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Saúde

Ações contra o preconceito levam homens ao médico

Política nacional instituída há um ano tem conseguido aumentar acesso da população masculina ao consultório médico, exames e cirurgias

  • PorPonta Grossa - Maria Gizele da Silva, da sucursal
  • 13/09/2010 21:03
O caminhoneiro Valdir não vai ao médico porque diz não ter problema de saúde, mas na estrada se automedica | Henry Milleo/Gazeta do Povo
O caminhoneiro Valdir não vai ao médico porque diz não ter problema de saúde, mas na estrada se automedica| Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

Causas

Entenda porque os homens estão mais propensos às doenças do que as mulheres:

- 15% dos brasileiros fumam, sendo que 19% dos fumantes são adultos do sexo masculino.

- 18% dos homens não praticam atividade física, contra 9% das mulheres.

- 20% das internações de homens são em decorrência de uso do álcool, contra 2% das mulheres.

- 19,5% dos homens são dependentes químicos; entre as mulheres a taxa cai para 6,9%.

- 43% dos homens comem carne com excesso de gordura, enquanto só 24% das mulheres fazem o mesmo.

- 37% dos homens se protegem do sol, o que os torna mais vulneráveis ao câncer de pele. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, haverá 53,4 mil casos novos do tumor neste ano no país. Em segundo lugar está o câncer de próstata, com 52,3 mil casos.

Fonte: Ministério da Saúde

Apesar da maior vulnerabilidade às doenças e à violência, os homens frequentam bem menos os consultórios médicos do que as mulheres. Em 2008, por exemplo, foram feitas 20 milhões de consultas ginecológicas no Brasil, contra apenas 2 milhões de consultas urológicas. Eles vivem sete anos menos que elas. A cada três pessoas de 20 a 59 anos de idade que morrem no Brasil, duas são homens. Mesmo assim, por uma questão cultural, o público masculino resiste ao atendimento médico.A Política Nacional de Saúde do Homem, lançada em agosto de 2009 pelo Ministério da Saúde, trouxe avanços, como a sensibilização dos gestores de saúde no atendimento ao público masculino. O Paraná, que saiu na dianteira e criou um grupo de trabalho na Secretaria de Estado da Saúde um ano antes, conseguiu melhorias. Em Maringá, Norte do estado, as 64 equipes do Programa Saúde da Família têm urologistas, responsáveis por ofertar um atendimento integral ao homem, que avalia desde a saúde física à alimentação e frequência de exercícios.

Em Barracão, no Sudoeste, desde maio o projeto Terceiro Turno reserva as noites de terça-feira para atendimento aos homens. Segundo a secretária municipal de Saúde, Janete Missio, a procura tem aumentado. O projeto consiste na abertura da unidade central de saúde das 17 às 23 horas, ou seja, fora do horário de expediente da maioria dos trabalhadores. O atendimento é feito sob agendamento. Nas terças-feiras, quando o atendimento é exclusivo para homens, há consultas agendadas até o final de setembro. Nos demais dias da semana são atendidos outros públicos.

Capacitação

Conforme o coordenador da Política Nacional no Paraná pela Secretaria de Estado da Saúde, Rubens Bendlin, como o atendimento primário é responsabilidade dos municípios, o estado realizou oficinas para capacitar os gestores e os membros do Programa Saúde da Família nas 22 regionais de saúde, cobrindo 100% dos municípios. Ele explica ainda que foram treinados 1.700 profissionais para o atendimento ao homem.

As oficinas, segundo Bendlin, serão mantidas, junto com um trabalho mais incisivo em categorias com predominância de trabalhadores homens, como motoboys, caminhoneiros e profissionais da construção civil.

Bendlin lembra que quando o homem procura o serviço de saúde é caso de média e alta complexidade, já que não costuma realizar o atendimento preventivo. Nesse grupo o caminhoneiro Valdir Satir de Almeida, de 42 anos, é um exemplo do público-alvo que deve ser atingido pela Política Nacional de Saúde do Homem.

Há oito anos na estrada, ele passa os finais de semana que pode em casa, com a esposa e as duas filhas, de 16 e 6 anos, em Mariluz, no Noroeste. Diz que não tem tempo para ir ao médico e mesmo que tivesse não iria porque não tem problemas de saúde. Mas, confessa que quando sente tonturas na direção é porque está com pressão alta. Nesses casos, acaba recorrendo à automedicação, reconhecendo que não para em nenhuma cidade para aferir a pressão.

Pioneiro, Brasil fará exposição para 14 países

O Brasil é o primeiro país da América do Sul a instituir uma política de atendimento à saúde do homem. Para relatar as experiências dos estados e municípios, o Ministério da Saúde realiza entre ontem e hoje o 1.º Se­­minário Internacional de Saúde do Homem nas Américas. Está prevista a participação de 15 países. O encontro acontece no Palácio do Itamaraty, em Bra­­sília. O secretário municipal de Saúde de Maringá e presidente do Conselho Nacional de Se­­cretarias Municipais de Saúde, Antônio Carlos Nardi, co­­or­­dena uma mesa-redonda do se­­minário e as experiências vividas no Paraná desde 2008 serão relatadas.

Para Nardi, a política nacional demonstrou que o atendimento na saúde do homem precisa ser integral e quebrar preconceitos, como o do exame do toque para a identificação do câncer de próstata. É preciso ainda, conforme o secretário, aumentar o acesso do homem aos serviços de saúde. Hoje, como lembra Rubens Bendlin, da Secretaria de Estado da Saúde, o homem não procura atendimento médico, principalmente de prevenção, por acreditar que é o provedor do lar e que não ficará doente.

Segundo o Ministério da Saúde, desde a instalação da Política Nacional estão previstos R$ 613,2 milhões em ações a serem desenvolvidas até 2011 entre os municípios que aderirem ao programa. Já são 80 cidades em todos os estados brasileiros que desenvolvem algum tipo de programa de atenção à saúde do homem. Os postos de saúde, que são a porta de entrada, receberam 26 milhões de cartilhas sobre prevenção, diagnóstico, tratamento de cânceres e o desenvolvimento de hábitos saudáveis entre os homens.

Crescimento

Alguns resultados foram alcançados na rede pública ao longo dos últimos anos, antes mesmo da implantação da política nacional, há um ano. Entre 2002 e 2009, cresceu 81% o número de exames e cirurgias de próstata no país. Outro foco do atendimento na saúde do homem, que é o planejamento familiar, também apontou crescimento na quantidade de cirurgias de vasectomia: entre 2003 e 2009 houve um crescimento de 78,7% no procedimento.

O médico urologista Amilcar Ruani diz que houve um au­men­­­to de 50% na procura nos últimos cinco anos em seu consultório, devido, segundo ele, à conscientização masculina. "Muitos homens chegam e dizem que só vieram porque a esposa insistiu, mas depois, numa conversa mais particular, começam a contar seus problemas de saúde", explica. Entre as maiores causas da procura ao consultório estão a disfunção erétil e o câncer de próstata.

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