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Rodrigo Constantino

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Secretário de privatizações diz que vai vender quase tudo e manter BB, Caixa e Petrobras

O secretário especial de desestatização Salim Mattar falou agora há pouco num evento do Credit Suisse e destacou a importância das privatizações para o progresso do país. Salim defendeu inclusive a Vale como empresa privada, um enorme case de sucesso, e separou a companhia das pessoas que eventualmente teriam responsabilidade na tragédia de Brumadinho, e que devem pagar por isso. Ele se disse um defensor das empresas, que geram riqueza e empregos, e afirmou que a ideia do governo é vender quase tudo, deixando apenas BB (com escopo reduzido), Caixa e Petrobras.

Claro que o ideal do ponto de vista liberal é vender TUDO, inclusive essas três estatais. Estou certo de que Salim concorda, mas é preciso ter pragmatismo e atacar os inimigos possíveis. Na hora certa, as estatais restantes poderão ser vendidas também. Quem sabe num futuro governo ainda mais liberal? Eis alguns highlights de sua palestra, que foi muito aplaudida pelos presentes:

  • Petrobras tem 36 subsidiárias;
  • BB umas 15/20
  • pretendem vender todas as subsidiárias da Caixa, do BB e da Petrobras
  • Não há por que o BB ter banco de investimento;
  • presidente Bolsonaro está na mesma página, alinhado com essa visão;
  • vão vender todas as estatais que não essas três, e vão deixar as três bem “magrinhas”;
  • sociais democratas são fingidos, não gostam de capitalismo, mas agora finalmente temos gente no governo que gosta de liberdade econômica;
  • dá para conseguir de R$ 700 a R$ 800 bilhões com privatizações;
  • querem gastar R$ 15 bi por ano com as 18 estatais “dependentes” ou alimentar todas as crianças do país?
  • governar é fazer escolhas, selecionar prioridades;
  • por que governo está na área de seguros se a iniciativa privada opera isso maravilhosamente bem?
  • EPE foi criada pela dilma para dar emprego para o seu amigo petista;
  • EPL, a do trem bala, para arrumar emprego para outro companheiro petista, e tantas outras; a máquina vai se expandido: tem até empresa de fazer chip de orelha de boi;
  • os empresários do Brasil foram coniventes com isso por muito tempo, ficaram em silêncio, mas agora chega;
  • tem que se mudar a mentalidade de que o estado tem que ter empresas, ser um empresário;
  • tem estatal até na área de cartões, o que não faz sentido algum.

Salim disse ainda que o PSDB tentou fazer um modelo de welfare state e o PT algo autoritário e ditatorial. O empresário não poupou os tucanos de duras críticas. Disse que ao tentar comprar um segundo mandato presidencial para FHC fez um desserviço ao país. O PT levou os maiores ataques, naturalmente. Salim disse que se tivessem vendido estatais em 2010 teriam reduzido a dívida pública pela metade. Foi uma enorme oportunidade perdida.

“Não existe dinheiro da União, existe gestor que cuida do dinheiro da população”, constatou Salim. Ou se investe em segurança, saúde e educação, ou tenta fazer todo o resto que o estado não precisa fazer e não consegue fazer de forma competente. Salim se mostrou otimista quanto aos eventuais obstáculos às privatizações. Disse que o TCU está apoiando e montou departamento para agilizar o processo, e que os tropeços no STF serão revertidos.

Há, claro, muitos grupos de interesse contra as vendas, inclusive no setor privado (fornecedores de estatais, por exemplo). Mas está confiante de que o processo vai continuar e que o governo será capaz de reduzir bastante o tamanho de sua participação como empresário. É o que se deseja. E é alvissareiro um empresário com o perfil liberal como tem Salim Mattar liderando esse projeto de mudanças. O Brasil não pode perder essa oportunidade novamente. Privatize Já!

Rodrigo Constantino

 

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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