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Catadores vão ganhar carrinho elétrico

108 modelos movidos à eletricidade vão substituir parte da frota de carrinhos de tração manual usada em Curitiba

  • PorRaphael Marchiori, especial para a Gazeta do Povo
  • 02/10/2012 21:10
Exemplo de carrinho elétrico que chega à capital: ideia é ampliar coleta e dar dignidade | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Exemplo de carrinho elétrico que chega à capital: ideia é ampliar coleta e dar dignidade| Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Menos cansaço

Veículo melhorou disposição e renda, diz catadora de Foz

Após mais de cinco anos carregando cerca de 100 quilos em um carrinho de madeira, Cleusa Cordeiro da Silva, 46 anos, viu sua rotina se tornar literalmente mais leve. Em meados de 2009, ela participou de um treinamento para operação do carrinho elétrico e recebeu um dos 18 primeiros modelos frutos do projeto da Plataforma Itaipu de Energias Renováveis.

"No começo não tinha vontade de ir para a escola, porque chegava morta de cansaço em casa. Com o carrinho, carrego até 300 quilos sem esforço", diz ela, que viu seus ganhos quadruplicarem – chega a ganhar um salário mínimo mensal – e agora se sente mais segura nas ruas.

Cleusa, porém, também já conviveu com uma das criticas mais comuns aos carrinhos: a necessidade de manutenção. "Já aconteceu de descarregar a bateria, furar pneu e quebrar. Geralmente, outro carrinho reboca, porque só ele pesa 150 quilos".

Carroças

O Detran-PR tem em curso um estudo de viabilidade técnica para substituir carroças por veículos de tração motorizada. A reportagem apurou, inclusive, que anúncios publicitários são estudados como uma das formas de viabilizar o investimento. A ideia, porém, ainda é incipiente, diz o órgão.

Ganhos e perdas

Trocar carrinhos de papel por elétricos pode trazer quais resultados positivos – e negativos – para a cidade?

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As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.

A alcunha de Capital Ecológica dada a Curitiba, mais viva no imaginário dos turistas, ganhará novos contornos na próxima semana. Isso porque catadores de material reciclável da capital receberão 108 carrinhos elétricos em substituição aos modelos de tração manual. Esses veículos fazem parte de uma frota total de 504, cujos veículos restantes deverão ser distribuídos pela prefeitura até 2013.

O investimento desse primeiro lote, que beneficiará 15 parques de recepção de material reciclável do programa EcoCidadão, foi de quase R$ 1 milhão – cada carrinho custou R$ 8,7 mil. Os veículos foram fornecidos pela empresa Oficina de Metal Indústria e Comércio de Móveis e são parecidos com os modelos utilizados por empresas como a Coca-Cola e os Correios.

Hoje, de acordo com a prefeitura, cerca de 400 catadores estão cadastrados no EcoCidadão, mas a expectativa é de que até mil profissionais sejam incluídos no programa até o final de 2013. Os beneficiados pelos carrinhos elétricos serão escolhidos de acordo com o número de associados em cada parque de recepção e o espaço físico disponível.

A expectativa é de que a substituição faça aumentar a coleta seletiva na cidade. Segundo a prefeitura, os catadores coletam diariamente 445 toneladas de resíduos – quatro vezes mais do que o montante transportado pelos caminhões do programa Lixo que não é lixo.

Protótipo

A aquisição dos carrinhos foi possível graças a um convênio de R$ 26 milhões entre a administração municipal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além dos veículos, a verba será empregada na construção de 13 novos parques de recepção de recicláveis (previstos para o ano que vem), formação de capital de giro para catadores e aquisição de novas máquinas e equipamentos, como balanças digitais, elevadores de fardo, empilhadeiras, esteiras e prensas hidráulicas.

Os protótipos curitibanos são semelhantes ao modelo usado em Foz do Iguaçu há cerca de quatro anos. O veículo iguaçuense é fruto de uma parceria entre a Itaipu e a empresa Blest Engenharia, sediada em Curitiba. Em Foz estão 55 dos 83 carrinhos em operação para coleta de lixo reciclável no Paraná – os demais estão espalhados em outras cidades da Bacia do Paraná.

Autoestima

Segundo Rogério de Paula Guimarães, diretor de criação e desenvolvimento da empresa, a quantidade de veículos já prontos para o uso é muito maior. "Temos 200 carrinhos fabricados", diz. O carrinho da Blest custa R$ 8,9 mil – custo pouco superior ao preço pago pela prefeitura de Curitiba –, carrega até 300 quilos e a bateria tem autonomia de 25 quilômetros.

Em Foz, os modelos são operados pelos catadores cadastrados na Cooperativa dos Agentes Ambientais – que mantém dez barracões na cidade. De acordo com Viviane Nertig, presidente da instituição, os veículos melhoraram a autoestima de catadores e a coleta seletiva da cidade. "Com os carrinhos, eles não precisam fazer força e conseguem levar mais materiais. Hoje, recolhemos 180 toneladas de resíduos por mês".

Ponto de vista

Diretor diz que carrinho não reduz poluição e gera muita manutenção

O carrinho elétrico para catadores de lixo reciclável parece ecologicamente e socialmente correto para grande parte da população, mas da forma como foi implantado no Oeste do Paraná ele é inviável. Essa é a opinião de Marco Aurélio de Matos Alexandre, diretor do Departamento de Coleta, da Secretaria do Meio Ambiente e Obras de Foz do Iguaçu.

Segundo Alexandre, o carrinho elétrico gera muita manutenção e não transforma totalmente a precariedade do trabalho dos catadores. "Ele [o carrinho] não é eficiente para reduzir a poluição, já que os catadores conseguem recolher apenas 2% do lixo que poderia ser reciclado. Além disso, a maioria dos veículos está parada por problemas, pelo alto custo do conserto".

Ele afirma que o ideal seria implantar um sistema eficiente de coleta seletiva com caminhões e que pode ser inviável para grandes centros, como Curitiba. "O carrinho elétrico é muito lento".

Segundo Luiz Carlos Matinc, coordenador do Projeto Coleta Solidária, da Itaipu, os modelos atuais de carrinhos não dão mais problemas como os modelos anteriores. "Não temos mais problemas com roda, motor e freio", diz ele.

De acordo com a prefeitura de Foz do Iguaçu, o serviço oficial de coleta de lixo recolhe 1,8 mil toneladas por mês. Desse total, cerca de 180 toneladas são coletadas pelos catadores – únicos responsáveis pela coleta seletiva nos lares da cidade. A empresa contratada pela administração municipal faz coleta seletiva apenas em grandes geradores de lixo.

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