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| Foto: Atila Alberti/TRIBUNA DO PARANA

Um adolescente suspeito de ter matado um estudante em uma escola ocupada no bairro Santa Felicidade, em Curitiba, foi apreendido nesta segunda-feira (24). A informação é da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).

Morte de aluno em escola ocupada choca pais, alunos, professores e moradores em Santa Felicidade

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A pasta confirmou que o autor do crime, de 17 anos, também é estudante do Colégio Estadual Santa Felicidade e participava da ocupação da instituição. De acordo com a Sesp, vítima e suspeito teriam consumido drogas sintéticas dentro do colégio e o assassinato ocorreu após um desentendimento entre os dois.

Os jovens teriam se deslocado do grupo principal para usar a droga dentro de um alojamento quando crime ocorreu. A vítima, de 16 anos, teria agredido o suspeito, que carregava uma faca de cozinha e desferiu golpes contra o jovem. Ainda acordo com a Sesp, o suspeito fugiu do local e foi apreendido em casa, horas depois. Ouvido por policiais, o suspeito teria confessado o crime e foi encaminhado para a Delegacia do Adolescente para que as diligências fossem tomadas.

Outros jovens que teriam testemunhado o crime também foram encaminhados à delegacia, de acordo com o secretário de Segurança, Wagner Mesquita.

O secretário ainda afirmou que o Colégio Estadual Santa Felicidade já teria sido alvo de um pedido feito de reintegração de posse formulado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). De acordo com Mesquita, a Sesp teria pedido ao Conselho Tutelar que acompanhassem as ocupações. “Esse pedido foi feito prevendo que estes adolescentes estavam em risco. O Conselho Tutelar não constatou nada”, afirmou. Mesquita afirmou que o canal de comunicação montado pela Sesp recebeu, em seis dias, 60 notificações de crimes como violência, ameaça e uso de drogas, que estariam sendo investigados pela Polícia Civil.

Advogados questionam validade do depoimento

Tânia Mandarino, advogada que atua no movimento de ocupações de forma voluntária, afirmou que os advogados dos jovens foram impedidos de entrar no momento em que os depoimentos foram tomados. “Nenhum depoimento tomado sem a participação de um advogado para esses adolescentes será valido. Até foto da cena do crime já vazou nas redes sociais, mas nós, advogados, não podemos entrar”, disse.

O secretário de Segurança, Wagner Mesquita, não soube informar se o jovem suspeito pelo crime estava acompanhado ou não defensores.

Já o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR, Alexandre Salomão, afirmou que representantes da entidade estiveram no local e não foi constatada nenhuma irregularidade. De acordo com Salomão, um defensor público estava presente, bem como um promotor do Ministério Público, no momento do depoimento. O advogado ainda informou que a OAB está em contato direto com a Sesp para acompanhar o caso.

Sem dar mais detalhes, o secretário disse que pessoas maiores de idade que estivessem na escola poderão ser responsabilizados pelo assassinato do estudante. “Os articuladores do movimento estão sendo identificadas, para que elas sejam responsabilizadas, inclusive os pais. Há denúncias de coma alcoólico dentro das instituições e outras denúncias que mostram que os pais falharam no seu dever de tutela”, disse.

Movimento Ocupa Paraná pede paz

O movimento Ocupa Paraná – que concentra orientações para as ocupações dos colégios no estado – disse que, apesar de serem estudantes do colégio, nem a vítima e nem o suspeito participavam ativamente da ocupação da instituição. O movimento de estudantes afirmou que o futuro das ocupações será decidido em assembleia com todos os alunos, que acontecerá em Curitiba na próxima quarta-feira (26).

O movimento também divulgou uma nota de pesar pela morte do jovem e afirmou que não vai culpabilizar ninguém pelo ocorrido . “Neste momento queremos apenas prestar solidariedade à família, família que perde um dos seus para o ódio, para a intolerância e para a violência”, diz a nota.

O movimento ainda convocou os estudantes do Paraná, professores e comunidades para que façam atos em solidariedade à família do jovem. “Em vigília contra a violência que vem sendo propagada contra as escolas, orientamos todos para que nesse momento reforcem suas energias por esse garoto de apenas 16 anos que pagou todo o ódio propagado com sua vida dentro de um local marcado pela luta dos estudantes paranaenses”, completa o movimento.

MP acompanha o caso

Dois promotores do Ministério Público do Paraná (MP-PR) foram designados para acompanhar os desdobramentos do caso. Segundo nota enviada pelo órgão, Felipe Lamarão de Paula Soares e Emiliano Antunes Motta Waltrick foram até a escola nesta tarde e acompanham as investigações. O MP afirmou que o objetivo é “garantir rigor e transparência à apuração do caso.”

A nota diz ainda que o MP acompanha desde o início as ocupações das escolas do Paraná. Procuradores e promotores estavam reunidos para traçar estratégias “de intervenção institucional, visando à superação da situação que se apresenta”.

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