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Moradores do CIC, em Curitiba, colocaram na rua os móveis e eletrodomésticos destruídos pela chuva | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Moradores do CIC, em Curitiba, colocaram na rua os móveis e eletrodomésticos destruídos pela chuva| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Rodovias

Estradas têm 51 pontos de interdição no estado

As fortes chuvas que atingem o Paraná causaram estragos nas estradas que cortam o estado, impedindo o tráfego em vários trechos. Até a noite de ontem, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou 30 pontos de interdição só em estradas federais. A mais afetada é a BR-277, principal ligação entre Curitiba e as regiões Centro-Sul e Oeste do Paraná, com dez pontos interditados e mais quatro bloqueios parciais, em função de queda de barreiras, erosão de acostamento e alagamentos.

A cidade com mais pontos de interdição na BR-277 é Guarapuava, mas Irati e Virmond também ficaram sem acesso em alguns trechos. A chuva também prejudicou o trânsito na BR-153. A estrada corta o Paraná de Sul a Norte, entre as cidades de Porto União e Jacarezinho. Até a noite de ontem, havia pelo menos três pontos de interdição atingindo os acessos às cidades de Rebouças, Rio Azul e Irati.

De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a BR-373, entre os municípios de Candói e Coronel Vivida, foi interditada totalmente próximo à ponte sobre o Rio Iguaçu. Houve um deslizamento no local e há uma alternativa de desvio por Foz do Jordão e Mangueirinha. Na BR-158 também há interdição entre os municípios de Marquinho e Laranjeiras do Sul, devido a um afundamento da pista.

Rodovias estaduais

Nas rodovias estaduais a situação é a mesma. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), até a noite de ontem, 21 pontos estavam bloqueados. A região Central é a mais afetada, com 11 bloqueios. Já no Norte do estado, parte da PR-323, entre Maringá e Cianorte, está bloqueada desde a tarde de sábado, após o Rio Ivaí transbordar.

A PR-551, que liga Doutor Camargo e São Jorge do Ivaí, também está fechada por conta do volume de água. Na PR-650, entre São João do Ivaí e Godoy Moreira, uma cratera se formou na pista. Próximo dali, na mesma rodovia, o Rio Corumbataí também impede a passagem dos veículos.

Vítimas

Correnteza forte provoca mortes no interior

As fortes chuvas que atingem o Paraná deixaram um saldo de pelo menos dez mortes. Em Guarapuava, duas pessoas morreram, entre elas o jovem Leandro Bordiak, 29, que foi levado pela correnteza ao tentar fechar a porta de casa. Duas mortes foram registradas na noite de sábado na cidade de Medianeira. Andreia Luzia Borgmann da Silva, 20, e o filho Samuel da Silva, de apenas nove meses, retornavam do interior do município no carro da família e, ao tentarem cruzar uma pequena ponte, o carro foi levado pela correnteza e arrastado por 200 metros. Em Sulina, no Sudoeste do Paraná, Paulo Inácio Kaling, 39, morreu soterrado após sua casa ser atingida por um barranco que desmoronou. Outra pessoa morreu vítima de afogamento na cidade de Campina do Simão, região central. Outra morte foi registrada por volta das 21 horas de sábado na PR-158, entre Rio Bonito do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, quando Marilei Eva Lambrecht, 41, foi ejetada de um carro que caiu em um córrego. Em Quedas do Iguaçu, no Centro-Sul do estado e em Guaraniaçu também ocorreram mortes.

Sem Aulas

Várias cidades do Paraná suspenderam as aulas devido às chuvas do fim de semana. Na região central do estado, onde a situação é mais grave, as prefeituras de Guarapuava, Irati, Prudentópolis, Rebouças, Rio Azul, Mallet, Fernandes Pinheiro e Inácio Martins suspenderam as aulas nas escolas municipais – algumas delas estão sendo utilizadas para abrigar desalojados e desabrigados. Escolas estaduais, faculdades e universidades nesses locais também não devem funcionar hoje. Em Curitiba, cinco unidades da rede municipal de ensino também não vão funcionar, atingindo cerca de 900 crianças.

  • Em Guarapuava, o barco foi a única opção para atravessar as áreas alagadas

O Paraná voltou a sofrer nos últimos dois dias com as fortes chuvas que ocorrem com frequência nessa época do ano. Assim como em 2012 e 2013, quando as inundações afetaram diversas cidades do estado, dessa vez não foi diferente. As precipitações que começaram no sábado afetaram municípios em várias regiões do estado e provocaram ao menos 9 mortes, desabrigaram 5,6 mil pessoas, além de interromper o fluxo em estradas e deixar cidades sem energia elétrica e água.

INFOGRÁFICO: Veja como foi a situação das cidades durante as chuvas

Em reunião de emergência realizada no fim da tarde de ontem no Palácio Iguaçu, o governador Beto Richa (PSDB) anunciou que decretará, hoje, estado de emergência em 70 cidades do estado. Segundo dados da Defesa Civil, até a tarde de domingo, além das mortes, uma criança está desaparecida em Guarapuava, no Centro-Sul do estado. A região é a que registra os maiores volumes de chuva de forma concentrada, o que provocou o aumento de água de rios de diversas regiões, que saíram do leito.

Conforme o balanço das 18 horas da Defesa Civil do estado, 2.056 pessoas ficaram desabrigadas e 1.906 permaneciam em abrigos públicos. Ao todo, 3.592 ficam desalojadas (ou seja, tiveram que ser transferidas para a casa de parentes ou amigos), sendo que 49 ainda não voltaram para as suas residências. Outras pessoas que moram próximas a barragens Cavernoso II e Salto Osório, também localizadas na região Centro-Sul, estão sendo alertadas a deixar suas casas, já que há o risco de os reservatórios transbordarem. Na região de Cavernoso, 30 famílias foram retiradas do local.

Em Curitiba, 16.204 pessoas foram afetadas pela chuva, segundo a prefeitura. A partir de hoje, 70 caminhões serão colocados na rua para recolher o lixo acumulado. Ainda no sábado, o prefeito Gustavo Fruet decretou estado de alerta na cidade. Segundo a Simepar, em oito dias choveu três vezes mais que a média histórica do mês de junho. As chuvas se devem a uma frente fria que ficou estacionada sobre o estado. A previsão é que elas continuem na próxima semana. Até agora, 16 municípios receberam ajuda humanitária, como cesta básicas, colchões e cobertores. Richa afirmou também que solicitou ajuda do governo federal.

O governo informou ainda que disponibilizou dois helicópteros para ajudar as ações em Guarapuava. Segundo informações do Diário de Guarapuava, devido às interdições nas rodovias da região, empresas de ônibus deixaram de vender passagens de linhas que passam ou saem do município.

Sem luz

Conforme a Copel, as chuvas deixaram ao menos 70 mil residências sem energia. As regiões mais afetadas foram a Oeste (23 mil) e a Centro-Sul (23 mil). Em Curitiba e região, 2,3 mil moradias ficaram sem energia. Já a Sanepar informou que 11 municípios tiveram problemas de abastecimento de água. Segundo a empresa, caminhões pipa foram enviados para algumas destas cidades.

Evitar desastres é "questão complexa"

Para o coordenador estadual da Defesa Civil do Paraná, Coronel Adilson Castilho Casitas, evitar novos desastres ocasionados pelo excesso de chuvas é uma "questão complexa". De acordo com ele, apesar dos investimentos do governo em ações e equipamentos, a prevenção de acidentes depende de outras questões, como o desassoreamento dos rios e da realocação de famílias que vivem em áreas de risco para outros locais.

O coronel diz que a Defesa Civil do estado implantou em 100 municípios um plano de contingência para levantar quantas pessoas moram em encostas e margens de rios e removê-las. A estimativa é que o plano chegue aos 399 municípios do Paraná até o fim deste ano. "A partir daí saberemos quantas pessoas estão instaladas em áreas de risco para realizarmos uma retirada das famílias em longo prazo."

Em junho do ano passado, o governo lançou o Programa de Fortalecimento da Gestão de Riscos e Desastres Naturais. Entre as ações estão: a instalação de um novo radar meteorológico em Cascavel, no Oeste, para prever chuvas fortes; de estações hidrológicas na Bacia do Iguaçu, para o monitoramento do nível dos rios; e de pluviômetros no Litoral, a fim de controlar a quantidade de chuva na região. Ao todo, o investimento foi de R$ 53 milhões por meio de recursos do Banco Mundial.

Além disso, Casitas lembra que, em 2013, a prefeitura de Curitiba, em conjunto com o governo estadual, aprovou a liberação de mais de R$ 1 bilhão para o desassoreamento e a construção de lagoas de retenção ao longo da bacia do Rio Iguaçu.

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