coisas por lentes realistas, preferindo rotular quem pensa diferente de “preconceituoso” ou coisa pior. Leandro Ruschel fez uma análise do resultado na mesma linha:

Apesar de Angel Merkel ter em tese garantido mais um turno como chefe de governo, a eleição trouxe uma grande erosão da sua base, com o pior resultado em décadas do seu partido (Cristãos Democratas) e do principal aliado (Sociais Democratas). Ao mesmo tempo, é a primeira vez que a direita anti-imigração vira a principal força de oposição no país (Alternativa para a Alemanha).

Tudo isso é fruto da destruição ao país causada pela decisão de Merkel de abrir as portas da Alemanha para mais de dois milhões de muçulmanos, o que além de provocar uma pressão gigantesca no sistema de bem-estar social, aumentou o número de atentados terroristas e crimes violentos.

Muitos alemães também estão cansados da perda da identidade nacional em nome de um projeto totalitário chamado União Europeia.

Pelo nível de problemas produzido com as políticas de Merkel, eu esperava um resultado ainda pior. Talvez o que explique a passividade do povo até aqui é a boa situação econômica e o trauma do passado de intolerância que gerou o desastre nazista.

De qualquer forma, já é uma reação. Temo que seja muito leve e tardia.

O tempo dirá. O que está claro para quem tem mantido os olhos abertos é que todo esse “liberalismo progressista” tem produzido resultados catastróficos e, por óbvio, uma reação. Não é contra a globalização que essa gente toda de classe média está lutando; é contra o globalismo, algo bem diferente.

Não querem destruir a soberania nacional de seus países, não querem perder totalmente suas identidades, tampouco querem uma horda com burca invadindo suas vizinhanças, sem assimilar a cultura local, exigindo, ao contrário, que os anfitriões aceitem calados seus estilos de vida muitas vezes incompatíveis com a cultura ocidental. É tão difícil assim entender isso?

Rodrigo Constantino

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