
Pessoas de classe baixa, mulheres e moradores da Região Nordeste são os mais preocupados com a gripe A no Brasil. No total, 36% da população brasileira está preocupada. Entre 19 países pesquisados, a marca é inferior apenas às de China (64%), Bolívia (59%), Argentina (41%) e da França (40%).
A média mundial de temor com a nova gripe é de 28%. Os dados fazem parte de um mapeamento inédito, do Ibope Inteligência e da rede global Worldwide Independent Network of Market Research, com base nas entrevistas de 18,6 mil pessoas de 19 países.
A análise dos números por classe social mostra que a apreensão cresce entre os mais pobres. No Brasil, 42% dos entrevistados das classes D e E (renda de até R$ 484,97) dizem estar preocupados. O percentual é superior aos 27% das classes A e B (renda acima de R$ 2.012). Para o chefe do serviço de infectologia do Hospital Evangélico, Sérgio Penteado, os números mostram que todas as classes sociais estão preocupadas, mas o nível é maior entre pessoas de menor renda. Ele cita a insegurança desse grupo em ter acesso à saúde e de perder a capacidade produtiva ou seja, o medo é de adoecer e não conseguir trabalhar para pagar as contas no final de mês. "Se você tem acesso à informação também fica mais consciente dos riscos. A dificuldade de entender a nova gripe pode gerar medo e ansiedade", afirma.
Já o fato de o Nordeste ser a região do país mais apreensiva se deve à carência. "Como tem maior proporção de pessoas das classes D e E, o Nordeste acaba elevando o nível de preocupação em relação às outras regiões", diz a diretora executiva de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência, Laure Castelnau. A pesquisa foi realizada no final de junho e início de julho, quando o Nordeste não registrava nenhuma morte. Um das conclusões do levantamento é que parte dos resultados não tem relação direta com a incidência da nova gripe. No Brasil, 40% dos entrevistados acham que o país está preparado para enfrentar a pandemia.







