Bombeiros no local em que a arquibancada desabou: organizadores não solicitaram a vistoria prévia obrigatória por lei | Maria Cristina Kunzler/ O Presente
Bombeiros no local em que a arquibancada desabou: organizadores não solicitaram a vistoria prévia obrigatória por lei| Foto: Maria Cristina Kunzler/ O Presente

Levantamento preliminar feito na manhã de ontem por peritos da Polícia Científica de Cascavel encontrou várias irregularidades na estrutura da arquibancada que desabou na tarde de domingo em Quatro Pontes, no Oeste do Paraná, durante a 5.ª Prova de Arrancadas de Carros. Cerca de cem pessoas ficaram feridas. Sete continuavam internadas ontem, mas sem risco de morte. Duas pessoas tiveram fraturas mais graves e serão submetidas a uma cirurgia hoje. O evento foi suspenso após a tragédia. No momento do acidente, pessoas estariam pulando e fazendo "ola" nas arquibancadas.De acordo com o perito Alex Tavares foram encontradas soldas recentes em partes oxidadas (enferrujadas) da estrutura, o que indica que o reparo foi emergencial, porém sem a qualidade necessária. Calços de madeira sustentavam a estrutura, o que também é irregular. Além disso, arames prendiam parte da arquibancada. A outra arquibancada, que não desabou, estava inclinada, provavelmente pelo excesso de pessoas. O laudo oficial da perícia vai ficar pronto em 15 dias.

O capitão Rogério Lima de Araújo, do Corpo de Bombeiros de Toledo, confirmou que os organizadores não solicitaram a vistoria do local, o que é obrigatório por lei. Uma equipe de Toledo prestou auxílio no resgate das vítimas, que foram atendidas por ambulâncias da prefeitura e pelos bombeiros comunitários de Quatro Pontes. Outros quatro municípios da região enviaram ambulâncias para auxiliar no resgate.

Ontem, a prefeitura de Quatro Pontes, em nota oficial, informou que "as consequências do acidente são de responsabilidade de uma empresa terceirizada". Ainda de acordo com a nota, a 5.ª Prova de Arrancadas de Carros teve a supervisão e credenciamento da Federação Paranaense de Automo­­bilismo.

Na sexta-feira, no entanto, a prefeitura divulgou um texto sobre o evento onde frisava a questão da segurança. "Instalamos uma nova estrutura para as provas, aumentamos o muro de proteção e o local onde acontecem [as provas], tudo para oferecer maior segurança aos pilotos e ao público", disse o prefeito Rudi Kuns, segundo o material divulgado pela assessoria do município.

Vítimas

Uma ambulância da prefeitura estava no local no momento do acidente e outra de plantão, que também foi acionada. Municípios da região também enviaram ambulâncias para auxiliar no resgate dos feridos, a maior parte com pequenas escoriações. O prefeito disse ter cronometrado o tempo entre a queda da arquibancada e a chegada da primeira ambulância. "Em um minuto meio a ambulância estava atendendo", disse.

De acordo com Paulinho Da­­­wes, dono da empresa ganhadora da licitação para montar a estrutura do evento, as arquibancadas foram montadas pela empresa Benites e Mosconi, uma promotora de eventos de Marechal Cândido Rondon. A reportagem não conseguiu contato com a empresa. Dawes destacou ainda que a solicitação de vistoria aos bombeiros é de responsabilidade das cinco entidades responsáveis pela organização do evento.

Um inquérito policial foi instaurado para investigar o caso. De acordo com o delegado Ary Nunes Pereira, o inquérito deve ser concluído dentro de um mês. Segundo ele, o primeiro passo é identificar as vítimas e os responsáveis pelo evento para depois ouvi-los. Se forem considerados culpados, os responsáveis pela organização poderão responder por lesão corporal culposa, quando não há intenção de ferir.

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