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Mentiras na rede

Associação entre microcefalia e vacinas é boato, alertam ministério e Fiocruz

  • PorCaroline Olinda e Laura Beal Bordin
  • 05/02/2016 15:24
 | Brunno Covello/Arquivo Gazeta do Povo
| Foto: Brunno Covello/Arquivo Gazeta do Povo

O Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) voltaram a divulgar notas para desmentir boatos que circulam na internet relacionando o surto de microcefalia que assusta o país a uma suposta vacinação de gestantes e mulheres em idade fértil es estados do Nordeste. A teoria voltou a ganhar força nas últimas semanas após a apresentação de uma denúncia ao Ministério Público Federal de Pernambuco (MPF-PE), que foi feita pelo pesquisador Plínio Bezerra dos Santos Filho (leia mais abaixo).

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Na nota do Ministério da Saúde, há um apelo para que as pessoas não divulguem mais boatos. “A associação entre a vacinação e os casos de microcefalia é irresponsável e representa um desserviço à população. Não há nenhuma evidência científica que comprove essa teoria e essas especulações em nada contribuem para o esclarecimento da população.”

A assessoria de comunicação do MPF-PE confirma a existência da denúncia. A representação teria sido protocolada há dois dias e ainda está na fila para avaliação dos promotores, que vão decidir se vale iniciar uma apuração.

Para derrubar a teoria montada por Santos Filho e replicada por centenas de usuários das redes sociais, o Ministério da Saúde alega que as vacinas contra rubéola e sarampo não são aplicadas durante a gestação. Além disso, no caso das mulheres em idade reprodutiva, é feita uma recomendação de que não se engravide no até um mês após a vacinação.

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De acordo com a nota do ministério, essas medidas são tomadas apenas para “evitar dúvidas no diagnóstico, caso o feto apresente algum problema durante a gestação”. Isso porque estudos já demonstraram que as vacinas são seguras, mesmo que aplicadas durante a gravidez.

Outro fato que pesa contra a teoria das vacinas relacionadas ao zika é que a maioria das crianças com microcefalia testou negativo para outras infecções congênitas normalmente relacionadas ao problema, caso de rubéola, toxoplasmose e citomegalovírus. Além disso, autoridades de saúde da Polinésia Francesa – que passou por uma epidemia da doença entre 2013 e 2014 – também informaram ter percebido um aumento do número de casos de má-formação do sistema nervoso de crianças nascidas nos últimos dois anos.

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Os pesquisadores ainda não conseguiram comprovar se o zika vírus é realmente o responsável pelo aumento de casos de microcefalia registrado no Brasil. Mas algumas pesquisas apontam para isso. Uma delas, desenvolvida por pesquisadores do Paraná, demonstrou que o zika consegue ultrapassar a barreira placentária e se instalar em células que chegam ao bebê.

Antes, partículas do vírus já haviam sido detectadas no líquido amniótico de duas grávidas que esperavam bebês com microcefalia. Mais recentemente, pesquisadores da Fiocruz em Pernambuco conseguiram detectar células que indicam que o bebê teve contato com o vírus no líquido encefalorraquidiano de 12 recém-nascidos com microcefalia.

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Plínio Santos Filho é o autor da denúncia ao Ministério Público Federal de Pernambuco sobre a causa do surto de microcefalia no estado

Autor da denúncia ao Ministério Público Federal de Pernambuco (MPF-PE), o pesquisador Plínio Santos Filho diz ter dados que comprovam que o surto de casos de microcefalia no nordeste não necessariamente foram causados pelo zika vírus. Santos Filho, que é físico especialista em ressonância magnética e atua como pesquisador independente, resolveu analisar os dados divulgados semanalmente pelo Ministério da Saúde em Pernambuco e afirmou que os dados de bebês nascidos com microcefalia não eram condizentes com uma epidemia.

“Em uma epidemia, há um pico no número de casos e depois eles desaparecem”, explicou. De acordo com o físico, o número de casos caiu, mas continuou constante no estado - cerca de 15 casos são registrados por dia. Após analisar os dados, Santos Filho diz ter comparado o pico dos nascimentos com a epidemia de dengue em Pernambuco e afirmou que as datas não coincidem.

A sua teoria é de que a vacina tríplice viral - contra sarampo, rubéola e caxumba - que foi aplicada durante um surto de sarampo no nordeste seja a principal causadora da microcefalia no estado, já que a vacinação é realizada em mulheres em idade fértil, entre 12 e 29 anos. Para o físico, as mães dos bebês com má-formação engravidaram meses depois de receber a vacina. Além disso, de acordo com o pesquisador, uma outra vacina, a DTPA, seria a razão para que o número de casos continuasse constante. O pesquisador ainda afirmou que os dados apresentados pelo Ministério da Saúde mostram que a presença do zika vírus nos bebês com má-formação seria muito pequena. “A zika pode até causar microcefalia, mas não é a causa principal da epidemia”, afirmou.

O pesquisador confirmou que solicitou explicações ao Ministério da Saúde, bem como a carteira de vacinação das mães de bebês com microcefalia para comprovar ou não sua teoria. “Posso estar errado, mas em nenhum momento mostraram dados provando que essa possibilidade não existe”, disse.

O Ministério da Saúde nega que a vacina contra a Rubéola possa causar a microcefalia e afirmou que a vacina é produzida com vírus vivos e atenuados, que não são capazes de provocar as três doenças - diferente do que diz o pesquisador. O órgão ainda reiterou que a vacina contra o sarampo e a rubéola é segura e que sua aplicação evita que a mãe pegue a doença durante a gravidez.

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