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Morte de Glauco

Boletim de ocorrência diz que criminosos já chegaram atirando em cartunista

Glauco Villas Boas e filho de 25 anos foram mortos em Osasco. Versão da polícia é divergente da apresentada por advogado da família

  • PorG1/Globo.com
  • 12/03/2010 08:11

O boletim de ocorrência registrado no 1º Distrito Policial de Osasco, na Grande São Paulo, sobre a morte do cartunista Glauco Villas Boas, 53 anos, e seu filho Raoni Villas Boas, 25 anos, diz que os três criminosos suspeitos de participar do assassinato já chegaram atirando nos dois na madrugada desta sexta-feira (12). De acordo com a polícia, o crime aconteceu na Estrada de Portugal.

A Polícia Civil já procura por um suspeito de participar dos assassinatos. Segundo o boletim de ocorrência, uma testemunha que estava com as duas vítimas no momento do crime – e sobreviveu sem ferimentos – identificou um dos suspeitos e deu seu nome à polícia. O homem teria 24 anos e já teve passagem pela polícia por posse de drogas.

A versão registrada no boletim diverge do que contou o advogado da família do cartunista, Ricardo Handro, ao G1. Segundo ele, dois homens invadiram a casa de Glauco Villas Boas. Eles estavam aparentemente drogados. "Eles não falavam coisa com coisa, estavam aparentemente drogados. Mais que advogado da família, sou amigo de Glauco há 12 anos. Foi uma fatalidade, uma coisa terrível", disse.

Segundo Handro, os homens renderam a filha do cartunista quando ela tentava entrar em casa. Eles entraram na residência e anunciaram que levariam toda a família. Glauco negociou para que apenas ele fosse levado. Durante a negociação, o cartunista levou uma coronhada no rosto.

O filho Raoni chegava da faculdade quando o cartunista era levado pelos assaltantes. Ele se assustou com o pai sangrando e com uma arma apontada para a cabeça. Raoni tentou negociar e, neste momento, foi atingido por quatro tiros. Outros quatro disparos foram dados em direção do cartunista. Um dos tiros acertou o rosto do cartunista. A mulher e a filha de Glauco presenciaram tudo.

Glauco e Raoni chegaram a ser levados para o Hospital Albertin Sabin, na Lapa, Zona Oeste de São Paulo, mas chegaram mortos ao local. Os corpos estão no Instituto Médico-Legal (IML) de Osasco desde as 6h50 desta sexta-feira. Ninguém foi preso, segundo a polícia.

Assim que forem liberados pelo IML, os corpos de Glauco e Raoni deverão ser velados na casa da família, na Estrada de Portugal. O enterro deve acontecer no Cemitério Anhanguera. Ainda não foi definido o horário do sepultamento.

Glauco Villas Boas nasceu em Jandaia do Sul, no Paraná, em 1957. Ele era filho de Orlando e sobrinho dos sertanistas Claudio e Leonardo Vilas Boas. Como cartunista, publicou seus primeiros trabalhos em 1976, no "Diário da Manhã" de Ribeirão Preto, e, em 1977, ganhou seu primeiro prêmio no Salão do Humor de Piracicaba.

No início da década de 1980, passou a fazer parte do elenco de cartunistas do jornal "Folha de S. Paulo", onde consagrou personagens como Geraldão, Geraldinho, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Casal Neuras e Doy Jorge.

Dono de um traço marcante e de um estilo de humor ácido e de piadas visuais rápidas, Glauco criou personagens que de certa forma representavam suas próprias experiências na São Paulo dos anos 1980, com referências a sexo, drogas e violência urbana.

Em 1991, participou ao lado de Angeli e Laerte da criação da tira "Los 3 amigos", uma brincadeira do trio de cartunistas com o universo dos filmes de bang-bang e seu retrato dos personagens mexicanos.

Atualmente, Glauco publicava tiras diárias e charges no jornal "Folha de S. Paulo". Seus quadrinhos antigos vinham sendo republicados por editoras como Opera Graphica e L&PM.

Em uma entrevista publicada na "Folha de S. Paulo" em 2004, Glauco lamentou a suposta falta de sintonia com as novas gerações. "Meu traço não é bom para retratar o futuro. Corro o risco de não falar a língua da moçada."

Glauco também fez parte da equipe de redatores dos programas "TV Pirata" e "TV Colosso", da Globo.

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