
São Paulo - A chuva que atingiu São Paulo entre a noite de segunda-feira e a tarde de ontem trouxe o caos à maior cidade do país. Em 12 horas, choveu 99,7 milímetros, metade do que estava previsto para todo o mês de dezembro, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Na capital e na Grande São Paulo, seis pessoas morreram, incluindo quatro irmãos. Os alagamentos causaram congestionamentos e atrasos.
O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da prefeitura registrou 105 pontos de alagamento, sendo que 26 deles ficaram intransitáveis, incluindo na Marginal Tietê. Nos terminais rodoviários da Barra Funda e do Tietê, os ônibus com saída marcada entre 6 e 13 horas não puderam viajar. Três linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos foram inundadas e os trens do metrô não chegaram a parar, mas circularam com velocidade reduzida. Os coletivos das cerca de 1,3 mil linhas da cidade deixaram as garagens, mas ficaram parados por horas no mesmo lugar. O aeroporto Campo de Marte ficou fechado, com água nos hangares e na pista de pouso. No aeroporto internacional, em Guarulhos, o número de voos atrasados chegou a 45,7% ao meio-dia, porque as tripulações não conseguiam chegar.
Mortes
Para quatro famílias, os danos materiais provocados pela chuva não são nada, em comparação com a dor que sentiram. Elas perderam filhos, mãe, irmãos, primos e tios na tempestade. A chuva causou um deslizamento de terra e soterrou quatro irmãos em Santana de Parnaíba. Outro deslizamento matou um catador em Sapopemba, na zona leste da cidade, e, em Itaquaquecetuba, uma mulher de 57 anos morreu após duas casas desabarem na região.
O deslizamento de terra em Santana de Parnaíba ocorreu por volta das 5h40 e atingiu parte de um imóvel. Em um dos barracos do terreno da prefeitura, invadido há 15 anos, vivia Geomara Oliveira dos Santos, 8 anos, com o casal de gêmeos Juliano e Juliana, 7 anos, e o meio-irmão deles, João Luís, 20 anos. Os quatro dormiam no mesmo quarto quando a terra cedeu. O ajudante geral Giomar Souza dos Santos, 35 anos, pai das crianças e padrasto do jovem, e a mulher, Neuza, saíram ilesos por estarem em um cômodo separado. Desesperado, Santos começou a cavar a terra, com ajuda dos vizinhos. "Quanto mais terra a gente tirava, mais caía do morro", recorda. O Corpo de Bombeiros foi acionado e chegou ao local às 7 horas. O último corpo foi encontrado pouco antes do meio-dia.
Ceagesp
Na manhã de ontem, o Rio Pinheiros transbordou e invadiu uma grande área da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), que divulgou comunicado para tranquilizar a população. O entreposto irá destruir e descartar todo produto que tenha tido contato com a água da inundação. A empresa não soube informar o prejuízo, nem quando será retomada a venda no local. Até as 17 horas de ontem a água ainda não havia sido totalmente escoada. A Ceagesp informou que todas as áreas afetadas passarão por um processo de higienização. A maior perda de produtos, afirmou o comunicado, aconteceu no setor de melancias. Os produtos descartados serão enviados para aterros sanitários regulamentados ou para usinas de compostagem para serem transformados em adubo orgânico.








