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Policiais federais fazem busca na reitoria da UFPR quarta-feira: cabeleireira Cherri Francine Concer admite ter recebido R$ 12 mil da UFPR. | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Policiais federais fazem busca na reitoria da UFPR quarta-feira: cabeleireira Cherri Francine Concer admite ter recebido R$ 12 mil da UFPR.| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

A cabeleireira Cherri Francine Concer é dona de um salão de beleza no Guatupê, um dos bairros mais populosos de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Foi ali, segundo Cherri, que ela conheceu uma das acusadas pela Polícia Federal (PF) de organizar o esquema que desviou R$ 7,3 milhões de bolsas de pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Tânia Marcia Catapan, ex-secretária administrativa do gabinete da pró-reitoria de pesquisa e pós-graduação (PRPPG).

Quarta-feira (16), a PF prendeu provisoriamente 29 pessoas acusadas de participar do esquema no Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, entre elas Cherri, que concedeu entrevista à Gazeta do Povo antes de a na Operação Research (pesquisa, em inglês) ser deflagrada - o jornal vinha investigando a suspeita de corrupção desde dezembro de 2016. Tânia também foi detida.

“Eu fazia o cabelo dela [Tânia]. Ela me indicou para a Conceição [Abadia de Abreu Mendonça, chefe da Unidade de Orçamento e Finanças da PRPPG no período em que o esquema se desenvolveu] para eu fazer as pesquisas”, afirmou.

Cherri diz que jamais imaginou que o serviço pudesse ser irregular. “Eu fazia e não perguntava nada. Só fazia o meu trabalho. Eu sou leiga nisso. A Conceição era uma pessoa da universidade, como é que eu iria desconfiar? Acho que o cargo dela era muito importante lá dentro, para conseguir fazer uma coisa dessas”, argumentou.

Segundo dados do Portal da Transparência, a cabeleireira recebeu R$ 624 mil entre 2013 e 2016. Houve depósitos em quase todos os meses desse período. Cherri, porém, nega que tenha recebido todo esse valor. E afirma que quem a pagava, na verdade, era a própria Conceição.

“Capaz que eu tenha recebido isso [R$ 624 mil]. Minhas coisas estariam bem diferentes [se tivesse recebido]. O que eu recebia era referente às minhas pesquisas. Ela [Conceição] que fazia o depósito. Eu pegava direito com ela [os pagamentos]. O que ela me pagava mensalmente seria de R$ 12 a R$ 13 mil.” Apesar disso, ela não tem imóveis em seu nome e possui apenas um Ford Escorte modelo 1986.

Questionada sobre que tipo de pesquisa fazia de fato, Cherri disse à reportagem que procurasse Conceição para que ela explicasse e afirmou não ter guardado qualquer comprovante da prestação do serviço. “Eu sou leiga nessas coisas, quem entende mais é ela. Eu me cadastrei para fazer um trabalho extra. Ela [Conceição] que me passava tudo o que eu fazia referente às pesquisas. Eram feitas à distância. Eu passava planilhas para ela. Mas não guardei nada. Entreguei tudo para a Conceição porque eu não faço mais parte”, disse.

Laranja

O advogado de Cherri, que também defende Tânia e mais nove acusados, Marlon Bizoni Furtado, afirma que seus clientes foram laranjas na história. Segundo ele, essas pessoas assinaram procurações que acabaram sendo usadas para abrir contas e que a maioria sequer ficava com o cartão bancário dessas contas.

“Todas foram laranjas dessa situação. São pessoas humildes que receberam uma oportunidade para assinar procurações, que efetivaram a abertura de algumas contas. Mas muitos deles sequer têm cartão da agência. Eles acabaram recebendo valores irrisórios para manter essa conta ativa, em alguns casos R$ 300”, disse Furtado.

O advogado conta que os bolsistas citaram Conceição Abadia de Abreu Mendonça, chefe da Unidade de Orçamento e Finanças da PRPPG no período em que o esquema se desenvolveu, como o contato delas na universidade. “Mas eles acreditam que ela também foi usada”, argumentou.

Sobre a ex-secretária administrativa do gabinete da pró-reitoria de pesquisa e pós-graduação da UFPR Tânia Marcia Catapan, o advogado afirmou que o envolvimento dela é um equívoco. “Alguns documentos se deterioraram durante a ocupação estudantil e foram jogados fora. Ela não tem nada a ver com isso”, defende o advogado.

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