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Neymar, jogador do Santos e uma das esperanças de que nossa seleção volte a jogar uma coisa que atende pelo nome de futebol, andou fazendo umas besteiras e, por isso, foi duramente criticado por um montão de gente. O técnico René Simões deu tintas pesadas à polêmica ao lançar a hipótese de que, caso não se corte o mal pela raiz, Neymar se transformará num monstro.

Imagens assustadoras à parte, o que nos interessa aqui foi uma enquete feita por um programa da Rede Record sobre o comportamento do craque. A maioria dos entrevistados criticou o atacante. E um rapaz mandou esta: "O cara tá ficando muito desumilde agora". O entrevistador achou engraçado o uso da palavra, fez uma brincadeira e a enquete foi em frente.

Talvez meu julgamento seja errado e preconceituoso, mas tenho a impressão de que o rapaz não tivesse conhecimento, naquele momento, de que essa palavra, de fato, já se encontra registrada em alguns dicionários de nossa língua. Inclusive pela Academia Brasileira de Letras. Pelo jeito o repórter não a conhecia e a apresentadora do programa também não, mas isso não tem problema. O fato é que todos os falantes, independentemente da escolaridade, são competentes para criar palavras, mesmo que estas jamais venham a ser registradas em dicionários.

A palavra "desumilde", por exemplo, nasce de um processo de formação de palavras chamado derivação. A derivação se dá por meio de afixos. Quando o afixo vem colocado antes do radical temos derivação prefixal (feliz/infeliz; solo/subsolo); quando o afixo vem colocado após o radical temos derivação sufixal (ferro/ferrugem; útil/utilidade). Um dos prefixos mais produtivos da nossa língua é "des-", que carrega o sentido de negação, ação contrária. Por exemplo: ordem/desordem; honesto/desonesto; ocupado/desocupado. E humilde = desumilde.

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