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Qassim Suleimani foi morto por forças dos EUA em 3 de janeiro
Qassim Suleimani foi morto por forças dos EUA em 3 de janeiro| Foto:

"O jeito mais rápido de encerrar uma guerra é perda-la". (George Orwell)

Muitos "especialistas" estão apavorados com a decisão de Trump de autorizar o ataque que matou Suleimani, o líder das milícias terroristas iranianas. Em que pesem os riscos dessa escolha, não dá para achar que havia estabilidade antes, quando o Irã ignorava alertas do mundo e seguia com sua política de terror na região.

O discurso que mais interessa ao regime ditatorial iraniano hoje é o relativista moral, que embaralha tudo e repete que ninguém ali é santo. É preciso ter clareza moral: os Estados Unidos, sob o comando de Trump, representam o mundo livre; os aiatolás iranianos são terroristas e ponto. Aceitar essa premissa é o primeiro passo para alguma chance de vitória do lado melhor.

Alguns falam em "imperialismo americano" ou "ato terrorista" do governo americano. "Imperialismo americano"? Qual? O país foi atacado pelo Japão, venceu uma guerra contra kamikazes, e devolveu o país reconstruído e livre, hoje uma potência; fez o mesmo com a Alemanha, enquanto o império soviético destruiu o lado oriental; devolveu autonomia para o Iraque, quando muitos falavam que o interesse era explorar seu petróleo. Imperialismo? Não cola!

Sobre a intervenção americana em assuntos externos, é bom lembrar quem salvou o mundo das garras tanto do nazismo como do comunismo. Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos intervieram na guerra da Coreia. Resultado: a Coreia do Sul é uma potência livre, a comunista ao norte é o inferno na Terra. Não se meteu no Camboja. Resultado: um terço da população foi exterminada pelo comunista Pol-Pot. Talvez seja desejável uma intervenção americana?

No livro The Case for Democracy, Natan Sharansky defende uma atuação mais ativa das nações livres para a instalação da democracia no mundo, principalmente no Oriente Médio, como mecanismo de proteção da paz global. O autor, que foi um judeu preso nos cárceres soviéticos por ser um dissidente do regime comunista, entende que o ensejo da liberdade é comum a todos os homens, discordando dos céticos que afirmam que certos povos não tem compatibilidade com a democracia. Falava-se isso do Japão e da Alemanha pós-Hitler, enquanto a realidade se mostrou outra.

Sharansky defende arduamente uma clareza moral maior, mostrando como um mundo que não julga objetivamente, separando o joio do trigo, será vítima do mal. Portanto, faz-se necessário separarmos as nações entre sociedades livres e sociedades do medo, onde não há liberdade de expressão e proteção das minorias ou dissidentes.

Nestas últimas, um regime autoritário irá sempre controlar seu povo através da coerção, e o surgimento de bodes expiatórios externos cria a justificativa para o aumento da repressão interna. Os “inimigos” criados servem de escusa para todo tipo de abuso de poder doméstico. Uma sociedade do medo é, portanto, sempre mais belicosa e perigosa, pois sua manutenção deve-se ao uso de ameaças externas e controle interno.

Já uma democracia, por mais que tenha um líder com tendências belicosas, estará sempre resguardada pela necessidade do governante de obter votos do povo. E o povo dificilmente será, na sua maioria, a favor de guerras desnecessárias. A maioria das pessoas prefere viver em paz. E quando a manutenção do político no poder depende da aprovação dessa gente, a guerra será um último recurso. Por esta razão, uma nação democrática quase nunca entra em guerra com outra nação democrática.

Sharansky, que entende do assunto e passou pelo terror comunista, apóia o que chama de clareza moral. Praticar uma postura de “neutralismo” e excesso de realpolitik, ignorando aspectos morais, pode ser o maior erro do mundo livre, permitindo a perpetuação das sociedades do medo, e como consequência, um maior risco para a paz global. Forçar mudanças, pequenas aberturas que sejam, pode resultar na queda dos regimes totalitários.

Por medo e covardia, muitos preferem o caminho da "diplomacia", como se sempre fosse possível dialogar. Dilma Rousseff queria "diálogo" com os terroristas do Isis, não custa lembrar. Israel sabe que não há qualquer chance de conversa com os terroristas do Hamas, e por isso nenhum candidato com chances propõe esse caminho - seria suicídio político.

Podemos entender os receios que um risco de confronto produz, mas não é boa alternativa deixar o "valentão" avançando casas na tranquilidade. Em algum momento é preciso dar um basta, mostrar uma ameaça crível de reação com uso de violência ou mesmo guerra. Só isso pode parar as pretensões bélicas de regimes opressores e imperialistas.

A história da América é uma de luta por liberdade contra tiranias e impérios, não de colonialismo (do qual foi vítima). Quem tenta misturar as coisas, colocando Trump e o regime iraniano em pé de igualdade, ou até condenando Trump e poupando o regime do Irã, age ou por má-fé ou ignorância e covardia.

A objetividade moral é o primeiro passo para alguma possibilidade de avanço naquela região, como foi na Guerra Fria, quando Ronald Reagan classificou o império soviético como maligno. E havia muito "especialista" neutro naquela época, o que era escolher o lado errado!

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