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Rodrigo Constantino

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Delfim Netto: vai uma aposta aí?

Fonte: VEJA

Costumo dizer que Delfim Netto é o “Sarney da economia”: sempre por lá, sempre governista.* Um dos mais influentes economistas do país, ao menos sob o ponto de vista dos governantes, Delfim foi um entusiasta do programa desenvolvimentista da presidente Dilma. Quando a coisa desandou, ele arriscou algumas críticas. Mas agora já voltou aos elogios.

Em sua coluna de hoje na Folha, Delfim aplaude as “mudanças” da presidente Dilma. Aqui do meu campo de visão, só há mudanças cosméticas, para inglês ver. Mas o poderoso economista pensa diferente. Eis o resumo das “grandes” mudanças que ele enxerga:

Recentes mudanças na política econômica: 1º) a melhoria da interlocução do governo e o reconhecimento de que ele deve melhorar a qualidade dos leilões nas concessões; 2º) o reconhecimento de que não há mais espaço para a política fiscal e que empréstimo interno do Tesouro não é recurso, a não ser quando financiado com superavit fiscal; 3º) a nova disposição do Banco Central de buscar a “meta” da inflação num prazo adequado, mas não indefinidamente prorrogável e 4º) Tudo isso e mais a flutuação da taxa de câmbio, que deverá aliviar a indústria, sugerem que estamos nos preparando para melhorar.

Como diria Jack, o estripador, vamos por partes:

1) melhorar interlocução com o governo é importante, mas ainda não é fato consumado. Dilma e o PMDB ainda estão “discutindo a relação”, e nada indica que a conclusão será favorável do ponto de vista da governabilidade. Quanto ao reconhecimento da necessidade de melhorar a qualidade dos leilões de concessão, algo me escapou que só Delfim percebeu. Ainda não vi nada na prática, além de uma leve mudança na retórica, colocando na geladeira os aliados mais radicais que odeiam a ideia de retorno de mercado para os investidores;

2) O governo tem que reduzir os gastos públicos! Isso, nem sinal ainda. No mais, quem contou a Delfim que os “malabarismos contábeis” terminaram? Se ele tem algum insider information, que compartilhe conosco. Pois o governo deu claro sinais de que pretende seguir com sua “mágica” infantil, e o BNDES receberá mais injeção de capital, podem anotar;

3) O Banco Central fez um aumento tímido da taxa de juros e Delfim conclui que tudo mudou? Há claras divergências internas, com os economistas mais independentes visivelmente cansados da politização do BC. A inflação acumulada em 12 meses ainda está perto do topo da elevada meta. E Delfim já afirma que o governo está convencido da importância de perseguir a meta de inflação? Delfim enxerga coisa demais…

4) A alta da taxa de câmbio é um cobertor curto: se alivia a indústria, pressiona a inflação. Mas muitos economistas desenvolvimentistas ainda acreditam que basta desvalorizar a moeda para produzir crescimento, sem preço a ser pago. Se fosse tão simples, o Zimbábue seria uma potência mundial.

Enfim, essas “mudanças” que Delfim Netto celebra estão longe de algo concreto e efetivado. Não passam de promessas, discursos vazios, sem respaldo nos fatos. Qualquer economista sério, que já viu o ranço ideológico da turma no poder, tem obrigação de se mostrar mais cauteloso e cético. Mas os governistas disfarçados de analistas isentos não; esses só querem tocar o bumbo do otimismo infundado. Erraram antes, vão errar novamente. Quer fazer uma aposta, Delfim?

* Segue um vídeo onde “descasco” o governismo abjeto de Delfim Netto:

httpv://www.youtube.com/watch?v=6SPs0_F6YuA

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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