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Novas tecnologias significam realmente mais desemprego?
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Por Liberalismo Brazuca, publicado pelo Instituto Liberal

Com frequência vemos na imprensa manchetes sensacionalistas como “Robôs ameaçam 54% dos empregos formais no Brasil” (Folha de S.Paulo, 2019) ou “Robôs devem roubar 800 milhões de empregos até 2030” (Revista Época, 2017). Eu consigo imaginar a paranoia que provavelmente isso dá na cabeça de uma pessoa comum lendo tais coisas: “Caos! Fome! A tecnologia vai destruir meu futuro!”.

Mas será que novas tecnologias significam realmente mais desemprego? Há necessidade para pânico? Bem, não necessariamente.

Uma breve pausa nesse instante para falar de um dos maiores economistas, Joseph Schumpeter. Nascido no Império Austro-Húngaro em 1883, mesmo ano do nascimento de Keynes e morte de Marx, Schumpeter tomou um caminho bem diferente dos outros dois. Como explica Fábio Giambiagi, em seu livro Capitalismo: Modo de Usar, se por um lado o trabalho de Keynes tinha como foco fazer com que a economia voltasse para uma situação de equilíbrio, Schumpeter acreditava que a instabilidade estava na essência do próprio capitalismo.

O austríaco acreditava que “capitalismo estabilizado é uma contradição em termos”, e que “a destruição criativa é o fato essencial do capitalismo”. Para ele, toda vez que surgia uma inovação, esta tenderia a tornar obsoletas as inovações anteriores. Um exemplo é o videocassete e o aparelho de DVD, tendo o segundo tornado o primeiro desnecessário – destruindo assim o seu mercado.

Entre 1871 e 1971, duas profissões extremamente populares no Reino Unido foram as de telefonista e operadores de telégrafo. Durante este período, seu número chegou a se multiplicar por 40 vezes no país. Então, como observou um estudo realizado por economistas da empresa de consultoria Deloitte, surgiram quadros telefônicos automatizados, a Internet e a telefonia móvel, e o emprego no setor diminuiu drasticamente.

Isso não é necessariamente um problema. Quando uma máquina substitui um ser humano, o resultado tende a ser crescimento econômico e aumento no emprego. Por que isso ocorre? A inovação cria novos empregos, especialmente em áreas de conhecimento intensivo. Antes das lâmpadas, nossas cidades eram iluminadas com óleo de baleia e, obviamente, para ser um engenheiro elétrico é necessário muito mais conhecimento do que para ser um caçador de baleias. Além disso, inovações aumentam a produtividade, o que gera mais riqueza e, consequentemente, mais empregos.

Claro que os caçadores de baleias não estão sozinhos: projetores de cinema, gerentes de videolocadoras, datilógrafos… todos desapareceram devido aos avanços tecnológicos; mas isso não é motivo para pânico, pois outras profissões, como engenheiro de computação, gerentes de mídias sociais, especialistas em marketing digital, etc, surgiram. Quantos de vocês que estão lendo esse texto trabalham em áreas que não existiam 100 anos atrás?

Se por um lado é bem evidente que as máquinas estão destruindo postos de trabalho com atividades repetitivas e manuais, por outro lado não há (ainda) sinal no horizonte de que elas serão capazes de eliminar tarefas humanas de cunho cognitivo e sem repetição. Por isso há tantos bons empregos em algumas áreas, especialmente na tecnologia da informação.

Graças a inovações, desde a década de 40 do século XIX, a alocação de mão-de-obra tem mudado consideravelmente. Nos EUA, por exemplo, de acordo com o Bureau of Economic Analysis, por volta de 1840, 70% dos trabalhadores americanos estavam empregados na agricultura e apenas 20% trabalhavam no setor de serviços. Hoje, o campo não chega a empregar nem 5% dos americanos, enquanto o setor terciário ocupa quase 80%. A participação do setor industrial chegou a ocupar 1/3 dos americanos em 1950 e hoje emprega aproximadamente 20%.

Ao que tudo indica, essa tendência seguirá. Em 2018, o World Economic Forum criou um relatório chamado “O Futuro do Emprego” (tradução livre), que dizia que 75 milhões de vagas serão perdidas nos próximos anos devido à automação. Porém, a boa notícia é que serão criados 133 milhões de novos postos de trabalho graças às mesmas inovações – um “superávit” de 58 milhões de empregos.

Há cerca de 200 anos surgiu na Inglaterra um movimento chamado de “Ludismo”, que destruía máquinas industriais, pois seus integrantes acreditavam que elas roubariam seus empregos. Não sejam os ludistas do século XXI. Abracem as inovações e o aumento na qualidade de vida que elas nos trazem!

* Artigo publicado originalmente por Conrado Abreu na página Liberalismo Brazuca no Facebook.

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